Aprenda a fazer um bom planejamento financeiro pessoal e alcance metas

Planejamento Financeiro

Quando se trata de educação financeira, o Brasil ainda está muito atrás de outros países. Em várias pesquisas estamos nas últimas posições, justamente porque não aprendemos desde crianças a lidar com o dinheiro e como distribuí-lo. Mas, mesmo que você saiba muito pouco sobre o assunto, sempre é hora de estudar e ganhar conhecimento.

Por falta de informação, muitas pessoas ainda acumulam dívidas e atrasam planos de vida. Pensando nisso, preparamos um artigo com inúmeras dicas para você conseguir se organizar, repensar prioridades e bater todas as suas metas.

O que é um planejamento financeiro?

Planejar significa pensar com antecedência, analisar e tentar prever possíveis situações futuras de acordo com dados que você tem agora. Ou seja, é um método de organizar as finanças e reconhecer o quadro em que elas se encontram hoje. Assim, é possível determinar os objetivos a serem atingidos e o que você precisa fazer para conquistá-los.

Na prática, você registra todas as suas despesas, quanto recebe e onde pretende investir. E mensalmente vai acompanhando essa evolução e consegue enxergar melhor onde é possível economizar, o que acertou e errou.

Quais os benefícios de se planejar

Além de evitar surpresas desagradáveis, você começa a ter mais autoconhecimento com o planejamento financeiro. A partir disso, é possível definir metas, sonhos, o estilo de vida que você quer ter. Então, o dinheiro será destinado para esses projetos. Por exemplo, se um universitário deseja se tornar um grande empresário algum dia, precisa se adequar a essa realidade: investir em idiomas, especializações, intercâmbios e até na vestimenta.

Em resumo, é uma forma de traçar objetivos daqui para frente e continuar trabalhando, mas dessa vez para realizar sonhos também. Não apenas para pagar contas básicas.

Sem contar que quando você planeja os movimentos que vai tomar tem mais segurança para agir em situações menos esperadas. E, claro, sabe exatamente quando terá que quitar determinada dívida sem precisar se desesperar com a chegada do boleto.

Assim, vai adquirindo mais confiança, segurança em si mesmo e mantém sua saúde emocional em dia. Isso porque as preocupações com as finanças podem afetar outras áreas da sua vida, como a relação com amigos e familiares.

Principais degraus para enriquecer

Você já imaginou conseguir juntar aquela quantia tão sonhada no tempo que você desejar, terminar o mês sempre no azul, ter um dinheirinho para viajar, investir e controlar seu dinheiro de perto? A Revista Creditas propôs algumas mudanças que podem fazer suas finanças decolarem.

Estabeleça metas

O primeiro passo para começar um planejamento financeiro é definir prioridades, objetivos para o futuro. Qual o seu maior sonho que envolva dinheiro? Comprar um carro? Ter a casa própria? Fazer uma viagem internacional? Liste os principais desejos e coloque um prazo para cada um. Lembrando que, por mais que você economize dinheiro e seja organizado, é fundamental estimar um tempo que de fato dê para realizar aquele plano. Não adianta você colocar como meta juntar R$ 20 mil em seis meses, para viajar, se só é possível guardar R$ 500 por mês.

Reserva de emergência: prepare-se para imprevistos

Sonhar é muito importante e mudar maus costumes para alcançá los, mais ainda. Porém, você sempre estará sujeito a eventos não planejados. Por exemplo, pode se apaixonar e casar, ter filhos, perder o emprego, etc. São momentos que podem alterar o rumo da sua vida, especialmente das suas finanças e dos seus objetivos. Mas isso não significa que deva desanimar de atingi-los. É só adequar seus hábitos à sua nova situação financeira.

