Entenda como o Open Banking vai impactar o mercado financeiro

Publicado em Atualizado em: 26/07/2019

Um novo jeito de se relacionar com seus dados financeiros surge em um momento de intensa disputa pelo consumidor no mercado bancário. Confira entrevista sobre o tema

Open-Banking

A indústria financeira mundial está prestes a passar pela transformação mais significativa da última década. A maneira de administrar suas informações de crédito deve mudar radicalmente com a chegada do Open Banking, modelo já adotado na Inglaterra e União Europeia, que parte da ideia de que os dados dos clientes armazenados na instituição financeira não pertencem à empresa, mas sim, ao consumidor.

O sistema começou em 2013, quando a Competition and Markets Authority (CMA), órgão britânico regulador para concorrência de mercados, deu início a um profundo mapeamento do mercado de bancos de varejo no país. A iniciativa teve o objetivo de identificar e compreender as principais engrenagens competitivas do setor.

Dois anos depois, foi aprovada a Segunda Diretiva de Serviços de Pagamento, de modo que em 2018 todas as instituições financeiras da Europa tiveram que se adaptar ao modelo que dá mais poder ao usuário para administrar seus dados financeiros.

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Open Banking no Brasil

Em linha com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o Banco Central deu início ao processo de implementação do modelo no Brasil em abril de 2019. A expectativa da instituição é aumentar a eficiência e, principalmente, a competitividade no sistema financeiro nacional, abrindo espaço para novas empresas no setor. 

Em nota, o Banco Central informou ao mercado e à população que: com o open banking, clientes bancários poderão, por exemplo, visualizar em um único aplicativo o extrato consolidado de todas as suas contas bancárias e investimentos. Também será possível, nesse aplicativo, fazer uma transferência de recursos ou um pagamento sem a necessidade de acessar diretamente o site ou aplicativo do banco.

Especialistas acreditam que a chegada do modelo no Brasil deve trazer benefícios que vão muito além de escolher novas instituições bancárias. “O consumidor vai acabar se beneficiando muito mais de suas informações com uma diminuição significativa no número de spreads, entre outros benefícios de um sistema mais aberto e sem fricções”, comenta Benjamin Gleason, diretor da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD).  

Como será aplicado no país

O Open Banking chega em um momento em que as companhias de crédito estão concentradas em transformar seus negócios por meio da tecnologia.

De acordo com levantamento da Febraban focado em Tecnologia Bancária de 2018, a contratação de crédito por smartphones cresceu 141% no último ano em comparação com o ano anterior. As operações de investimentos, por sua vez, tiveram um aumento de 42% pelas plataformas mobile. 

“O que se enxerga no Brasil hoje é a possibilidade do Open Banking trazer para as instituições financeiras uma capacidade de prestar serviços de forma simples, ágil, barata e rápida”, explica Marcello Veronese, diretor de tecnologia da Saque e Pague, solução de gestão inteligente para estabelecimentos comerciais.

Leia, na sequência, a entrevista completa onde o executivo comenta as principais projeções do Brasil sobre o novo formato.  

– Em termos práticos, como o Open Banking deve beneficiar a indústria financeira no Brasil? 

É importante entender primeiro que esse é um movimento mundial, quando olhamos mercados principalmente como os da Europa e Estados Unidos. É um processo que busca mudar o eixo de decisão das instituições para as pessoas. Então o usuário passa a ser o definidor/decisor das soluções financeiras.

Os reguladores estão apoiando esse movimento justamente por incentivar a competitividade. Com isso de pano de fundo, hoje o que se percebe é que as empresas precisam estar preparadas para essa relação mais dinâmica e transparente com seu consumidor. 

– Quais são os exemplos práticos da ferramenta na vida do consumidor? 

Na prática, ao invés do cliente abrir o aplicativo de cada banco para ver suas movimentações financeiras, ele poderá fazer isso autorizando o acesso por meio de um registro unificado. Automaticamente, a tecnologia vai ter acesso a instituição para coletar esses dados solicitados.

Com isso, o poder de decisão sobre os negócios e soluções vai ficar, de fato, na mão dos clientes, que poderão escolher a empresa com melhores opções de produto, serviço, disponibilidade. Essa é a essência que o modelo de Open Banking deverá trazer pra nós em um futuro próximo.  

– Qual o papel das instituições financeiras tradicionais para educar o consumidor sobre a chegada desse modelo? 

No caso do Brasil, temos pelo menos três grupos clusters de instituições financeiras. O primeiro são os grandes bancos, o segundo são as fintechs, que começaram a se popularizar por oferecerem soluções disruptivas. O terceiro grupo é composto pelas instituições financeiras tradicionais de pequeno e médio porte.

Nos três casos, é necessário que as instituições primeiro entendam como será o ferramental e façam adesão a esse modelo. Então a consolidação vai depender muito da velocidade que essas empresas aderirem ao formato. Todas as instituições estão trabalhando fortemente para aderir a esse novo padrão e capacitar sua solução aos modelos padronizados, as chamadas APIs.

– Quais são os principais desafios do Brasil nesse caminho para a implementação completa, que está prevista para o ano de 2021?

É fundamental que ocorra uma comunicação clara do regulador, que é o Banco Central, a respeito dessa nova característica. Isso está previsto para o segundo semestre de 2020. Essa mensagem deve trazer os principais benefícios desse “banco aberto”.

O segundo ponto é a tecnologia, onde a tendência é que ocorra uma padronização do modelo de identificação dos clientes de tal forma que você não está apenas no registro em cadastro de um banco, mas sim, em um registro geral. E esse registro geral permite que você decida quais soluções você quer enxergar.

Um exemplo prático: algumas ferramentas de mercado fazem agregação de soluções de banco, uma das mais conhecidas é a MINT. Ela permite visualizar os saldos e transações em diferentes bancos, mas ainda impreciso para algumas transações.

Ou seja, com o novo modelo do Open Banking isso vai ser mandatório.

– As fintechs lideraram esse processo de mais liberdade com seu usuário. Que papel elas devem desempenhar nesse processo? 

Elas serão importantes participantes, mas não devem necessariamente liderar. Serão, na verdade, coautoras, pois os principais players também terão um papel importante nesse processo. Não acredito que uma categoria vá se sobressair, o resultado vai acontecer com a participação dos diversos participantes desse novo modelo.

O que será significativo é a experiência no exterior, na Inglaterra, por exemplo, que já possui uma experiência bastante significativa. As empresas lá já conseguem entregar produtos com muito mais celeridade, ou seja, vamos começar uma nova era onde a quantidade de produtos e serviços será exponencialmente maior do que temos hoje no mercado.  

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Postado por Vinicius Gonçalves

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