Revolucionando o empréstimo no Brasil
Creditas
Creditas
Empreendedorismo

Ansiedade no trabalho custa R$ 200 mi por ano à Previdência

No Brasil, transtornos causados pela ansiedade já são a terceira causa de afastamentos do trabalho. Especialista explica como gestores e departamentos de RH podem trabalhar para evitar a situação

Escrito por Flávia Marques em 16.10.2019 | Atualizado em 18.10.2019

  • 0 Likes

Depois de passar quase um ano desempregada, a operadora de telemarketing Amanda Alves, de 25, conseguiu a tão desejada recolocação profissional. Mas, em poucos dias, a conquista do novo emprego em uma operadora de telefonia móvel tornou-se um pesadelo: a ansiedade no trabalho, causada pela rotina estressante e a pressão excessiva para evitar cancelamentos de serviços ao telefone abalou a sua saúde emocional. 

No Brasil, o setor de telemarketing é um dos mais delicados para se trabalhar. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing (Sintrael), cerca de 30% dos profissionais sofrem algum tipo de transtorno psíquico após atuar na área - e a ansiedade é um deles.

Infelizmente, o problema não é particularidade de um setor. Segundo os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 18 milhões de pessoas são vítimas de ansiedade no Brasil, o que nos coloca em primeiro lugar no ranking mundial. A patologia é, também, a terceira maior causa de afastamentos do trabalho no país, e os gastos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) giram em torno de 200 milhões de reais em pagamentos de benefícios anuais, segundo dados da Previdência Social. 

Os números revelam a necessidade de um olhar mais atento ao problema, e as empresas, por meio dos líderes e departamentos de Recursos Humanos, tem um papel importante na mudança desse cenário. 

“É notório que as doenças relacionadas a questões emocionais fazem cada vez mais parte da rotina das organizações”, avalia Rafael Jaworski, especialista em gestão de pessoas e diretor de RH. “As companhias precisam estar atentas a essa questão, já que a ansiedade é capaz de desestabilizar e afetar o desempenho até dos profissionais mais qualificados”, acrescenta. 

Ansiedade no trabalho: por que as empresas devem se preocupar?

A saúde emocional dos funcionários também deve ser uma preocupação para as empresas. Isso porque qualquer problema de origem psicológica pode afetar o desempenho do profissional, independentemente da área ou posição em que atue. “Seja nas funções operacionais ou mais estratégicas, quando o colaborador tem questões psicológicas mal resolvidas, é bem provável que isso afete e sua produtividade”, comenta Rafael Jaworski. “Além disso, sem a atenção merecida, a ansiedade pode desencadear problemas ainda mais sérios, como a depressão e síndrome do pânico, por exemplo”, explica o diretor de RH. 

Ainda segundo o especialista, o excesso de ansiedade pode, inclusive, comprometer a qualidade dos produtos e serviços oferecidos pela empresa e, consequentemente, afetar os lucros da companhia. 

“Um profissional ansioso que se relaciona diretamente com o público, por exemplo, provavelmente vai atender os clientes de uma forma diferente quando não está se sentindo bem: ele pode ficar desanimado, ser grosseiro ou ter qualquer reação que afaste o público”, exemplifica. 

Como melhorar a ansiedade no trabalho?

Para os líderes que desejam controlar a ansiedade dos funcionários, o primeiro passo é mostrar-se à disposição para conversar e compreender os seus anseios, frustrações e indagações a qualquer momento. 

Ouvir o seu funcionário com real interesse e conhecer as suas preferências é fundamental para saber do que ele gosta e o que o incomoda, além de mostrar o quanto ele é importante para o sucesso da empresa.

Embora algumas questões no trabalho possam contribuir para que o profissional sofra algum transtorno psicológico, a ansiedade também pode ter origem em questões mal resolvidas em casa, por exemplo. Mesmo em casos assim, as empresas podem ajudar a amenizar o problema e evitar reflexos negativos no ambiente da organização. 

É papel dos gestores de equipes e do setor de RH fortalecer uma cultura de proximidade com os funcionários. “Na indústria onde eu atuo, por exemplo, os líderes são incentivados e treinados para que tenham um relacionamento bastante próximo às pessoas e ajudem, de alguma forma, a resolver os seus problemas, mesmo que sejam pessoais”, diz Rafael. 