Justamente por isso é imprescindível buscar guardar dinheiro sempre que possível e não viver só o hoje. Vamos supor que atualmente você tenha muito dinheiro e saia gastando sem freio. Amanhã pode ficar desempregado, sem fonte de renda e passar dificuldades. Sem contar que as pessoas se aposentam cada vez mais velhas e precisam fazer um pé de meia para isso ao longo da vida.

A economia brasileira costuma variar bastante e mesmo que você controle o dinheiro é importante ter uma reserva para algum acontecimento inesperado. Pode precisar de capital para uma cirurgia, para a aposentadoria e também ninguém sabe se sempre terá um salário ou faturamento para contar.

Conheça sua receita e despesas

Nem todo mundo sabe exatamente a própria renda mensal. Dessa forma as pessoas acabam gastando mais do que têm e arriscam terminar o mês no vermelho. Por isso, é importante calcular o salário bruto (valor cheio recebido) e o salário líquido (aquilo que sobra depois de ter tarifas e impostos descontados).

Para isso, comece analisando seu holerite e calcule o salário total de todo mês. Se realizar serviços informais e sazonais não esqueça de adicionar à soma.

Além disso, é importante saber quais suas despesas fixas e imprescindíveis. Assim, você tem uma ideia de quanto é possível economizar por mês.

Para observar mais de perto essas despesas, você deve acompanhar o extrato da conta corrente e da fatura do cartão com frequência. Fique de olho pelo menos uma vez por dia e não deixe para fazer isso só no dia do pagamento.

Limite gastos

Por mais difícil que pareça, é possível ter dinheiro para os gastos básicos e manter a conta no azul mesmo estipulando um limite máximo para gastar. Isso fica ainda mais fácil depois que você conhece sua situação financeira e domina o dinheiro.

Existem algumas estratégias que podem te ajudar. A Regra 50-30-20, por exemplo, é uma fórmula muito usada por educadores financeiros. A ideia é distribuir melhor o que você recebe e, a partir disso, criar prioridades dentro do que deve pagar. Para isso, seu salário é dividido em três partes:

  • 50% para gastos essenciais

         Exemplo: contas de água, luz, escola…

  • 30% para gastos não essenciais

         Exemplo: lazer, cabeleireiro, manicure…

  • 20% para investimentos para realizar sonhos

        Exemplo: Tesouro Direto, Bitcoin, CDB…

No caso de alguém que recebe R$ 2 mil por mês, deve ser destinado:

  • R$ 1000 para contas básicas;
  • R$ 600 para custos de lazer;
  • R$ 400 para poupar e investir.

Mas, claro que esse é o ideal e deve ser adaptado a cada realidade. Os compromissos financeiros de alguém casado e com filhos é diferente de quem é solteiro e mora sozinho. Inclusive, você pode optar também pelo modelo 70-20-10, se tiver mais despesas essenciais do que supérfluas. Cada momento da vida vai pedir uma nova adaptação.

O importante é criar e manter o hábito de poupar, mesmo que você não consiga chegar exatamente no percentual sugerido. Pode ir ajustando isso ao longo do tempo. O melhor é separar essa quantia logo no início do mês, para evitar gastar tudo até o final.

Para isso, você pode começar limitando despesas desnecessárias, como ir ao cabeleireiro, comprar roupas, viajar em um feriado. Se você quer levar roupas novas para casa, estabeleça uma quantia máxima, como se só tivesse isso para gastar, e evite extrapolar.

Use planilhas e aplicativos

Para organizar todas essas informações, você pode montar uma planilha ou buscar aplicativos. O primeiro é um dos métodos mais tradicionais e seguros. As tabelas ajudam a ver claramente quais gastos estão comprometendo sua renda e o que é possível cortar.

Para te ajudar, você pode anotar cada vez que realiza algum pagamento no computador ou em um caderninho mesmo. Quando chegar no fim do mês você vai saber exatamente quanto consumiu e onde poderia ter economizado. Também é vantajoso porque você não arrisca esquecer contas que precisa pagar no futuro.   

