O que é taxa Selic e como afeta a sua vida

Sempre presente no noticiário econômico, a taxa Selic é responsável por equilibrar a economia brasileira. Entenda melhor os caminhos que ela percorre e a sua influência nos investimentos e tomadas de crédito.

Você sabia que existe uma taxa de juros utilizada como referência para definir todas as outras taxas da economia? Empréstimos, investimentos, consumo e até a cotação do dólar são afetados. Provavelmente você já ouviu falar dela em notícias ou no seu banco. O nome completo é Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, mas pode chamar de Selic.

A taxa Selic funciona como instrumento para controlar a economia. Com ela é possível equilibrar a inflação, atrair investimento estrangeiro e estimular a indústria, resultando em mais emprego e crescimento econômico. A Selic é tão importante que o governo se reúne a cada 45 dias para avaliar se a taxa deve subir, diminuir ou manter estável. Essas reuniões são realizadas pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).

O comitê é formado por nove integrantes do Banco Central, o presidente em exercício e oito diretores. A decisão do Copom é soberana, não precisa ser aprovada por outros órgãos e tende a ser unânime. O resultado da votação é divulgado em um comunicado oficial e em uma ata.

 

Taxa Selic e Inflação

Mudanças na Selic funcionam como gatilhos que, ao serem puxados, vão impactar toda a cadeia econômica. Por exemplo, quando o governo precisa desacelerar o crescimento da inflação, o Copom tende a elevar a taxa.

Para exemplificar, com a Selic em alta, empresários vão diminuir os investimentos dos seus negócios. Isso vai afetar a produção e a geração de empregos. Consequentemente a renda das famílias e o consumo vão encolher. Dessa forma a inflação tende a cair.

Em contrapartida, com a Selic em baixa, a população passa a consumir mais, pois os preços estão menores. E nesse contexto entra a lei de oferta e demanda, ou seja, quanto mais procura por alguma coisa, menos disponibilidade vai haver, ocasionando o aumento dos preços.

Resumindo, a principal função desse índice pelos governos e suas equipes econômicas é buscar um equilíbrio no país, estimulando ou não a economia.

 

O que acontece quando a taxa Selic cai?

Empréstimos

Os juros dos bancos acompanham o ritmo da Selic. Portanto, em um cenário de queda, os empréstimos ficam mais baratos, ou seja, o crédito fica mais acessível. Isso aumenta o poder de compra, favorece o consumo e estimula a economia.

Ainda assim, os efeitos da redução da taxa Selic não são sentidos imediatamente. Apesar de as instituições utilizarem a taxa para definir os juros, outros fatores são considerados. Por exemplo, inadimplência, instabilidade política, impostos e crescimento de despesas operacionais.

Investimentos em Renda fixa

Alguns investimentos são atualizados pela taxa básica. A poupança, por exemplo, rende 70% da Selic, se esta estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano. Se a taxa for maior, a poupança rende o valor fixo de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (índice de conceito semelhante à Selic e rendimento de aproximadamente 0,15% ao mês). Portanto, o rendimento da poupança é favorecido com a queda da Selic, em relação a outros investimentos.

Também existem títulos do Tesouro Direto que são atrelados à taxa Selic. Quando a taxa básica cai, a rentabilidade desses papéis também diminui. Isso não significa que o investidor perderá dinheiro.

Por fim, existem os títulos privados de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs. Esses papéis pós-fixados pagam porcentagens do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), uma taxa de juros que costuma acompanhar a Selic.

 

Investimentos

O controle da entrada de investimentos externos também é feito com o auxílio da taxa Selic. Investidores que aplicam nos títulos brasileiros vão ganhar mais dinheiro quando os juros estiverem mais altos. Isso implica na entrada de mais dólares no país diminuindo a cotação dessa moeda no Brasil.

Por fim, os investimentos em infraestrutura e nas indústrias nacionais são diretamente afetados pelas mudanças. Com um aumento das taxas, as concessões de crédito para ampliação, compra de equipamentos, dentre outras melhorias, fica mais cara. Sem crescer, as empresas param de gerar empregos e pessoas desempregadas ficam sem renda para consumir.

Como as indústrias não podem vender para quem não tem dinheiro, isso se torna um ciclo vicioso que vai resultar na quebra desses negócios. Por esse motivo, esferas industriais e empresariais apoiam a diminuição da Selic, estimulando os bancos a investirem nos setores produtivos.

 

Como a taxa Selic interfere no meu empréstimo?

Se você está considerando pegar um empréstimo, saiba que a queda da taxa Selic favorece a solicitação, pois às instituições financeiras tendem a reduzir as taxas de juros e o consumidor tem um crédito mais barato. Caso o índice seja elevado, ficará mais caro pedir dinheiro emprestado aos bancos, porque acompanham a variação da taxa.

Mas se você já realizou o seu empréstimo e quer saber se a parcela pode mudar, entenda que essa mudança vai depender de algumas escolhas que foram feitas no momento da solicitação, como taxas pré ou pós-fixadas. As instituições também podem atualizar a parcela com relação à taxa Selic, para que o dinheiro a ser recebido não perca valor perante a inflação, mas nesse caso estará especificado no contrato.

Um empréstimo prefixado feito entre julho de 2015 e dezembro de 2016, tinha uma Selic acima de 13,5% como base. Mesmo com a queda, a taxa vai permanecer a mesma até o término do pagamento. Vale simular um novo empréstimo com taxas mais baixas para ver se compensa trocar o crédito antigo pelo novo.

 

Taxas prefixadas e pós-fixadas: qual escolher em um cenário de queda

Quando você decide realizar um empréstimo, precisa se decidir entre duas taxas: prefixadas ou pós-fixadas. A diferença básica das duas é que a prefixada define, no momento em que se fecha o negócio, qual será a taxa de juros do começo ao final da operação e que, independentemente de qualquer fator externo, vão se manter as mesmas.

Essa a é mais recomendada para pessoas mais conservadores, pois podem se programar, já que o valor da parcela não muda. O cliente consegue, por exemplo, calcular o valor final que irá pagar no seu empréstimo. Contudo, os juros são mais altos para compensar essa vantagem de prefixar os valores.

Já as taxas pós-fixadas variam de acordo com alguns índices, que podem ser entre estes, a taxa Selic. Dependendo da variação da Selic, o consumidor pode passar a pagar mais ou menos do que havia sido previsto no início da operação.

A pós-fixada é mais indicada para clientes que aceitam tomar um pouco mais de risco, a fim de ganhar mais benefícios. Essa incerteza na tomada de risco também é recompensada nos juros que são mais baixos. O cliente consegue estimar o valor final a ser pago, mas é impossível de ser exato.

Resumindo, as taxas prefixadas são interessantes para quem é conservador com o dinheiro, e também crê no aumento da taxa Selic, já que o seu empréstimo manterá o mesmo valor combinado no primeiro momento. Já as taxas pós-fixadas são melhores para quem, além de assumir alguns riscos, confia na queda da Selic para que os juros do seu empréstimo não aumentem ao longo do tempo.

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Postado por Revista Creditas

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