Empréstimo com garantia: conheça 5 modalidades e entenda como funcionam

Publicado em Atualizado em: 16/07/2019

Para conseguir crédito mais barato e melhores prazos de pagamento, consumidor pode usar smartphones, jóias, salário e outros bens. Conheça as opções

Se em outros países, como os Estados Unidos, usar algum bem para conseguir crédito mais barato é uma prática comum, para os  brasileiros o empréstimo com garantia ainda é uma modalidade pouco conhecida. Por aqui, a falta de informação e de educação financeira dificulta o acesso da população às linhas de crédito consideradas mais saudáveis e baratas, fazendo com que o consumidor contrate modalidades com as maiores taxas do mercado. 

Popular e perigoso, o  cartão de crédito, por exemplo, foi apontado como o principal motivo de endividamento pelas famílias brasileiras, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Em abril, a taxa média do rotativo – para aqueles que parcelam ou pagam o valor mínimo permitido da fatura – atingiu 299,8% ao ano, enquanto o cheque especial, também utilizado com frequência por aqueles que desejam cobrir os rombos no orçamento, chegou a 320,9% ao ano. 

O que muitos não sabem é que, ao colocar um bem como garantia, o crédito fica mais barato. Considerada uma das modalidades mais saudáveis do mercado, o crédito com garantia no país tem taxas que variam entre 14% e 29% ao ano – valores muito abaixo dos demonstrados no cheque especial e rotativo do cartão. 

No mercado brasileiro, os tipos mais comuns  são o refinanciamento de veículo, em que o consumidor usa um automóvel como garantia de pagamento, e o  home equity, quando o bem utilizado é o imóvel.

Mesmo assim, a aderência é baixa: o financiamento imobiliário movimenta, todos os meses, cerca de 4 bilhões de reais, enquanto o crédito com garantia de imóvel gira somente 200 milhões mensais de reais mensais. Os dados evidenciam certa resistência do consumidor, que aceita o risco de comprar uma casa financiada, mas não se sente confortável para dispor de um imóvel para pagar suas dívidas

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Como funciona o empréstimo com garantia?

A lógica da operação é simples: o tomador de empréstimo precisa oferecer um bem como garantia de que o débito será pago à instituição que concedeu o crédito. Como consequência, a instituição credora assume um risco menor e diminui as taxas. 

Além de casa e carro, outros bens também podem ser a solução para os consumidores que querem quitar dívidas caras e trocar por baratas, e conseguir crédito com juros mais baixos e maiores prazos de pagamento.

No Brasil, joias, celulares e até salários já são aceitos por instituições financeiras que concedem empréstimo com garantia, modalidade também indicada para clientes que desejam abrir ou investir em um negócio, organizar o orçamento e realizar projetos pessoais. Em outros países, também é possível usar máquinas agrícolas, equipamentos médicos, bitcoins, entre outros bens. 

Para Arthur Igreja, professor da Fundação Getúlio Vargas e especialista em finanças e inovação, a baixa popularidade do empréstimo com garantia no Brasil se deve, entre outros motivos, à estratégia praticada por grandes bancos, que privilegiam a oferta de opções mais simples e já pré-aprovadas ao consumidor. “Às vezes, para essas instituições financeiras é mais interessante oferecer linhas de crédito de maior risco, mas que, ao mesmo tempo, são mais rentáveis”, explica o especialista. 

Fintechs: necessidade de mercado gera crescimento

Se o consumidor que busca crédito sofre ao se deparar com juros altos, surge uma oportunidade de negócio. Nesse cenário, as fintechs – empresas que oferecem serviços financeiros por meios tecnológicos – aproveitam a veia inovadora para colocar novos produtos em evidência e estimular o crescimento de modalidades de crédito, como o empréstimo com garantia. 

Arthur explica que o comportamento dessas startups financeiras pode ser chamado de “desacoplagem”, uma espécie de especialização de serviços. Como exemplo, ele cita o Nubank, que se tornou especialista em cartões de crédito e só depois de alguns meses disponibilizou conta corrente e outras funcionalidades aos clientes, reforçando seu posicionamento de concorrente dos grandes bancos.

“A tendência é que surjam novas fintechs que se especializem em empréstimo com garantia e direcionem o seu trabalho para esse serviço, conseguindo oferecer taxas muito mais baixas que os bancos”, avalia o especialista.

Ele acredita as fintechs conquistarão cada vez mais a confiança dos brasileiros, e que o mercado tem potencial para continuar crescendo. “À medida que elas [as fintechs] forem consolidando suas marcas e conseguirem mostrar para mais gente que oferecem condições especiais, vão ganhando mercado”, afirma. “A economia brasileira não está crescendo, então, a população está fazendo muito mais contas e disposta a dar uma chance para quem tem as melhores ofertas”, comenta Arthur.

