Em entrevista, Primo Rico conta como a educação financeira mudou sua vida

Publicado em Atualizado em: 22/05/2019

Em conversa exclusiva, Thiago Nigro, especialista financeiro e fundador do canal de Youtube “O Primo Rico”, fala da importância da educação financeira desde a infância e sobre como o propósito contribui para um progresso saudável

Thiago Nigro - Primo Rico

Ao final de março, o educador financeiro e fundador do canal do YouTube “O Primo Rico”, Thiago Nigro lançou um desafio um tanto quanto provocador aos seus seguidores. Batizado de “Desafio do mil ao milhão”, Nigro promoveu lives gratuitas em sua conta no Instagram ao longo de 21 dias, sempre às 05h00, para disseminar experiências, conceitos e ideias. O objetivo era ajudar seus seguidores a mudarem a mentalidade em relação à educação financeira, investimentos e, principalmente, entenderem a importância de ter um propósito para se alcançar objetivos e, consequentemente, conquistas pessoais.

Para trazer mais contexto aos espectadores, ao longo das transmissões, o Primo Rico contou com convidados para direcionar “os primos” e mostrar a importância desses preceitos para atingir o sucesso – pessoal e financeiro.

Nomes de peso como o Luiza Trajano, presidente do conselho de administração da rede Magazine Luiza; Abilio Diniz, que fora, por anos, sócio do Grupo Pão de Açúcar e, atualmente, é presidente do Conselho de Administração da Península Participações e membro dos Conselhos de Administração do Carrefour Global e do Carrefour Brasil;  Flávio Augusto, dono da Wise Up e do Orlando City e, até mesmo,o DJ Alok e o jornalista Evaristo Costa, foram os convidados das transmissões. Por meio das conversas ao vivo, puderam dividir com os seguidores suas experiências, conselhos e dicas.

O alcance das lives foi tão grande que, em algumas transmissões, o número de participantes ultrapassaria a lotação máxima de locais como o Estádio do Corinthians e o Allianz Parque, do Palmeiras, que comportam 49 000 e 55 000 pessoas, respectivamente. Quando entrevistou Flávio Augusto, por exemplo, Thiago Nigro registrou em sua transmissão uma audiência de 62 000 pessoas.

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O fenômeno do Primo Rico

O sucesso e alto número de seguidores do “Primo Rico” não são à toa. E, também, não aconteceram de repente. Ao longo de sua experiência pessoal e profissional com as finanças e o mercado financeiro, Thiago Nigro viu a importância – e necessidade – de transmitir todo o conhecimento que detém para contribuir com a mudança dos hábitos que inúmeros brasileiros construíram com o dinheiro, assim como transformar a maneira que muitas pessoas encaram seus projetos pessoais e profissionais.

Mais que números, ele acredita que o sucesso – seja ele financeiro ou em termos profissionais e pessoais – está na construção de uma vida composta por propósito, foco e consciência do que está fazendo.

E a visão mais clara sobre esses pontos veio de sua trajetória, construída por meio de erros e acertos. Aos 18 anos, por exemplo, muito antes de ser conhecido pelo projeto do Primo Rico, Thiago Nigro ganhou 5 000 reais de seus pais de presente de aniversário. Embora fosse empático com o mercado financeiro, ele não havia experiência com a bolsa de valores. Porém, não hesitou em investir o montante. E o resultado apareceu em apenas uma semana: ele perdeu todo o valor que ganhara da família.

Quando eu era mais novo eu não tinha o conceito de educação financeira”, conta Nigro. “Ao completar 18 anos, eu comecei a investir [na Bolsa de Valores] achando que fosse ficar rico e acabei ficando pobre”, relata.

Da experiência negativa ao canal do YouTube e ao livro “Do mil ao milhão”

Ao perder tudo que seus pais levaram anos para juntar, Thiago Nigro compreendeu a importância de se educar financeiramente e de entender a fundo o mercado financeiro para, então, poder investir com consciência.

