Renegociar dívidas: 7 motivos para você quitar os débitos

Publicado em Atualizado em: 17/07/2019

Negociar o pagamento das dívidas com os credores é fundamental para tornar o planejamento financeiro sustentável

A imprensa em geral fala, constantemente, do alto índice de inadimplência no Brasil. Estudos de birôs de crédito como a Serasa e o SPC Brasil sempre apontam como o número de pessoas/famílias endividadas no país tem crescido exponencialmente em 2018. Um levantamento do SPC em novembro, por exemplo, constatou que 63,1 milhões de brasileiros encerraram o penúltimo mês do ano com o CPF negativado. Para sair dessa situação, porém, o caminho pode ser mais óbvio do que muitos imaginam: renegociar dívidas. “As renegociações são os melhores caminhos para limpar o nome”, diz Samuel Barros, economista e coordenador do curso de Administração do Ibmec RJ.

Existem algumas maneiras de renegociar o pagamento de um débito. Ele pode ser feito diretamente com o credor, em feirões para limpar o nome, por meio do refinanciamento de dívida – e portabilidade de uma instituição para outra. O ideal é sempre tentar entender o cenário em que está inserido e qual será a melhor maneira de fazer isso. Isso porque o não pagamento da dívida renegociada pode ser ainda pior. 

“A grande preocupação é renegociar de uma forma que você seja capaz de cumprir”, indica Barros. “Seja para uma parcela que caiba no seu orçamento familiar, ou para uma taxa de juros menor, com um prazo maior para pagar”, comenta.  

Buscar empréstimos que dispõem de taxa de juros menores e prazos mais alongados para pagar pode ser uma das alternativas de renegociar o montante devido, assim como fazer a transferência da dívida – a chamada portabilidade de crédito. Em ambos os casos, é preciso avaliar se as taxas e prazos de pagamento são compatíveis com o seu orçamento.  

Listamos os principais motivos para renegociar a dívida. Veja, a seguir:

1- Limpar o nome

Ficar negativado no mercado pode implicar em muita dor de cabeça. As tecnologias tornaram ainda mais fácil a consulta se o consumidor é um bom pagador.

O principal impacto de ter o nome sujo no mercado é a dificuldade em conseguir crédito. Isso inclui desde cartão de crédito, crediário de varejistas e, principalmente, empréstimos e financiamentos. Afinal, os credores e empresários ficam atentos ao risco de tomar um calote. 

Outro ponto é em questão ao score, que é uma espécie de termômetro de bom pagador. Caso você tenha pendências, a sua pontuação no mercado cai, também implicando negativamente para acessar o crédito.

Na dúvida, manter o nome limpo na praça é sempre a melhor opção.

2- Aprender a não ficar mal-endividado 

Ao renegociar dívidas, a tendência é que o consumidor entenda os danos de ficar mal-endividado. A dívida e o crédito fazem parte da vida de qualquer pessoa. O crédito é importante para realizar sonhos, buscar objetivos e construir a vida. 

O que não deve se perder de vista, no entanto, é que não é preciso se enforcar por isso. Tudo deve ser feito com muito planejamento e consciência. “As pessoas precisam ter acesso sobre educação financeira”, diz o economista. “Não adianta ganhar dinheiro e gastá-lo inteiro só porque teve um soluço. A partir do momento que você educa a pessoa a lidar com o dinheiro, a tendência é que a inadimplência caia”, explica.

Por isso, ao passar pelo processo de renegociamento de dívida, a pessoa terá entendido a importância de não ficar mal-endividado.

3- Trocar dívidas caras por dívidas baratas

Quando você fala com o credor e/ou encontra outra opção de empréstimo para quitar um mal-endividamento, é possível substituir as dívidas caras, por baratas.

Isso ocorre, pois é possível encontrar prazos melhores e taxas de juros que façam sentido no seu orçamento – ou seja, não prejudica seu fluxo de caixa.  

4- Obter juros menores

É possível reduzir as taxas de juros de uma dívida quando você a renegocia com o credor. Além disso, há a possibilidade de aumentar o prazo do pagamento – e, em alguns casos, reduzir o seu valor.

As condições de negociação são ainda melhores quando o credor está aberto para conversar. Como é o caso de feirões realizados por birôs de créditos, como o Feirão Limpa Nome da Serasa. Em ambientes como esses, os credores esperam receber o endividado, para que eles entrem em um acordo sobre a dívida.

É importante ficar atento a oportunidades como essas, caso opte por negociar dívidas. “O feirão é um instrumento muito útil para chamar atenção das pessoas. Mas, é importante que o endividado não espere apenas o feirão para renegociar o montante”, explica Barros. 

5- Renegociar dívidas faz com que ela pare de crescer  

Um problema do mal endividamento é a bola de neve que ele gera. Normalmente, as principais dívidas são geradas por altas taxas de juros. Isso dificulta o pagamento total do montante, já que o endividado não consegue organizar a renda o suficiente para quitar o débito.

Já em um processo de renegociação de dívidas, o imbróglio (bola de neve) pode ter fim. Isso porque o consumidor/indivíduo pode chegar a um acordo que seja bom tanto para o credor, quanto para a sua saúde financeira, fazendo com que a dívida pare de crescer.

Com o respiro das altas taxas de juros, o endividado poderá reorganizar a vida financeira, arcar com o pagamento e, por fim, quitar todo o débito.

6- Se organizar financeiramente

A educação financeira é essencial em um cenário de alto índice de inadimplência. Um estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) intitulado por Financial Education in Schools mostra que o conhecimento de educação financeira na infância ajuda a formar adultos com noção de gerenciamento de riscos – e de planejamento dos gastos.

Ainda, segundo a análise, quando as pessoas têm consciência de finanças pessoais, elas evitam assumir dívidas incontroláveis, promovem cuidados com a velhice e com a saúde. Além disso, o estudo indica que o não controle saudável das finanças pode gerar um impacto duradouro na vida dos indivíduos, nas relações familiares e até mesmo na sociedade.

Ter ciência de finanças pessoais, planejamento de gastos e do próprio orçamento faz com que as pessoas sejam mais racionais com os gastos. Isso evita compras compulsivas e o mal endividamento – assim como o alto índice de consumidores com o nome negativado no mercado. 

7- Alívio e tranquilidade

Mais que a negativação no mercado, permanecer endividado pode prejudicar a saúde. Um estudo realizado pelo SPC Brasil em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojista (CNDL) mostra que as pessoas adquirem um estado emocional negativo quando se endividam. Esse sentimento pode se transformar em mudanças de comportamento, alterando as relações sociais e até causando falta de produtividade no trabalho.

De acordo com a análise, os inadimplentes entrevistados afirmam sentir vergonha por terem dívidas. Outros sentimentos negativos mais relatados são a infelicidade; insegurança e medo de não conseguir quitar as pendências; nervosismo; irritação e desespero.

Os impactos alcançam, até mesmo, a autoestima. Doenças como depressão, ansiedade, insônia e pânico também apareceram na pesquisa. Ou seja: ficar longe das dívidas pode melhorar a qualidade de vida – e diminuir as preocupações.

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Postado por Paula Bezerra

Editora da Revista Digital Creditas, jornalista de coração e alma. Escreve sobre finanças, inovação, economia, cultura e o que mais der na telha.

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