Falta de informação e desconfiança levam a piores escolhas

Embora o mercado de crédito já ofereça modalidades com taxas mais baixas, muitos brasileiros ainda optam por utilizar linhas de crédito com condições menos interessantes. Arthur atribui essas escolhas ao baixo índice de educação financeira no Brasil e explica que muitos consumidores ainda são vítimas de pensamentos que, segundo ele, são uma “armadilha mental”. 

“Mesmo sabendo que pode conseguir taxas melhores, o consumidor deixa de fazer um empréstimo com garantia porque pensa que, vinculando uma dívida a um patrimônio seu, vai colocar em risco algo que já conquistou”, afirma Arthur. “O fator psicológico é bem determinante na vida financeira”, conclui. 

Quais cuidados o consumidor deve tomar?

Para quem deseja tomar um empréstimo com garantia pela primeira vez e considera a possibilidade de fazer negócio com uma fintech, algumas precauções são fundamentais. 

Arthur Igreja ressalta a importância de pesquisar o histórico das startups, e cita a internet como grande aliada nessa busca. “Uma instituição que cria um site interessante e se coloca no mercado como uma fintech não é, necessariamente, uma empresa séria”, alerta Arthur. “É importante verificar a reputação da marca em sites como o Reclame Aqui e saber se ela tem autorização do Banco Central para atuar ”, afirma. 

As redes sociais também são ferramentas interessantes para checar reputação. Nesse caso, é importante sempre verificar se existem comentários positivos sobre essas empresas e, principalmente, depoimentos de pessoas que tiveram boas experiências com os serviços.

E, para evitar fraudes e golpes, vale ressaltar que nenhuma instituição de empréstimo pode cobrar recursos antecipadamente para a liberação de crédito.

Para apresentar diferentes opções, a Revista Digital Creditas listou cinco modalidades de empréstimo com garantia. Confira, a seguir:

1-  Celular

O avanço da tecnologia trouxe novas possibilidades para o mercado de empréstimo. Usar o celular como garantia de pagamento é uma prática comum no exterior e já chegou ao Brasil.

Por aqui, a Flexipag é a única empresa que oferece esse serviço. Funciona assim: o cliente solicita o empréstimo por meio de um aplicativo, onde são realizadas a análise de crédito e a comprovação dos documentos. Se aprovado, o empréstimo é feito em até um dia útil.

Os valores são relativamente baixos, variando de R$ 300 a R$ 3,5 mil. Quando o cliente não paga o empréstimo, o aparelho é bloqueado e só pode ser utilizado para acessar o aplicativo da Flexipag ou ligar para serviços de emergência.

2-  Salário

Outra alternativa de empréstimo com garantia é o consignado. Nesta modalidade, o valor das parcelas é descontado diretamente do contracheque ou, para aposentados e pensionistas, do benefício recebido pelo INSS. A modalidade pode ser contratada por funcionários públicos ou de empresas privadas, aposentados e pensionistas.

Além de ser uma das modalidades mais rápidas de se contratar, o empréstimo consignado conta com uma das menores taxas do mercado, já que possui maior garantia de pagamento para a instituição credora.

3-      Joias

Há instituições financeiras no país que realizam empréstimos a partir da penhora de joias. No ano passado, estimativas do mercado indicam que a modalidade pode ter movimentado 3,47 bilhões de reais em todo o Brasil.

A facilidade de contratação é uma das principais vantagens: o cliente só precisa apresentar a joia, CPF, RG e comprovante de endereço. Restrições no nome não são levadas em conta nessa operação, e a pessoa sai com o dinheiro no mesmo dia em que a joia é avaliada.  

As propriedades costumam ficam guardadas na instituição que ofereceu o empréstimo e só vão a leilão após 30 dias de atraso no pagamento do crédito.

 4-      Imóvel

Oferecido no Brasil desde 2006, o empréstimo com garantia em imóveis, conhecido como home equity é um dos que mais tem crescido com a entrada das fintechs no mercado.

E o potencial de desenvolvimento dessa modalidade é enorme: segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, existem cerca de 70 milhões de domicílios no país, e 68% estão quitados e poderiam ser usados em operações de refinanciamento.  

5-      Automóvel

O empréstimo com garantia de veículo, também conhecido como refinanciamento de veículo, é uma linha de crédito na qual o cliente utiliza o seu carro, motocicleta ou outro automóvel como garantia de pagamento.

Essa modalidade, assim como as outras apresentadas, também oferece juros menores ao cliente, já que o automóvel é usado como garantia em caso de não pagamento da dívida.

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Postado por Flávia Marques

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