Para especialista, motivações de uso do empréstimo pessoal precisam estar claras

Publicado em Atualizado em: 12/06/2019

George Sales, professor do Ibmec SP, indica que para evitar prejuízos no orçamento, população deve entender ao certo quando contratar; quais são os riscos e como se organizar

empréstimo pessoal

O empréstimo pessoal já é um velho conhecido na vida dos brasileiros. Concedido por bancos e instituições financeiras às pessoas físicas, ele atrai aqueles que precisam de dinheiro rápido e com pouca burocracia. Isso porque, muitas vezes, os clientes já têm um limite pré-aprovado nas instituições. Se precisam usá-lo, a transação é feita on-line e em poucos minutos o dinheiro já está na conta. Ou seja, você não precisa  comprovar para que precisa do valor e nem oferecer uma garantia de que pagará sua dívida.

Mas por isso mesmo, a modalidade também tem seus pontos de atenção: os juros podem ser mais altos do que o de outros produtos, como o crédito consignado e o de garantia. Por exemplo: segundo um estudo elaborado pelo Banco Central, para o empréstimo pessoal não consignado sem garantia, a taxa de juros anual é de 92,3 pontos percentuais superior àquela cobrada na mesma operação de empréstimo com garantia.

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Empréstimo pessoal: do alívio a bola de neve financeira

Em 2018, uma pesquisa do SPC mostrou que dois em cada dez brasileiros haviam recorrido a algum tipo de empréstimo nos últimos 12 meses. No caso do empréstimo pessoal, a maior parte o faz para pagar dívidas de cartão de crédito ou cheque especial, por exemplo. Reformar a casa, investir num negócio e fazer uma viagem também estão entre os principais motivos. Na média, entre os entrevistados pela organização, cada um tinha 2 empréstimos.

Mas todo cuidado é pouco. Em outro levantamento, o SPC também mostrou que o empréstimo pessoal em banco ou financeira é a conta com maior tempo médio de atraso entre os brasileiros inadimplentes. A modalidade também a terceira no ranking das que mais levam os clientes a ficarem com o nome sujo.

No mês de junho, a Revista Digital Creditas traz uma série de entrevistas com especialistas para entender as principais modalidades de empréstimo do Brasil. Neste conteúdo, conversamos com George Sales, professor do Ibmec SP, sobre o empréstimo pessoal. Os próximos temas serão: cheque especial, empréstimo consignado e empréstimo com garantia.

Confira trechos da entrevista, a seguir:

O empréstimo pessoal é um amigo ou inimigo das finanças pessoais?

Isso depende da necessidade de se fazer o empréstimo pessoal. Muitas vezes em nossas vidas precisamos de um montante extra, acima de nossa renda ou patrimônio, e o empréstimo pessoal é a solução mais rápida e cômoda.

Mas justamente por essa disponibilidade é que pagamos caro pelos juros do empréstimo pessoal. Para o empréstimo pessoal ser amigo das finanças pessoais é preciso que fique bem claro ao tomador quais os motivos e as reais necessidades desse recurso facilitado.

Em que situações é recomendável fazê-lo? E quando não?

Basicamente, o empréstimo pessoal só é recomendável, dentre essas três opções:

Pagar consumo feito no passado: Neste caso, o tomador já realizou um endividamento anterior e, portanto, a opção do ‘não pagamento’ está descartada. Neste caso, é preciso esgotar todas as possibilidades de renegociação da dívida pelo consumo feito, antes da utilização de um empréstimo. Também podemos considerar a rolagem de dívidas nesse grupo.

Para realizar um novo consumo: É preciso verificar a real necessidade. Se for para um caso de saúde, por exemplo, não há muito o que criticar, pois a decisão já está tomada e a urgência se faz necessária. Agora, se for para consumo que não vise algo realmente nobre, é preciso ter muita parcimônia na decisão e ponderar a real necessidade do empréstimo pessoal. Outro exemplo clássico é realizar dívida em nome de outrem (parente ou não). Essa é a pior forma de empréstimo pessoal.

Para realizar um investimento: Neste caso, quando o investimento visa aumentar a renda futura do tomador, essa é a forma mais “nobre” de empréstimo pessoal. Pode ser para realização de um curso, montar um negócio pessoal, realizar uma aplicação financeira, investir em um imóvel, entre outros.

O que levar em conta antes de optar por um empréstimo pessoal em uma instituição?

Em primeiro lugar, deve-se considerar as taxas de juros e as garantias. Deve-se pesquisar muito.

Atualmente, há fintechs que se propõem a fornecer vantagens competitivas em relação às grandes instituições financeiras. Há também formas, que por sua natureza, atribuem menor taxa de juros como é o caso do empréstimo consignado.

Outro ponto muito importante e muitas vezes sonegado é a possibilidade da portabilidade da dívida já constituída, passando de uma instituição para outra que apresente menor taxa de juros.

Quais são os principais riscos?

O principal risco é a omissão do devedor a sua própria condição. Muitas vezes, o problema do endividamento está no comportamento do indivíduo e não na condição financeira. É preciso um grande autoconhecimento de suas condições e conhecimento das modalidades de empréstimos.

Muitas pessoas preferem o endividamento no cartão de crédito porque têm vergonha de negociar diretamente suas dívidas; outras fazem isso no limite do cheque especial. Esses produtos financeiros historicamente são os que possuem maior taxa de juros.

O que fazer se eu não conseguir pagar meu empréstimo pessoal? Como me organizar para não virar uma bola de neve?

Neste caso, é recomendável, o quanto antes, tentar uma renegociação para ajustar as parcelas e taxas de juros vigentes.

Adicionalmente, é preciso limitar os novos gastos e promover o corte do supérfluo.

O empréstimo pessoal está em expansão no país?

Sim. Principalmente agora que as fintechs estão ganhando espaço com modalidades de créditos mais direcionadas.

Não perca: no dia 11 de junho, publicaremos o conteúdo sobre cheque especial.

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Postado por Revista Creditas

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