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Fintechs se fortalecem e atraem mais investimentos

Crescimento do segmento diversifica mercado, melhora concorrência e promove impactos sociais, por meio da inclusão financeira

Fintechs

O ano de 2018 trouxe notícias positivas e de grande relevância para as fintechs brasileiras (empresas que oferecem serviços financeiros por meios tecnológicos). A mais recente veio no final de outubro, quando o governo federal aprovou a participação estrangeira em até 100% no capital social das instituições autorizadas pelo Banco Central a operarem no sistema financeiro nacional. Sem entraves à participação internacional no segmento, as empresas esperam, agora, mais engajamento e aportes de fundos – principalmente venture capital, que são focados a adquirir fatias de startups e fintechs.

A medida concedida pelo governo tem como objetivo melhorar os serviços do setor e aumentar a concorrência no sistema financeiro. “O mercado de investidores institucionais de capital nacional ainda é muito pequeno frente a fundos globais que já têm capital para alocar em fintechs e startups”, diz Fábio Neufeld, líder da vertical de crédito da ABFintechs e CEO da Kavod Lending. “Com acesso a este capital, mais projetos de fintechs sairão do papel e os bons projetos continuarão a ter acesso a capital para crescer”, explica.

A outra boa notícia para o setor ocorreu em abril deste ano, quando o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o regulamento que permite a atividade de fintechs de crédito, fazendo com que elas possam atuar sem vínculo com instituições financeiras. “As autorizações do Banco Central vieram em linha com um pedido do mercado de fintechs que também são startups e estão, em sua maioria, ainda em fase de demanda de grandes investimentos.”

Toda essa movimentação tem um porquê: tais empresas mudaram a relação do mercado financeiro. Não apenas na interação com os clientes, mas em termos de fazer negócio, pensar em soluções inovadoras, mais abrangente e inclusiva. Isso ocorre, pois fintechs são pautadas em atender necessidades específicas do seu público alvo, seja ele qual for – empresas, instituições financeiras e a população em geral.

Um cenário de oportunidades

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De acordo com o estudo “Pesquisa Fintech Deep Dive 2018”, da PwC em parceria com a AbFintechs, o mercado brasileiro está favorável para as fintechs. Principalmente pelas atuais condições do setor financeiro nacional, que possui forte concentração, spread bancário elevado e constante aumento das tarifas de serviços. “Não apenas em 2019, mas pelos próximos cinco ou 10 anos, teremos cada vez mais fintechs – e as já existentes serão cada vez maiores”, diz Neufeld. Não à toa, 95% das 224 companhias que responderam a pesquisa indicaram que a receita crescerá em 2018.

A expansão dessas empresas tem um motivo: até o momento, as fintechs já conseguiram mudar a experiência do usuário com o sistema financeiro, especialmente por suas inovações tecnológicas e criativas de falar com o consumidor; alteraram as expectativas do cliente, assim como aceleraram o ritmo de inovação do mercado financeiro. Um exemplo disso é que já é possível fazer praticamente todas as transações bancárias apenas usando o celular.

No Brasil, o grau de especialização das fintechs está tão maduro que, além do país ser referência do setor na América Latina como um todo, o mercado nacional caminha para se tornar um exportador de tecnologia financeira em um futuro não tão distante, unindo-se a ecossistemas já consolidados, como Londres, Nova York e Hong Kong.

“Com a ajuda do Banco Central e com o sucesso de empresas como NuBank, GuiaBolso, Creditas e outros, a população vai aos poucos ganhando confiança e reconhecendo a idoneidade e as vantagens ao consumidor geradas pelas fintechs”, indica o especialista.

Afinal, por que as Fintechs são importantes?

Metade da população mundial não tem acesso a uma conta bancária, segundo uma análise que o  Banco Mundial realiza a cada três anos. O dado é altamente preocupante, já que a inclusão financeira é fundamental para reduzir e erradicar a pobreza, assim como para promover um crescimento econômico inclusivo.

A fim de sanar o problema, a meta do Banco Mundial é incluir, até 2020, um bilhão de pessoas no sistema financeiro. E a inclusão será feita por meio de serviços oferecidos pelos celulares e meio digitais – ou seja, fintechs. 

Na análise intitulada por “Global Findex Database”, o Banco Central mostra que, no Quênia, a adoção de um sistema digital de dinheiro permitiu que famílias chefiadas por mulheres aumentassem suas economias em mais de um quinto; fez com que 185.000 mulheres deixassem a agricultura para abrir o próprio negócio, além de ter reduzido a extrema pobre em 22% das famílias chefiadas por mulheres.

No Brasil, a “bancarização” atinge 70% da população adulta, segundo a instituição. Entre os que não têm o acesso, uma fatia de 85% usa os serviços de telefonia celular, o que já é um facilitador para essa inclusão financeira. “As fintechs têm um papel de oferecer serviços financeiros mais baratos e mais aderentes às necessidades atuais dos consumidores”, afirma Fábio Neufeld.

“Por revolucionar o mercado ao modernizar as operações e oferecer às pessoas maior transparência e facilidades para lidar com o dinheiro, as fintechs conseguem entregar um produto final melhor para o público”, conclui.

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Crédito: Igor Nucitelli
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Postado por Paula Bezerra

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