Aos 19 anos, já contava com mais certificações que um gerente private de um banco. Na sequência, tornou-se assessor de investimentos e, posteriormente, abriu seu próprio escritório de assessoria de investimentos – que chegou a ter uma carteira de 5 000 clientes e uma equipe de 55 pessoas.

Mas, ao longo do caminho, a experiência que ele adquiriu no setor e as histórias de seus clientes fizeram com que ele almejasse muito mais que ser milionário – meta, aliás, conquistada aos 26 anos. A trajetória em busca do milhão fez com que ele encontrasse o propósito de passar ensinamentos para que as pessoas não precisassem mais viver atrás do dinheiro.

Mais que isso: o Primo Rico quer disseminar a importância da educação financeira e, por consequência, contribuir para que um maior número de pessoas conquistem a liberdade financeira – sem deixar de lado, claro, de levar uma vida pautada em propósitos.

A fim de reforçar a necessidade da educação financeira, e celebrar o tema, a Revista Digital Creditas entrevistou, com exclusividade, Thiago Nigro – “O Primo Rico.”

Da importância do planejamento financeiro a até como tirar um projeto do papel – e não confundi-lo com ansiedade, tratamos temas fundamentais para ter uma vida financeira saudável e próspera.

Confira, a seguir, trechos da primeira parte da conversa:

Quando e como você se deu conta da importância da educação financeira? Seja para aprender a se organizar e planejar financeiramente, até para ter uma relação “saudável” com o dinheiro?

Na verdade, quando eu era mais novo eu não tinha na minha cabeça o conceito de educação financeira. Não tinha isso “ah, eu preciso estudar sobre isso”. Não era um tópico para mim. Meus pais sempre tiveram muito dinheiro, mas o negócio não é só ganhar dinheiro. Você precisa gastá-lo corretamente também. Porque não adianta nada você ganhar muito se você gastar muito. Isso em todas as escalas. Tem gente que acha que ganhando muito dinheiro terá os problemas resolvidos, mas eles não estarão resolvidos.

Essas pessoas que acham que os problemas estarão resolvidos se ganharem mais, elas vão continuar quebradas e endividadas. Temos muitos casos de jogadores de futebol, artistas e empreendedores nesse sentido. E, no caso dos meus pais, eu passei por isso na infância, porque eles ganhavam muito dinheiro, mas mesmo assim, a gente não pagava a escola, o que implicava na ausência do nome na chamada. Perdemos o apartamento para oficial da justiça. Então, eu não queria passar por isso de novo.

Quando eu fiz 18 anos, eu entendi que eu queria ser rico. Só que eu queria ser rico para não precisar mais passar por aquilo, mas eu não tinha conhecimento sobre isso. Eu não tive noção de educação financeira em casa. E a contextualização da educação financeira é um tópico muito importante. Porque, no final das contas, a maioria das pessoas que trabalham, trabalham para ganhar dinheiro. Mas não aprendemos sobre educação financeira na escola e nem em casa.

Quando eu fiz 18 eu investi para ficar rico, mas fiquei pobre, porque eu não tinha noção de educação financeira, ninguém me ensinou.

Nesse sentido, houve alguma mudança das gerações passadas para agora? Há algum conflito de gerações?

Essa geração que a gente vive agora é muito importante. No meu caso, [a perda do dinheiro e falta de educação financeira] não foi uma culpa dos meus pais, foi uma culpa do contexto. A taxa de juros e a inflação no Brasil eram muito altas. Naquela época, era só investir em qualquer coisa que rendia.

Então, o caso do contexto é porque: primeiro, a taxa era muito alta [tornando qualquer investimento atrativo] e, segundo, ninguém pensava muito em longo prazo, porque as pessoas precisavam comprar as coisas rapidamente, pois, se esperassem, a inflação tornaria os preços mais caros.