Você deve incluir desde os custos mais básicos até os menores e variáveis. Muitas vezes o que compromete sua conta não é exatamente valores fixos, mas gastos esporádicos e nem sempre fundamentais.

Uma sugestão é montar uma planilha simples dividindo essas duas despesas. É importante acompanhar quanto elas representam na sua renda mensal e qual seu saldo depois de pagar contas.

Seu celular pode ser outro aliado. Existem softwares e aplicativos próprios para lembrar qualquer movimentação e parcelas não pagas, além de criar um planejamento. Assim, você não corre o risco de esquecer o pagamento daquele débito importante.

Um deles é o GuiaBolso, indicado para organizar o que entra e o que sai da sua conta. Ele faz todo o planejamento financeiro a partir do acesso à sua conta bancária e cartão de crédito. Se você tem o sistema IOS ou Android pode baixar.

Faça um balanço mensal e anual

Todo fim de mês você deve fazer um levantamento e uma análise total dos números. Olhe para seus ganhos (salário, faturamento), para os gastos e avalie quanto conseguiu poupar para destinar aos seus sonhos.

Faça as seguintes perguntas a si mesmo:

  • “todos os gastos foram realmente necessários?”
  • “como eu posso evitar despesas comprometedoras e novas dívidas?”
  • “eu consegui investir o valor pretendido e ainda pagar todas as contas em dia?”

Tudo isso pode te ajudar a encontrar caminhos melhores para o seu dinheiro. Se você percebeu que não precisava ter desembolsado tanto, veja quais gastos é possível cortar. E tenha sempre em mente que deixar de guardar significa uma quantia a menos para seus projetos futuros.

Quando acabar o ano, pode fazer o mesmo exercício. Nesse caso, é válido avaliar se você conquistou tudo que queria durante esse período, se conseguiu seguir o modelo financeiro mais adequado no seu caso.

Reveja hábitos e prioridades, visto que em 12 meses isso pode mudar bastante. Vale se perguntar se você continua com os mesmos objetivos e sonhos. A partir disso, traçar uma nova estratégia e ano a ano ir ousando mais nas metas. Mas, claro, sempre de acordo com seus ganhos do momento e gastos fixos.

Prepare o bolso para datas comemorativas

Uma boa solução para ter mais controle do dinheiro é direcioná-lo para eventos previsíveis. Por exemplo, você sabe que em determinado mês terá que comprar um presente de aniversário, dia das mães, férias, viagens, etc. É possível pensar nesses eventos previamente e já deixar a respectiva quantia separada. Isso evita, inclusive, que você pague mais do que gostaria quando estiver próximo da data, além de ser uma forma de não esquecer.

Também é indicado estipular um valor limite para esses acontecimentos e tentar não extrapolar. Se você não sabe exatamente quanto irá receber nos meses seguintes, pode determinar essa fatia de acordo com o que tem disponível para isso no momento. De preferência, de uma forma conservadora, ou seja, coloque o mínimo possível para evitar não ter a quantia esperada no futuro.

>> Confira o calendário 2018 para compromissos financeiros

Compre apenas o necessário

Para muitos essa dica pode parecer óbvia, mas é importante ressaltar: gaste realmente com o que você precisa. A gente sabe como é complicado resistir àquela tentação de consumir, até porque recebemos propagandas e estímulos para isso o tempo todo. Mas, quando você foca na conquista dos sonhos, fica mais fácil segurar o dinheiro.

Mudar alguns hábitos pode ajudar nessa tarefa. Evite ir ao supermercado com fome para não levar mais do que gostaria. Avalie bem as promoções antes de comprar só pelo anúncio, já que muitas vezes não sai tão mais barato assim. Procure entrar em um estabelecimento se tiver um motivo real para isso e um valor limite (ex. precisa comprar um presente, um produto para casa, etc.). Se for só para passear e você já estiver com vontade de “se dar um presente’’ essa entrada pode ser mais cara do que você gostaria.  

