É da Conta Delas promove debate sobre mulheres na tecnologia

Publicado em Atualizado em: 12/04/2019

Último encontro da série de três painéis promovidos pela Creditas discutiu as dificuldades da mulher na área, evasão dos cursos de graduação e iniciativas para inclusão

e da conta delas

O movimento #ÉdaContaDelas, idealizado pela Creditas, realizou no dia 28 de março o terceiro encontro para fortalecer a importância da mulher na economia. Com o painel “Mulheres na Tecnologia”, a ação de empoderamento financeiro feminino completou a série de três debates que aconteceram ao longo do mês de março. Mediado pela editora da Revista Digital Creditas, Paula Bezerra, o último encontro reuniu especialistas de renome na área como Mariel Reyes, empreendedora social e CEO da {reprograma}, Carol Dantas, cientista de dados da ML Serviços Financeiros, Bárbara Barbosa, líder da equipe de ciência de dados da Creditas e Camila Campos, engenheira de software da Creditas.

Dividido em três blocos, o encontro tratou de assuntos como o panorama da área de tecnologia para as mulheres e as dificuldades enfrentadas pelo público feminino no mercado. Além disso, ressaltou a importância de programas de inclusão, bem como o acesso de mulheres na tecnologia pode contribuir para mudar o quadro de desemprego no país. “É uma forma da gente mudar a sociedade que a gente tem, mudar o país, a economia, tudo”, diz Carol Dantas. “É uma conta em que todo mundo sai vencendo”, reforçou a cientista de dados.

O painel sobre mulheres na tecnologia foi transmitido ao vivo pelo Facebook e Instagram da fintech e teve pouco mais de 20.000 visualizações em menos de 24 horas. O link para rever a transmissão está disponível aqui.

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Mulheres na tecnologia: desconstruindo estereótipos

Um dos pontos debatidos na noite foi a baixa adesão de mulheres em cursos de tecnologia e ciência. Essa baixa representatividade feminina na academia reflete no mercado de trabalho: poucas mulheres ocupam as vagas das chamadas “profissões do futuro”. Na contramão desse cenário, Carol Dantas, da ML Serviços Financeiros, que estuda Ciência e Tecnologia e Neurociência da Universidade Federal do ABC (UFABC), contou que cerca de 40% de sua sala é composta por alunas.

A exceção exemplificada por Carol, motivada pelo bom exemplo e alta popularidade da professora de matemática, criou uma certa corrente do bem pelos corredores da UFABC, que engaja cada vez mais a participação de mulheres em cursos de tecnologia. Seguindo essa linha, o corpo docente feminino da universidade, com o apoio de estudantes, como a própria Carol, criou o curso de extensão ‘Programação em Python: Inserindo mulheres na tecnologia’. O objetivo do curso era inserir as mulheres da região do ABC no mundo da tecnologia, além de reforçar a dinâmica de programação entre o público feminino.

“Era pra ser como um Rails Girls ou PyLadies, e acabou sendo um curso de extensão. A gente teve na primeira hora mais de 200 inscrições e a gente tinha 30 vagas. Era para ser um piloto, não achei que ia ter tanta aderência”, disse Carol.

Quem também endossou o discurso acadêmico foi a participante Bárbara Barbosa, líder da equipe de ciência de dados da fintech de empréstimo Creditas e uma das organizadoras das edições do Rails Girls São Paulo (evento de programação voltado às mulheres). Mestre em sistemas de informação com foco em inteligência computacional, a líder da fintech reforçou a importância das mulheres que aspiram carreiras em tecnologia se apoiarem entre elas mesmas para afastar fatores que podem desmotivar durante a caminhada, como o machismo.

“Durante o curso (de graduação) eu vivi coisas tensas, porque apesar de termos professoras maravilhosas, tínhamos muitos professores (homens) e eu ouvi coisas ruins na sala de aula, que te desmotivam mesmo”, relembrou a especialista. “Por isso, você precisa contar com o apoio de outras mulheres, de outras professoras para você continuar seguindo. Às vezes eles falam coisas terríveis ali”, contou Bárbara.

