Thiago Nigro: “quando descobri meu propósito, ganhei mais dinheiro”

Publicado em Atualizado em: 24/05/2019

Na segunda parte da entrevista, o fundador do canal O Primo Rico fala sobre propósito, impacto dos seus conteúdos na curva de aprendizado das pessoas e dá dicas sobre como tirar projetos do papel

Primo Rico

O mercado financeiro brasileiro atingiu um marco histórico neste primeiro semestre. No mês de abril, a B3 – antiga Bovespa – registrou um milhão de investidores pessoas físicas, segundo dados da própria instituição. De acordo com o balanço do mês passado, a B3 contabilizou 1.046.244 cadastros ativos de investidores pessoas físicas. Em março, o número era de 982 000. Apenas de janeiro a abril, a Bolsa brasileira conquistou mais de 232 000 novos participantes. Mais que isso: o Tesouro Direto também bateu um milhão de investidores físicos, com 1.006.547 cadastros ativos. Os resultados foram amplamente comemorados por Thiago Nigro, especialista em finanças e fundador do canal O Primo Rico.

Em sua conta no Instagram, mais que celebrar o recorde, Thiago Nigro ressaltou o mérito do feito a especialistas que atuam no mesmo segmento que ele, tais como Nathalia Arcuri, do canal Me Poupe!; Mirna Borges, do EconoMirna; Gustavo Cerbasi; André Bona, entre outros.

A dedicatória não foi à toa. Responsáveis por fundar e trabalhar com canais voltados à finanças, os especialistas, assim como Thiago Nigro, têm um grande impacto para disseminar informações sobre educação financeira; alertam a população sobre a importância do planejamento financeiro; e demonstram, por meio de dicas e exemplos, como investir no mercado financeiro, para fugir da poupança.

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Como os influenciadores têm mudado a relação da população com o dinheiro

Assim como o mencionado na primeira parte da entrevista com o Thiago Nigro, as gerações Y e Z passaram a ter a oportunidade de pensar a longo prazo, montar um planejamento financeiro e estar mais a par de temas referentes à educação financeira.

Embora o caminho esteja aberto para esse público – e a B3 e o Tesouro Direto tenham batido recorde em abril -, muitos ainda não têm a consciência necessária para conquistar a liberdade financeira, mudar a mentalidade e fazer o dinheiro trabalhar a seu favor.

Prova disso é um estudo elaborado pelo birô de crédito SPC Brasil, em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e com o Sebrae. Divulgado em maio, o levantamento demonstrou que quase metade da população da geração Z, os nascidos entre 1995 e 2010, não realizam o controle das finanças.

Mais que isso, dos 801 ouvidos pela análise, 78% contribui para o sustento da casa, 38% já teve o nome sujo por inadimplência e 75,2% dos entrevistados não se planejam financeiramente para a aposentadoria.

A atuação de Thiago Nigro, com o canal O Primo Rico, assim como dos especialistas mencionados por ele em sua conta no Instagram, são fundamentais não apenas para o marco de inscritos na Bolsa e no Tesouro Direto, mas, também, para a mudança do cenário evidenciado na pesquisa. Isso porque um trecho da análise destaca como esse público mais jovem consome vídeos e conteúdos em redes sociais.

“É imprescindível a utilização de recursos visuais na produção de conteúdos de educação financeira”, destaca a publicação. “Os jovens estão acostumados a consumir essas mídias em seu dia a dia, e já acessam informações no ambiente online sobre como investir, poupar e etc.”

Diante desse longo caminho a ser percorrido, Thiago Nigro destaca sua vontade/e missão de ser uma das pessoas que mais vai tirar brasileiros da poupança.

E, até mesmo, ir além: “quero ser a pessoa que mais transformou vidas, e não a pessoa que tem mais audiência”, diz em entrevista à Revista Digital Creditas.

Confira, a seguir, o segundo trecho da entrevista com Thiago Nigro, O Primo Rico:

Do começo do canal até hoje, como tem sido o impacto nos primos? Houve uma curva de aprendizado? Eles estão mais educados financeiramente?

Muito. Eu tenho o canal há quase quatro anos e temos escritos há quatro anos. Se você for olhar os conteúdos que eu faço hoje e os conteúdos que eu produzia antes, tem um upgrade na profundidade dos conteúdos. Porque eles [os leitores] se tornaram pessoas mais exigentes. Eles foram evoluindo. Eles mesmos me cobram mais conteúdo e mais profundidade.

Então, você vê no mercado que os influencers começaram a se diferenciar. Tem influencer que fala mais da entrada do mercado, tem influencer mais técnico, mais fundo de funil. Se eu não for evoluindo, eu vou perder o engajamento das pessoas que já me seguem, porque eles foram evoluindo, e vou falar só com os novos entrantes. E o meu objetivo é participar dos aprendizados dos primos. Tem primo que saiu das dívidas, tem primo que enriqueceu, tem primo que atingiu a liberdade financeira. Tem de tudo o que você pode imaginar.

