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Empréstimos: entenda como funcionam 7 das modalidades mais comuns

As taxas de juros das operações de crédito tiveram a oitava queda consecutiva em 2018. Tire suas dúvidas sobre algumas das modalidades de créditos mais usadas

empréstimos

Manter uma vida financeira saudável no Brasil não é uma tarefa fácil. Embora a taxa de juros média para pessoa física (usadas em empréstimos) tenha registrado a oitava queda no ano, passando de 6,91% ao mês para 6,86% ao mês (121,71% ao ano), segundo dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o número ainda é muito alto. O resultado disso é que muitas pessoas continuam em situação de inadimplência e com os salários e orçamentos corroídos.  

Uma prova disso é a média de inadimplência ao crédito, que continua em patamares elevados. De acordo com dados preliminares do Banco Central referentes ao mês de setembro, a taxa de inadimplência ao crédito do sistema financeiro no Brasil chegou a 3,04%, ou, em termos absolutos, 96,6 bilhões de reais, de um saldo total de 3,168 trilhões de reais – a instituição entende por inadimplência dívidas em atraso há mais de 90 dias.

A falta de conhecimento é um dos principais motivos que fazem as pessoas caírem nas “dívidas ruins.” No Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), a dívida a bancos, operadoras de cartão de crédito, financeiras e leasing atinge 52% dos 62,6 milhões brasileiros com o nome negativado.

Mesmo se levarmos em consideração a perspectiva de queda da taxa de juros, impactadas pela retomada do crescimento econômico, é importante conhecer as modalidades de empréstimos e saber como usá-las da melhor maneira possível, para evitar um mal-endividamento.

“O momento agora é para se tirar uma fotografia das contas que tem a pagar, dos compromissos assumidos e do que é prioridade para a sobrevivência da família”, indica Jusivaldo Almeida, mestre em educação financeira e previdenciária e vice-presidente da Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (Abefin). “Ter um panorada das ações para descobrir que contas poderiam ter sido evitadas, ficar atento para não contrair dívidas ruins.”

Confira, a seguir, algumas das principais modalidades de empréstimos, como elas funcionam e para o que é indicado:

Cheque especial

Segundo dados da Anefac, a taxa média de juros cobrada pelas instituições para o uso do cheque especial da conta corrente de até 30 dias é de 11,76% (279,70% ao ano). Essa modalidade de crédito detém uma das maiores taxas de juros do país. Por isso, é preciso ficar atento quando for recorrer a empréstimos como esse.

O cheque especial é acionado no momento em que o cliente acaba com o saldo na conta corrente. Após isso, automaticamente os juros do cheque especial passam a ser debitados da conta, para que o correntista não deixe de ter “dinheiro na conta.”

Para não ter risco de ficar mal endividado, o uso do cheque especial deve ser uma exceção – caso de extrema necessidade. “O cheque especial só é especial para o banco, não para o consumidor”, diz Almeida. “Caso tenha que usá-lo, limite-se para até 30% da renda bruta. Se for ultrapassar esse valor, busque outras alternativas para refinanciar a dívida.”

O mais indicado, para que o montante não vire uma bola de neve, é não usar o cheque especial por mais de 30 dias. Caso seja inevitável, recorra a um modelo de refinanciamento de dívidas, a fim de unificar o valor em um boleto só, com taxas de juros mais baratas e acessíveis – e que não comprometam a renda.

Cartão de crédito

Não é preciso ser correntista de algum banco para ter acesso a um cartão de crédito. Atualmente, as taxas de juros dessa modalidade estão em 11,70% ao mês e 277,26% ao ano. A primeira recomendação para utilizar o cartão de uma maneira saudável, é focar em compras do dia a dia, mas que possam ser pagas no curto prazo – um período de até seis meses.

É importante lembrar que o limite do cartão de crédito é avaliado de acordo com o perfil de consumo do usuário. Por isso, é fundamental ter um planejamento financeiro e de compras, para que o crédito não comprometa seu orçamento.

“A melhor maneira de aproveitar o cartão de crédito é sempre se comprometendo a pagar as faturas na data certa, para não ser afetado com os juros, que também são muito altos”, afirma Almeida. “Assim como no cheque especial, o conselho para usar o cartão de crédito é o de não comprometer mais de 30% da renda bruta.”

Caso o endividamento ocorra pelo uso inadequado do cartão, o conselho do especialista é a de refinanciar o valor com modalidades de empréstimos que oferecem juros mais baratos.

“Busque refinanciar a dívida em modalidades como empréstimo com garantia, consignado ou, até mesmo, empréstimo pessoal”, diz Jusivaldo Almeida. “O mais importante é reequilibrar as contas antes que vire uma bola de neve maior.”

