Finanças para casal: por que o planejamento a dois é importante

Publicado em Atualizado em: 12/04/2019

Pesquisa mostra que brasileiros estão aprendendo a discutir com o (a) parceiro (a) o orçamento doméstico. Entenda o que tem mudado e porque os jovens estão à frente nessa jornada

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Planejamento financeiro na vida a dois representa prosperidade no futuro, ou seja: mais chances de alcançar objetivos materiais, realizar sonhos e projetos. Nesse sentido, quando as finanças do casal são discutidas logo no início da caminhada, os riscos de se tomar decisões equivocadas e unilaterais caem consideravelmente. E a quantidade de pessoas que tomam essa atitude vem crescendo no país.

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Banco Central mostra que dos 89% dos brasileiros que falam o quanto ganham por mês ao companheiro, 95% abrem as contas para um planejamento de finanças em casal. Além disso, 60% dos cidadãos contam tudo o que compram ao parceiro e apenas 29% revelam algumas das coisas compradas.

Esse dado, porém, não costumava ser comum no Brasil. Em edições passadas dessa mesma pesquisa, o número de casais que conversavam abertamente sobre os ganhos pessoais era de apenas 30%. Não à toa, a falta de diálogo sobre as finanças do casal era um dos principais motivos de embates domésticos – e, até mesmo, da chamada traição financeira.

“Hoje, eles estão conversando muito mais. Antigamente não tinha muito disso, os casais não colocavam as coisas na mesa para dialogar. Os mais jovens estão tendo um pouco mais de transparência. Isso contribui para o próprio planejamento financeiro”, diz o master coach da SB Coaching, Luiz Mattos.

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Objetivos e transparência: papo entre os jovens

O grande número de casais jovens que seguem o planejamento financeiro traçado reflete uma mudança na cultura sobre o orçamento familiar, onde o debate sobre as finanças têm ganhado espaço com o passar do tempo.

Entre os casados, 42% afirmam ter e respeitar o planejamento financeiro de vida em conjunto pelos próximos cinco anos e a maioria desses casais (80%) é composta por jovens. Por outro lado, 31% dos entrevistados afirmam não ter qualquer tipo de plano, número que é puxado principalmente por membros de uniões mais longevas.

Somando-se a falta de costume em debater o assunto, outro fator que ajuda a explicar uma menor taxa de construção do planejamento financeiro por parte dos mais velhos está justamente no êxito que obtiveram durante o matrimônio ou a união. No entanto, essa mentalidade acaba sendo perigosa para o momento de parar de trabalhar, assunto em relevância no momento devido à proposta de Reforma da Previdência.

“Quando você é mais velho, você sente que não precisa ter um planejamento mais constante porque já está em uma fase mais madura de vida. Já conseguiu casa, viagens, filhos”, afirma Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. “Mas seria bom se fosse no mesmo patamar (de planejamento dos casais jovens), porque as pessoas mais velhas devem se preparar para a aposentadoria”, completa.

Finanças para casal: como iniciar?

Ao decidir pela vida financeira a dois, é indicado que o casal sente à mesa e converse para definir exatamente os objetivos de vida – desde objetivos a longo prazo, como se vão comprar um imóvel, automóvel, quais investimentos farão, até planos como viajar e organizar férias. Isso ajuda a evitar conflitos lá na frente.

Para o especialista Luiz Mattos, o erro em não dar montar um plano material para o relacionamento é muito comum. Ele aconselha que os companheiros criem estratégias para prosperarem, definindo missão e metas individuais e em conjunto, seja no casamento formal ou na união estável.

“Logo no início em que os dois resolverem estar juntos, tem que ter um propósito. Se não houver clareza aonde você quer chegar a curto, médio e longo prazo, a chance de você não dar certo é muito grande. Com propósito, todo o restante fica mais tranquilo”, explica o master coach.

Passado o primeiro momento do planejamento, é necessário que as duas pessoas continuem a pautar a saúde financeira nas conversas do dia a dia. Os dados da pesquisa da CNDL/SPC Brasil com o Banco Central mostram que uma parcela considerável das pessoas (85%) conversam frequentemente em casa sobre as finanças do casal.

Marcela Kawauti ressalta que o bate papo é benéfico tanto para manter o bem estar financeiro do lar, quanto o do relacionamento como um todo. “Se você tem uma conversa habitual no dia a dia, qualquer correção que possa ser feita será pequena, porque ainda está no começo do problema”, diz. “Se a conversa vem quando o problema já está instalado, pode gerar um sacrifício de um dos dois lados, as expectativas vão ser reduzidas e isso gera briga”, justifica a especialista.

Conta conjunta: vale a pena?

Segunda modalidade escolhida pelos casais que iniciam ou que pretendem iniciar uma vida a dois, a conta bancária conjunta tem pontos positivos e negativos que devem ser avaliados pelos companheiros – lembrando que não há necessidade das pessoas estarem unidas no âmbito jurídico para abrir a conta.

A pesquisa feita pela CNDL/SPC Brasil com o Banco Central mostra que apenas um quarto da população adere à conta conjunta para unir todo o rendimento da família. O controle financeiro individual foi o mais mencionado, com 51%. Por fim, em 19% dos casos, cada familiar separa parte dos rendimentos para guardar na conta única da família e faz o que quiser com o restante do seu dinheiro.

Se escolher se engajar na modalidade de conta conjunta, o primeiro passo a ser dado pelo casal é analisar a necessidade e finalidade dela. Vale lembrar de detalhes que poderão ser onerosos aos dois, como por exemplo gastos adicionais com tarifas e menos serviços do que podem ter mantendo as contas separadas.

Confirmada a viabilidade, o passo seguinte é organizar as finanças do casal, colocando na ponta do lápis renda total, gastos obrigatórios, investimentos futuros e possíveis prejuízos que podem colocar em risco a saúde financeira. “Mais importante que a conta conjunta é o cálculo conjunto. A conta é a parte operacional. O cálculo é unir e analisar a vida dos dois como um todo”, afirma Marcela Kawauti, do SPC Brasil

Nessa análise das finanças do casal, é importante que os dois definam os deveres de cada um com relação ao orçamento familiar – quais contas ficarão com cada um, qual a parcela do total da renda dos dois que será destinada a viagens, financiamento da casa, carro, aplicações, entre outros. “Essa parte das finanças tem que ser medida com racionalidade, inclusive, é bom deixar formalizada de alguma forma. Às vezes se combina apenas de conversar e fica algum mal entendido”, pontua Kawauti.

Finalizado o planejamento financeiro e aberta a conta bancária conjunta, o casal deve estabelecer diretrizes para o bom uso. Se quiserem, vale eleger um dos lados em comum acordo como gerenciador principal da conta. O mais importante é sempre deixar a gestão o mais transparente possível, com acesso livre às informações. “Um dos dois pode ter mais facilidade para manejar as categorias dos gastos, como o que gastou com compras no supermercado, quais as despesas domésticas e tal. Mas tudo tem que ser compartilhado”, reforça o master coach Luiz Mattos.

Se regras não forem acordadas para a movimentação da conta conjunta, o sonho de unir as finanças pode se transformar no pesadelo do mau endividamento. “Não adianta ter uma conjunta com meu marido se os salários caem lá e cada um faz o que quiser. Vamos acabar caindo em cheque especial e isso não vai ajudar”, diz a economista Marcela Kawauti.

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Postado por Thiago Fadini

Repórter da Revista Digital Creditas. Conectado à economia, política, novos negócios e, nas horas vagas, metido a comentarista esportivo.

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