Pé no chão: viva a sua realidade financeira

De que adianta uma pessoa pagar milhões em um celular novo, se para isso ela entra no rotativo do cartão de crédito por não conseguir pagar a parcela inteira? Nesse caso, leva o aparelho mais tecnológico, mas carrega junto taxas altas e dívidas.

É muito importante ter um estilo de vida de acordo com o que você tem disponível para gastar. Procure frequentar lugares que você pode bancar sem apertar o orçamento e não compre produtos muito caros que não possa pagar à vista ou parcelar sem entrar no vermelho. Pondere sempre se vale a pena contrair uma dívida por causa de uma vontade momentânea que pode ser mal lembrada por meses.

Compare preços e não pague juros elevados

A dica acima tem tudo a ver com essa. Pesquise sempre preços, prazos e principalmente taxas. Fuja dos juros elevados, assim você estará se livrando também das parcelas exorbitantes que acabam com zeram seu saldo mensal. Hoje em dia, você pode fazer isso pela internet mesmo e contar até com aplicativos de desconto de algumas redes de supermercados.

Evite levar um produto logo de primeira. Comparando diferentes estabelecimentos e marcas, você garante que está adquirindo qualidade boa por uma quantia baixa.

Priorize pagamentos à vista

Se você é uma pessoa consumista e já perdeu a mão nos gastos, uma boa ideia é deixar o cartão de crédito de lado na hora de comprar. Quando você parcela em várias vezes corre dois riscos: pagar juros próprios das prestações e as taxas elevadíssimas do rotativo – situação em que se paga o valor mínimo da fatura e o restante é somado na do mês seguinte acrescido de juros. Ou seja, você paga o olho da cara.

Para evitar esses valores exorbitantes, uma saída é pagar em dinheiro vivo ou no cartão de débito. Assim, desembolsa só o que tem disponível no momento e não se compromete a pagar uma quantia que pode ou não ter futuramente. Sem contar que, pagando na hora, muitas lojas oferecem desconto.

 

Planeje sua aposentadoria

Você deve estar perguntando se a aposentadoria entra como uma meta de longo prazo. Dependendo da idade em que você começar a planejar as finanças, sim. Entretanto, ao mesmo tempo, o é ideal que você não olhe para a previdência como uma meta. Afinal, isso irá acontecer mais cedo ou mais tarde. Isso deve fazer parte dos seus investimentos desde cedo.

Amplie seu capital: invista

Quando você pensa em investimento já imagina aqueles milhões de reais na bolsa de valores? Então, pode ficar tranquilo porque hoje em dia é possível aplicar em diversas linhas – e colocar quantias mais baixas do que imagina. Só precisa encontrar uma modalidade que se encaixe no seu perfil de investidor.

É possível começar pelo Tesouro Direto, por exemplo. O valor mínimo é de R$30 e o mais importante é manter o hábito de aplicar.  e, na verdade, o importante é criar o hábito de investir. Não precisa colocar só na poupança.

Continue estudando o assunto

Estudar e se atualizar nunca é demais. Procure se aprofundar nas análises e encontrar canais na internet que te ajudem nessa tarefa. Você pode contar com jornais, revistas e blogs, como a Revista Creditas, para se atualizar sobre economia e finanças. Também existem canais no YouTube bem didáticos e explicativos se você não estiver tão a fim de ler, como o Me Poupe!, Primo Rico e Economirna.

Existem, ainda, alguns cursos indicados para quem quer aprender aos poucos e se aprofundar. Se você quiser começar e tem pelo menos 14 anos, pode optar pelo curso de Finanças Pessoais do SENAI. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) também te ensina a organizar o orçamento familiar. Caso queira entender um pouco mais sobre investimentos, pode procurar pelo curso de finanças pessoais da XP Investimentos.

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Postado por Revista Creditas

Portal de conteúdo especializado em educação financeira.

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