Empréstimos com garantia

Essa é a  modalidade na qual o cliente oferece um bem à instituição e consegue juros mais baixos, além de prazos maiores para pagar. Empréstimos como esse podem ser vantajosos para refinanciar dívidas com juros altos e/ou realizar sonhos, como casar, viajar, estudar fora, expandir um empreendimento.

As taxas desse crédito e são menores, pois um bem é colocado como garantia no contrato do empréstimo, tornando o risco da operação menor.  A ideia dessa proteção é fazer com que o cliente não deixe de cumprir o compromisso, com o risco de perder o bem atrelado a esse acordo.

As instituições podem aceitar diversos bens como garantia: o imóvel, o veículo, jóias e até mesmo o seu próprio salário. Mas, para isso, é preciso que o bem esteja registrado no nome da pessoa que queira tomar o crédito.

Segundo a fintech Creditas, as taxas médias de juros do empréstimo com garantia em imóvel em outubro são de 1,32% ao mês e 17,04% ao ano. Para auto, os valores são 2,87% e 40,43%, respectivamente. “Essa é a taxa de juros mais barata e que poderia ajudar as pessoas a equilibrarem as contas”, indica Almeida. “Na sequência, há o consignado ou o empréstimo pessoal.”

Empréstimos pessoais

Segundo a Anefac, as taxas de juros em outubro para se tomar crédito pessoal em bancos estão em 3,86% ao mês e 57,54% ao ano. Já em financeiras, os valores variam de 6,90% ao mês e 122,71% ao ano.

Uma das dicas para tomar crédito pessoal é a de conhecer o histórico da instituição que deseja tomar o empréstimo. Para conseguir o crédito, é possível entrar em contato com um banco ou com uma financeira.

Caso a opção do empréstimo seja por meio de um banco, é necessário ser correntista do mesmo. Além disso, a instituição irá liberar o valor do crédito de acordo com a sua renda.

Muitos especialistas recomendam essa modalidade para trocar situações de alto endividamento, ou para realizar alguma emergência cara, como cirurgias, por exemplo.

Empréstimo consignado

Apenas algumas pessoas têm acesso a essa modalidade de empréstimo, sendo elas: aposentado pelo INSS ou pensionista, assalariado com carteira assinada ou funcionário público.

Isso porque o crédito consignado tem como principal fonte a forma de pagamento. O dinheiro é retirado do benefício do INSS ou salário. Assim, mesmo que o devedor não queira pagar a parcela em determinado mês, o processo será automático.

As condições desse empréstimo variam de acordo com os perfis. Além disso, trata-se de uma das linhas de crédito mais atrativas, já que oferecem uma das menores taxas de juros do mercado, assim como possibilita bons prazos de pagamento.

“Quando for tomar um crédito, tenha sempre um propósito por trás dele”, explica Almeida. “No caso do consignado, também o indico para resolver uma dívida maior e mais cara, aquela famosa bola de neve. Mesmo com o nome sujo, o banco irá analisar a possibilidade de liberação do empréstimo ao trabalhador.”

Financiamento

Diferentemente de um empréstimo, os recursos de um financiamento devem ser usados da forma como foram acordados em contrato, como, por exemplo, automóveis e imóveis.

A modalidade é oferecida tanto por bancos, quanto instituições financeiras. Segundo a Anefac, a taxa média de juros de outubro para CDC – bancos de financiamento de automóveis, é de 1,79% ao mês e 23,73% ao ano.

Para Almeida, o momento de tomar um financiamento é, normalmente, permeado de empolgação, já que muitas vezes é para comprar um automóvel ou realizar o sonho de comprar uma casa. Nesse caso, é importante listar tudo o que vem junto com o bem: taxas voltadas para a prefeitura, como escritura, IPVA do veículo, seguro, e etc.

“Minha principal dica é: realize seu sonho de ter o imóvel, o carro, mas não se esqueça dos gastos obrigatórios”, diz o vice-presidente da Abefin. “Separe o dinheiro dos gastos obrigatórios e financie o resto.”  

Refinanciamento

Refinanciamento é a modalidade em que o cliente já contratou uma linha de crédito e precisa trocar por outra. Tal linha de crédito pode ser um financiamento ou um empréstimo comum. Geralmente, a troca ocorre para substituir os juros, tornando a dívida mais barata.

Essa opção de crédito também pode ser vantajosa caso a pessoa tenha feito um empréstimo com taxas prefixadas. Por conta das variações da taxa Selic, é possível que os juros fiquem menores do que o acordado nessa contratação – como é o caso de um empréstimo tomado em 2013 e refinanciada agora, que a Selic está a 6,5%, por exemplo.

Nesse cenário, podem existir taxas prefixadas menores ou mesmo surgir o desejo de trocar por uma taxa pós-fixada, apostando no cenário econômico.

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Postado por Paula Bezerra

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