Então, essa geração que vivemos é a primeira que passa a se preocupar com o longo prazo, com o futuro. Agora, muitas fichas estão caindo. Essa é a primeira geração que está falando de educação financeira. Isso trará muito choque de cultura, já que tem muita gente mais velha pensando que poupança é o mais seguro e o mais rentável.

Temos milhares de pessoas que não investem na bolsa de valores, tem gente que acha imóvel é sempre um investimento. Tem outras pessoas que avaliam que comprar um carro é melhor que deixar dinheiro investido. Passamos por essa dificuldade de transformar a forma do brasileiro pensar.

Como a educação financeira na infância pode impactar nas gerações futuras?

A educação financeira na infância pode trazer um futuro melhor sempre, mas não apenas pelo fato de você não ter problemas financeiros. É porque quando você tem educação financeira, você abre mão de realizar pequenos sonhos, que não são sonhos de verdades, são impulsos. Como é o caso de você ir ao shopping e comprar um bombom, uma roupa, ou algo que vai te dar um benefício imediato, mas não um prazer duradouro.

Então, você troca esse tipo de consumo por sonhos de verdade, sonhos impactantes e com um valor emocional mais profundo. E, quando você tem educação financeira na infância,  você não precisará se preocupar com o dinheiro no futuro. E o fato de você não precisar se preocupar com o dinheiro te faz poder olhar para outras coisas ao redor. Como, por exemplo, cuidar da sua família, do seu corpo, da sua felicidade, das suas emoções. Cuidar das pessoas ao seu redor. Fazer algo que você ama e não algo que você precisa fazer pelo dinheiro. Tudo isso pelo simples fato de você ter tido educação financeira na infância.

Estudos mostram que a geração Z ainda não tem muita consciência da importância do planejamento financeiramente. O que pode ser feito para engajá-los mais? 

Por que as pessoas ainda questionam isso? [a importância do planejamento financeiro]. Porque nós temos três tipos de ponto de vista: opinião, convicção e crença. As pessoas às vezes têm uma opinião: “eu acho que comprar imóvel vale mais a pena”. “Acho que colocar na poupança vale mais a pena”. Essas pessoas que têm uma opinião são mais fáceis de mudar. É só darmos fatos. “Olha só, a poupança rende isso e o tesouro rende aquilo. Vale a pena investir no tesouro.” Legal, convencemos as pessoas que têm opinião.

Existem pessoas que têm convicções, tornando as ideias mais enraizadas, por exemplo: “eu acho que não existe uma aplicação melhor que a poupança”, ou “eu acho que não existe algo melhor a fazer com o dinheiro que comprar um imóvel.”

Quando as pessoas têm uma convicção, para mudarmos, temos que gerar um questionamento. “Será mesmo que não existe nada que renda mais que a poupança?” Aí a pessoa passa a refletir por esse questionamento e pode mudar a mentalidade.

Mas tem muita gente que tem crença, e a crença é carregada por gerações. É algo que ouvimos desde que nascemos. E uma crença só pode ser mudada se tivermos um alto impacto emocional ou uma repetição por muito tempo. As pessoas que têm crença serão mudadas, mas elas levarão mais tempo que as outras. Elas deverão ouvir o certo por muito tempo até virar a chavinha na cabeça delas.

Por isso que, mesmo com a gente falando e mesmo sendo legal, fazendo sentido para muitas pessoas, ainda não conseguimos impactar a todos, pois não faz sentido para todas ainda. Porque o argumento dessas pessoas [que ainda não aderiram a educação financeira] não é racional, é emocional. E está enraizado no subconsciente delas.

Por essa razão não é tão fácil mudar isso.

Não perca: o segundo trecho da conversa.

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Postado por Paula Bezerra

Editora da Revista Digital Creditas, jornalista de coração e alma. Escreve sobre finanças, inovação, economia, cultura e o que mais der na telha.

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