Juros do cheque especial: entenda por que as taxas são altas

Publicado em Atualizado em: 02/05/2019

Praticidade do ‘limite extra’ na conta corrente pode confundir o consumidor e se tornar um risco às finanças em pouco tempo. Saiba como a modalidade funciona, os motivos dos juros serem altos e se vale a pena arriscar

Juros do cheque especial - taxas altas

Recorrido muitas vezes por conta da praticidade, o cheque especial é tido por muitos como “saída” para resolver situações de urgência e/ou emergência. Mas, toda cautela é bem-vinda na hora de escolher esse empréstimo: a modalidade tende a se tornar uma verdadeira vilã do mau endividamento se arrastada para o médio e longo prazo. Não à toa, esse ‘limite extra’ aprovado na conta corrente bancária registrou, nos meses de março e abril, a maior média de taxas de juros ao mês em dois anos, com percentual de 13,51%. No acumulado de um ano, os juros do cheque especial chegam a exorbitantes 357,44%, segundo o Banco Central.

O patamar extremamente alto dessas taxas é explicado por fatores que vão desde a tributação até a compensação de risco devido ao nível de inadimplência dos brasileiros – em 2018, o limite pré-aprovado na conta, juntamente com outras operações bancárias, foi o motivo de mais da metade dos 62,6 milhões de cidadãos que terminaram o ano no vermelho.

Mesmo com as mais altas taxas disponíveis no mercado, a modalidade ainda é uma das opções de crédito mais recorridas pelos brasileiros, juntamente com o rotativo do cartão de crédito – que é o pagamento do mínimo da fatura.

Dados da empresa GuiaBolso mostram que o valor médio gasto por pessoa em 2018 com os juros do cheque especial foi de 106,65 reais e o montante total movimentado com a modalidade de crédito foi de 10,8 bilhões de reais. Os motivos que levam ao uso desse crédito atingem desde o consumidor mais cauteloso até o mais compulsivo.

“Há pessoas que são mais controladas, que têm problemas com o carro ou algum problema de saúde que acabou acarretando um gasto além do esperado”, explica Benjamin Gleason, co-fundador do Guia Bolso. “E tem o perfil que usa de forma contínua, que gasta além da renda recorrentemente e tem déficits todo mês”, completa.

Se o cheque especial é acessível e muito demandado pelos consumidores, então por que as condições são tão nocivas às finanças pessoais e familiares e seu uso não é recomendado?

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Juros do cheque especial: porquê são tão altos

A formação das taxas de juros do cheque especial aplicadas pelas instituições financeiras se dá com base em critérios micro e macroeconômicos. Ou seja: recebe influências desde o comportamento financeiro dos clientes até o do ambiente econômico do país.

O primeiro motivo que torna esse tipo de crédito caro vem da própria natureza da modalidade, que não exige garantias de pagamento ao banco e está à disposição para o uso do cliente a qualquer momento. A instituição estabelece um limite com base nas informações financeiras básicas da pessoa, sem uma análise minuciosa da sua situação, e assume o risco de não receber o dinheiro de volta.

Sobre os fatores macroeconômicos que alavancam o valor dos juros do cheque especial, o professor de finanças do Centro Universitário FEI, Marco Vallim, elenca três principais: a inadimplência do brasileiro, a tributação sobre as operações e a baixa oferta de instituições financeiras que realizam o serviço no país. Outra questão é a concentração bancária e a falta de concorrência, que faz com que a taxa se eleve mais.

“O bom pagador acaba arcando com a inadimplência do outro. Isso porque os bancos e instituições financeiras embutem a inadimplência na taxa”, diz Vallim. “Além disso, tem a tributação que incide sobre a operação de crédito, que também é repassado ao tomador do crédito.”

Quando vale a pena usar o cheque especial?

Embora tenha uma das taxas mais altas do mercado, o cheque especial é aconselhado por especialistas em situações pontuais. Isso porque algumas instituições permitem que o cliente use consiga usar a modalidade com isenção dos juros durante um curto período. Ou seja: isso pode ser usado a favor do cliente.

“Sabemos que em casos emergenciais essa modalidade se faz necessária. Por exemplo, se você está com uma emergência médica, precisa comprar um remédio ou pagar consulta que não pode ser adiada”, afirma Marco Vallim, do Centro Universitário FEI.

Um dado importante a ficar de olho é que, caso você ultrapasse o prazo determinado, as companhias podem cobrar a taxa proporcional aos dias isentos no mês seguinte.

Saindo do mau endividamento: o que fazer

Se você entrou no cheque especial, deixou a dívida rolar por alguns meses e a bola de neve começou a se formar, tenha paciência. A primeira dica para planejar a saída dessa linha é se organizar e fazer contas. Procurar a instituição que forneceu o crédito para que ela realize o cálculo da dívida real que será formada e tentar negociar o pagamento é essencial.

No entanto, caso se dê conta de que a renda e, consequentemente, o bem-estar serão comprometidos para pagar a dívida com juros, será a hora de olhar para opções de empréstimo com mais qualidade, como o empréstimo com garantia, consignado (para funcionários do setor público, privado, aposentados e pensionistas) e linhas de empréstimo pessoal.

Nessas modalidades, os riscos da operação são reduzidos. No caso do empréstimo com garantia, um bem pode ser alienado à instituição financeira que o tem como fator de segurança em caso de inadimplência. Para o crédito consignado, o valor a ser debitado mensalmente para a amortização da dívida vem direto de uma fonte de rendimentos do cliente.

Já no empréstimo pessoal, o cliente terá a chance de negociar prazos e parcelas com taxas pré ou pós fixadas, por meio da análise de perfil realizada pelo banco, financeira ou fintechs.

“Ele (endividado) vai ter que ser pró-ativo e procurar alternativas de mercado. Pessoas que têm ativos de maior valor, como uma casa ou um veículo, podem verificar se faz sentido um empréstimo com a garantia do bem. Ainda tem outras linhas como o empréstimo consignado para servidores e empréstimo pessoal. Estes são atrativos”, aconselha Benjamin Gleason.

Após tomar um empréstimo para cobrir o buraco deixado pelos juros do cheque especial, é preciso mudar alguns hábitos e cultivar finanças pessoais saudáveis, programando gastos e aprendendo a reavaliar a necessidade do consumo. Isso significa criar – e respeitar – um planejamento financeiro de longo prazo.

“É preciso fazer um planejamento financeiro. Grande parte da população não sabe para onde vai a própria grana, não faz um acompanhamento dessa conta. É aí que acaba tendo um impulso de consumo. É a questão da prevenção”, afirma o professor Marco Vallim.

A seguir, confira as taxas médias das modalidades de empréstimo e compare:

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Postado por Thiago Fadini

Repórter da Revista Digital Creditas. Conectado à economia, política, novos negócios e, nas horas vagas, metido a comentarista esportivo.

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