De acordo com o especialista, as dificuldades financeiras, por exemplo, estão entre os principais motivos que geram ansiedade e prejudicam o desempenho dos colaboradores. O estudo “The Employer’s Guide to Financial Wellbeing 2018/19”, desenvolvido no Reino Unido, mostrou que a produtividade de profissionais endividados ou preocupados com dinheiro é, em média, 15% menor. 

Leia também: 6 benefícios financeiros que aumentam a produtividade do colaborador

Desenvolver medidas para apoiar os funcionários nesse sentido gera bons resultados e já é uma preocupação de algumas companhias. “Hoje, já existem empresas que fazem pequenos adiantamentos de pagamentos para o colaborador e, depois, descontam o valor direto na folha de pagamento, em parcelas menores, para que eles não paguem juros abusivos”, comenta. 

Ações práticas 

Na prática, algumas estratégias são muito eficientes para amenizar e até prevenir o problema de ansiedade nas equipes. Com o apoio do especialista Rafael Jaworski, listamos algumas ações que podem ser efetivas e adotadas pelas empresas. Confira: 

1- Aprimoramento da comunicação 

Para Rafael, a comunicação é o item número 1 da lista de ações para redução da ansiedade no trabalho. É importante que, de tempos em tempos, os líderes conversem individualmente com os funcionários e expliquem em quais pontos eles estão indo bem e quais questões devem ser melhoradas. 

Durante o diálogo, é importante que o gestor também esteja aberto para ouvir e absorver críticas, sem autoritarismo. “Deixe que os funcionários falem sobre os problemas que ele enxerga nas empresas e, se houver alguma questão que você não pode resolver, explique isso a ele”, orienta. 

Um dos fatores que desencadeiam a ansiedade no trabalho é a segurança e sensação de instabilidade. Ao receber avaliações constantes sobre o seu desempenho e entender a visão do líder, esse sentimento dificilmente tomará conta da equipe. 

2- Avaliação de metas 

Outro fator que desencadeia o excesso de ansiedade é a cobrança por metas muito arrojadas. Por isso, as empresas devem avaliar seus objetivos constantemente e estar atentas para entender se as metas condizem com a realidade da operação. “Ela [a meta] precisa ser exequível, senão, não tem jeito: vai gerar ansiedade”, avalia o especialista. 

É importante lembrar que existem diferentes perfis de profissionais, e cada um reage de forma diferente às condições que lhe são impostas. “Diante de metas desafiadoras, algumas pessoas partem para a ação e buscam alcançá-las. Outras têm um perfil diferente e ficam ‘travadas’, e pressioná-las torna a situação ainda pior”, explica Rafael. 

3- Atenção à qualidade de vida dos funcionários

Apesar de ser um problema psicológico, a ansiedade também está relacionada ao bem-estar físico dos profissionais. Segundo o especialista em gestão de pessoas, colaboradores que estão com a saúde em dia, alimentam-se adequadamente e praticam exercícios estão menos propensos a desenvolverem problemas emocionais. Além disso, essas práticas auxiliam na melhora da autoestima, o que oferece mais segurança na execução do trabalho. 

“Permitir períodos de pausas durante o expediente, desenvolver ações de ginástica laboral e programações de atividades ao ar livre são opções que ajudam o profissional a se conectar consigo mesmo e diminuir níveis de estresse e ansiedade”, aconselha Rafael Jaworski.  

 

Receba conteúdos exclusivos

Não perca nenhuma novidade, assine nossa newsletter.

  • 0 Likes
Flávia Marques

Escrito por Flávia Marques

Repórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.
Revolucionando o empréstimo no Brasil

Quem somos

As transformações do mundo exigem cada vez mais de nós. Mais funções, mais responsabilidades, mais conhecimento. Mais, mais e mais. Mas o que Creditas e Exponencial têm a ver com isso?

Somos movidos por fazer a diferença na vida das pessoas. Se vivemos o tempo das informações ilimitadas, é nossa função criar e filtrar diferentes conteúdos aos nossos leitores, para que o conhecimento financeiro deles cresça exponencialmente.

Exponencial. Informação é fonte de crescimento.

A Creditas é uma plataforma digital que atua como correspondente bancário para facilitar o processo de contratação de empréstimos. Como correspondente bancário, seguimos as diretrizes do Banco Central do Brasil, nos termos da Resolução nº. 3.954, de 24 de fevereiro de 2011.

Creditas Soluções Financeiras Ltda. é uma sociedade limitada registrada sob o CNPJ/MF 17.770.708/0001-24, com sede na Av. Engenheiro Luís Carlos Berrini, 105, 12º andar Itaim Bibi, São Paulo – SP, 04571-010