No seu site você menciona que deseja se tornar o maior portal de educação financeira…

E a gente está próximo disso. Mas, a minha ambição não é mais exatamente essa. A minha ambição é ser o mais inspirador. O que mais traz pessoas para o mercado. Porque ficar brigando por números, às vezes ele te tira do foco.

Eu estou olhando mais para o impacto e para inspiração das pessoas, mas dentro do mundo de investimentos. Eu quero ser a pessoa que mais tira gente da poupança. Eu quero ser a pessoa que mais trouxe gente para o mercado de ações. Quero ser a pessoa que mais transformou vidas, e não a pessoa que tem mais audiência.

Como a questão do propósito impacta nas pessoas? Isso é mais importante que gerar a riqueza por si só?

Eu acredito que as duas coisas não são diferentes, elas são complementares. Propósito é a palavra do século, mas as pessoas ainda não entendem direito o que é propósito. Elas acreditam que propósito tem que ser algo muito profundo, que mova o mundo e que geralmente está relacionado a ajudar pessoas.

Mas eu acho que o propósito tem que ser simplesmente algo que te mova. Durante um bom tempo da minha vida, meu propósito era ganhar dinheiro. Só isso. E está tudo bem, porque o propósito tem que te mover, ele tem que dar uma justificativa de você fazer as coisas. Mas tem que ser um propósito verdadeiro.

Quando você pega um propósito que não é seu e você não acredita profundamente nisso, o propósito não tem importância pra você. Ele [o propósito] tem que te dar motivo para fazer as coisas, ele tem que te dar motivação. Ele tem que te dar um motivo para a ação. Quando você se abre para ele, você genuinamente tem mais resultado.

Entre alguém sem propósito e alguém com propósito tem uma briga quase que desleal. Uma pessoa que não tem propósito não trabalha com o mesmo empenho e dedicação. Já a pessoa que é pautada pelo propósito faz tudo com paixão, é mais produtiva, trabalha mais tempo, tem mais resultado. E, logo, a pessoa com propósito acaba produzindo mais riqueza. Porque genuinamente ela quer ajudar mais as pessoas ou fazer mais do que ela está buscando. E, quando você agrega mais valor, você agrega mais riqueza.

As lives [do Instagram] demonstraram isso…

Se você for ver as pessoas que eu trago nas lives, todas elas têm propósitos bem definidos. Quando eu descobri o meu propósito, eu comecei a ganhar mais dinheiro. Quando eu tive um propósito mais genuíno de verdade, eu comecei a ganhar mais dinheiro. Hoje, eu quero de verdade que os primos tenham tanta liberdade quanto eu tenho. Tanto liberdade, quanto fazer o que eles querem, na hora que eles querem, sem depender das amarras que a falta de dinheiro gera.

Isso é incrível. E é isso que eu quero para os primos. Quando eu comecei a fazer isso e divulgar isso [os conteúdos], eu acho que não é sobre o que você vende, é sobre o que você defende. Nesse sentido, a gente começou a ter pessoas mais centradas e engajadas, começamos a impactar mais pessoas e a ganhar mais dinheiro. Mas, o propósito não é algo que você fica procurando. É algo que aparece.

Se você pudesse dar um conselho para uma pessoa que tem uma meta, um propósito, mas não sabe tirar isso do papel, ou executar, qual seria? Por onde ela pode começar?

Geralmente essa pessoa está na zona de conforto. A zona de conforto é um ambiente em que você é consciente da sua competência no que você faz. Todos têm a sua zona de conforto, as pessoas sabem que são boas no que fazem, estão acostumadas com isso e têm a sua rotina.

Mas, as pessoas nunca estão contentes com isso. Elas sempre querem chegar na próxima zona de conforto delas. Mas, porque elas não conseguem chegar na próxima zona de conforto? Que é exatamente onde essas pessoas que querem tirar o plano do papel querem chegar.

É porque o processo de sair da zona de conforto “um” para chegar na zona de conforto “dois” exige passar por um processo doloroso, em que você é uma pessoa consciente da sua incompetência. E veja só: como você quer chegar em uma zona de conforto, você precisa desenvolver competências que você ainda não tem. E como você não tem, sempre que você vai aprender algo novo, você é incompetente nisso, porque você está apenas começando. E você será incompetente por um bom tempo, até treinar e virar bom no que faz.

Então, quando você aprende algo novo, você não tem que se entender como alguém ruim, e, sim, como alguém que está evoluindo. E as pessoas dificilmente estão dispostas a pagar esse preço. Tem gente que vai precisar falar em público, mas não quer. Existem pessoas que precisarão vender na rua, e não querem. Há, também, quem tenha que fazer ligações, mas se opõe a isso. Gravar vídeo, e etc. O processo é doloroso, mas você vai ter que passar por isso.

O conselho que eu dou para as pessoas que ficam pensando muito em como tirar o plano do papel é que elas não sejam tão perfeccionistas. É que elas sacrifiquem o perfeccionismo. Porque o perfeccionismo joga contra o seu resultado.

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Postado por Paula Bezerra

Editora da Revista Digital Creditas, jornalista de coração e alma. Escreve sobre finanças, inovação, economia, cultura e o que mais der na telha.

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