Mercado de trabalho: desafios e iniciativas

Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco) apontam que apenas 30% das universitárias escolhem as chamadas ‘carreiras do futuro’, relacionadas à ciência, tecnologia ou matemática. Outros estudos indicam que, quando se observa o mercado de trabalho em Tecnologia da Informação (TI), elas ocupam 24% das vagas.

Foi com o sentimento de ver esses números crescerem e por meio das próprias experiências profissionais que a peruana Mariel Reyes criou a {reprograma} – cujo foco é capacitar mulheres a serem programadoras/desenvolvedoras de códigos.

A saga em busca desse novo cenário foi iniciado em 2016, quando ela começou a peregrinar por diversas empresas do setor para entender os motivos da falta de mulheres na tecnologia e buscar recursos para montar o primeiro bootcamp (programa de ensino imersivo na área) gratuito.

Desde então, a organização já formou sete turmas de programação, com um total de 179 alunas. A taxa de conclusão dos cursos é de 96%. “Um desafio de startups e fintechs no mundo todo é de achar programadores, e mais ainda, programadores mulheres. Isso me incomodava muito”, afirmou Mariel.

Para participar dos cursos a candidata cis ou trans não precisa ter experiência prévia em programação, mas é necessário ter concluído o ensino médio e ter paixão pela tecnologia para transformar e replicar para todas as outras mulheres. “Queremos realmente reprogramar a mente delas, fazê-las acreditar no potencial delas como mulheres para contribuir para a tecnologia”, disse Mariel.

Embora ações como a {reprograma} tenham ajudado a mudar a realidade do mercado de tecnologia, Camila Campos, engenheira de software da Creditas, enxerga uma evolução lenta até os tempos atuais. Segundo a engenheira, as iniciativas são importantes para ajudar na inclusão feminina no setor, porém, ainda falta estímulo em vagas para pessoas “juniors”, o que dificulta tanto a entrada de mulheres nesse ramo, até a ascensão da carreira delas.

Por isso, Camila avalia que o caminho para acelerar isso é ofertar mais vagas de nível inicial à elas. “O que vejo hoje é que tem bastante coisa para incentivar as mulheres a entrar. As empresas precisam estar abertas a receber essas mulheres mais ‘juniors’. O que sempre defendo é que se há uma vaga para junior, tente colocar uma mulher lá”, analisou Campos.

Soluções para o futuro

O painel sobre mulheres na tecnologia do movimento #ÉdaContaDelas encerrou com considerações sobre como evitar a evasão de mulheres da área, seja por dificuldades na graduação ou no mercado. Alguns estudos mostram que o nível de desistência em ciência da computação, por exemplo, chega a quase 50%.

Para Bárbara Barbosa, líder do time de ciência de dados da Creditas, iniciativas como a {reprograma} e eventos voltados exclusivamente ao público feminino – Rails Girls, Women Dev Summit e Women in Data Science SP -, devem continuar existindo para que o incentivo às mulheres na tecnologia se enraíze na sociedade e mais oportunidades sejam criadas no mercado de trabalho para acompanhar a formação.

Já a engenheira Camila afirmou que, para que mudanças efetivas ocorram, é preciso que o mundo corporativo absorva cada vez mais a ideia de que criar espaços para elas dentro da tecnologia é obrigação de cada empresa.

“Primeiro passo é, você, como empresa, saber que existe o problema na sua área de tecnologia que só só tem homens brancos, por exemplo. A partir disso, acho que tem várias ações para mudar esse cenário”, explicou Camila. “Uma coisa bem simples que ajuda a tornar seu time menos homogêneo é mudar o discurso que se aplica para vagas. Na descrição da vaga às vezes está tudo no masculino. Aí você já excluiu metade da população”, acrescentou.

Para rever os três encontros do mês de março é só seguir os links: “Mulheres e Finanças”, “Mulheres e o Mercado de Trabalho” e “Mulheres e Tecnologia”.

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Postado por Thiago Fadini

Repórter da Revista Digital Creditas. Conectado à economia, política, novos negócios e, nas horas vagas, metido a comentarista esportivo.

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