Fraudes online se popularizam e impactam no bolso do consumidor

Publicado em Atualizado em: 12/04/2019

Quase oito milhões de brasileiros foram vítimas de golpes digitais durante um ano. Saiba como se proteger de ações criminosas na internet

Cada vez mais comuns, práticas de fraudes na internet têm intensificado os problemas nas vidas dos consumidores brasileiros. Com a chegada da época de promoções de final de ano, então, os ataques de criminosos ficam ainda mais intensos, principalmente pelo aumento de compras online, que apenas na Black Friday deste ano poderão movimentar 2,43 bilhões de reais. A atenção durante esses períodos deve ser redobrada.

“Quando falamos em ambiente digital, efetivamente, a prevenção é o melhor caminho”, alerta Ruy Coppola Junior, advogado especializado em direito digital e professor da Faculdade de Direito São Bernardo do Campo.

E o conselho não é à toa: um levantamento da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostrou que durante um ano – de setembro de 2017 a setembro de 2018 – 7,8 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes no país.

Segundo a análise, grande parte das ocorrências está ligada à clonagem de cartão de crédito, atingindo 41% das vítimas. A clonagem do cartão pode estar associada a alguns fatores, como página espelhada na internet focada em roubar dados; incluir o cartão de crédito em páginas que não possuem o código de segurança; não cuidar muito bem dos dados e do cartão de crédito, compartilhando com outras pessoas; além, claro, de roubos e furtos.

Outras práticas comuns para fraudadores envolvem o uso indevido do nome da vítima para a contratação de empréstimo; utilização de documentos para abertura de crediário – como em lojas, por exemplo – e  pagamento de boletos falsos.

A pesquisa também indica que algumas das pessoas afetadas por golpes tiveram o cartão de débito clonado, cheques falsificados e, até mesmo, clonagem de placa de veículo. “As pessoas devem se preocupar, principalmente, com os players menores. Devem checar as informações, entenderem onde estão clicando”, explica Coppola Junior.

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Consequências das fraudes

Muitas das vítimas de golpes online relatam o prejuízo financeiro como um grande problema. Porém, as consequências dessas ações criminosas vão além do bolso. A análise feita pelo SPC também ressaltou os impactos que os golpes podem causar para as pessoas. De acordo com o levantamento, tais crimes também expõem o consumidor a certos constrangimentos, principalmente por expor os dados deles.

Entre as principais implicações em decorrência às ações fraudulentas, estão a perda de tempo com processos burocráticos para regularizar a situação; compras indevidas feitas em seu nome; e, até mesmo, a negativação do CPF – que dificulta a realização de compras por meio do crédito.

Como evitar as fraudes?

Certos cuidados devem ser tomados para não ser vítima de crimes na internet. São pequenos cuidados fundamentais para manter uma convivência saudável e sustentável com os benefícios que o ambiente digital e online proporcionam.

O primeiro passo é saber onde está acessando. Atentar-se se os sites estão hospedados em um domínio seguro e confiável, com o https. Depois disso, checar se as informações e se o site/empresa realmente existe. Aquela famosa “googlada.”

Páginas como ReclameAqui, Facebook, Instagram, LinkedIn, e qualquer outra fonte que possa ser recomendada por outras pessoas, são muito importantes nesse processo, pois você pode avaliar a reputação da empresa no mercado. Além disso, conteúdos jornalísticos podem comprovar a veracidade da empresa, assim como órgãos reguladores ou instituições como o Banco Central.

No caso de empresas financeiras, é possível entrar em contato com o BC para avaliar se a companhia existe e opera dentro dos padrões corretos. É possível fazer transações bancárias pela internet, assim como tomar empréstimo online de maneira rápida, fácil e segura – sem riscos de fraudes. Em caso de dúvida da credibilidade da instituição, acesse as informações dela no Banco Central

Em caso de empréstimos, por exemplo, fique atento nos procedimentos. As companhias que concedem o crédito precisam de algumas informações para checar se é viável, ou não, emprestar o montante. Dados como CPF, comprovante de rendimento e informações que confirmem a sua existência/capacidade de pagar o valor no futuro são, em via de regra, solicitados. Desconfie, porém, de qualquer pedido de quitação de taxa antes do empréstimo ser concedido é um alerta para uma possível ação fraudulenta. Fique atento.

A Fundação Procon-SP também é uma ótima fonte de consulta, caso esteja em dúvida de onde for comprar. Por meio deste link, é possível ver quais sites devem ser evitados. Fique atento e consulte antes de escolher.

Medidas de segurança para o próprio computador/notebook, como antivírus, e para o cartão de crédito também devem ser tomadas. Muitos bancos e fintechs dão a possibilidade do cliente usar um cartão virtual. Isso dificulta a vida do fraudador.

Cuidado com links em redes sociais, correntes promocionais e aquelas mensagens com desconto. Muitas vezes, eles vão te levar para um local virtual desprotegido para roubar as suas informações. Leia atentamente os termos de compromisso e saiba quais dados você está fornecendo para determinada página/empresa.

“Muito cuidado com o que clica. Pergunte-se sempre qual a finalidade do link, de onde vem e para onde vai”, diz Coppola Junior.  “Dependendo da ação, forneça o menor número de dados, principalmente se não tiver confiança, por mais tentador que possa ser.”

Fui vítima de um golpe. O que posso fazer?

Se mesmo tomando os cuidados listados acima não for possível escapar das fraudes, é preciso tomar certos cuidados, principalmente para restituir o dano – caso haja prejuízo financeiro.

Segundo o especialista, o primeiro passo  é registrar um boletim de ocorrência. Se a fraude for bancária/financeira, entre em contato com a instituição informando a fraude. Caso o fraudador seja identificado, é possível tomar as medidas legais contra ele.

Por: Igor Nucitelli
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Postado por Paula Bezerra

Editora da Revista Digital Creditas, jornalista de coração e alma. Escreve sobre finanças, inovação, economia, cultura e o que mais der na telha.

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