Empréstimo para reforma da casa? Saiba quando vale a pena investir

Publicado em Atualizado em: 16/04/2019

Tomar crédito longo e mais barato pode ser um bom aliado para negociar descontos na compra de materiais e contratação de serviços. Momento econômico é favorável às mudanças

reforma da casa

Reformar o lar pode ser para muitos sinônimo de estresse por conta de imprevistos estruturais e financeiros que podem surgir ao longo da obra. Se o planejamento não for bem feito, o resultado final pode não agradar e, de quebra, ainda trazer um mau endividamento inesperado. No entanto, o início de 2019 tem apresentado boas perspectivas para quem pensa em se engajar na mudança, com preços mais baixos e reaquecimento gradual da economia do país. E o empréstimo para a reforma da casa tem sido bem cotado para fugir das dívidas mais caras que são geradas pelos financiamentos tradicionais oferecidos pelas lojas.

Um estudo divulgado em março pela fintech FinanZero, que busca e direciona clientes que querem tomar empréstimo a outras instituições, identificou que 27% das 80 000 pessoas que conseguiram o crédito desde a criação da empresa tinham como objetivo reformar a casa. A possibilidade de negociar descontos na hora da compra de materiais e na contratação de serviços, além de ter taxas de juros baixas e prazos mais longos para quitar a dívida, são fatores atrativos.

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Necessidade e planejamento

Os ares favoráveis à reforma da casa devem ser levados como combustível para realizar o desejo de ver o próprio espaço renovado. Porém, dois pontos devem ser observados antes de se estruturar o orçamento. O primeiro é verificar a motivação real da obra – o porquê de se reformar. Em seguida, fazer uma análise detalhada das finanças pessoais e/ou da família, a fim de saber o quanto isso vai comprometer a renda pessoal e/ou familiar. Se a margem de segurança for pequena, o risco da inadimplência pode surgir e é necessário rever a ideia.

“Do ponto de vista financeiro, as contas têm que ser bem feitas. Do ponto de vista de comodidade, você tem que ver o quanto isso vai melhorar no seu conforto, quanto problemas isso vai resolver e se não vale a pena esperar postergá-los”, afirma Ricardo Teixeira.

Definindo as mudanças

Confirmada a necessidade de reforma, chega o momento de planejar o que será alterado, demolido ou construído. É muito importante que se defina absolutamente tudo o que vai ser feito, pois é o planejamento que vai nortear a construção do orçamento, ou seja, tudo o que a pessoa vai gastar durante as obras vai depender dessa etapa.

Por isso, a dica dada pelos especialistas é que, uma vez que se defina os serviços, o planejamento não seja mais alterado. Mudança de planos após o início da reforma pode resultar em um excesso no orçamento – o que resulta em endividamento inesperado.

“O maior inimigo do sucesso de uma reforma são as alterações durante o curso dela. Isso aumenta o custo muito acima do normal”, enfatiza Viana Neto. “Sente, pegue um papel e faça uma lista do que quer fazer. Não fuja do planejamento de jeito nenhum”, completa.

Com o orçamento em mãos, é hora de ir às compras dos materiais e contratar o serviço – e rápido. O especialista Ricardo Teixeira orienta que seja feita uma última checagem de preços dos materiais antes da execução da reforma e o pontapé inicial seja dado o quanto antes. A celeridade evita efeitos negativos causados por possíveis alterações nos valores – o que distorce o custo total da obra.

“Na hora de tomar a decisão, pegue todos os preços novamente, faça um comparativo e comece. Se você esperar, pode mudar tudo. Na medida em que a economia aquece, as coisas mudam com uma rapidez enorme”, alerta Teixeira.

Empréstimo para reforma da casa: fazendo as contas

Mesmo com todas as etapas do planejamento concluídas, o sonho da reforma muitas vezes esbarra na hora de definir uma forma de pagar os custos gerados. Ainda que a primeira análise financeira – sobre o comprometimento da renda – tenha sido positiva nos primeiros passos é muito comum que a pessoa se depare com a incerteza do pagamento.

Isso acontece porque o acúmulo de parcelamentos com diferentes lojas e prestadores de serviço pode gerar dívidas com taxas de juros elevadas na totalidade, culminando em um descontrole financeiro. Além disso, em muitos casos, quando o cliente faz o pagamento das compras à vista, ele consegue um bom desconto nos preços dos produtos. E são nesses casos que o empréstimo para reformar a casa surge como uma boa opção.

Especialistas atentam para que o cliente pesquise e selecione as modalidades de crédito mais baratas – como o empréstimo com garantia, por exemplo – e compare-as matematicamente. O principal aqui é saber qual será o valor a ser pago – o chamado “custo efetivo total da operação.”

O coordenador do MBA da FGV/RJ também aconselha o consumidor a sempre questionar a instituição financeira sobre os juros efetivos que serão cobrados pelo empréstimo, e não se prender simplesmente a taxa anunciada por ela na propaganda. Na dúvida, simule com as instituições de interesse e tire todas as indagações que surgirem.

“Vai tomar um empréstimo para pagar à vista com desconto, tudo bem. Mas você vai tomar quanto de crédito? E pagará quanto (ao final das parcelas)?”, indaga o professor. “O valor final do empréstimo deve ser exatamente o quanto essa compra custar no total, fora os juros”, detalha Ricardo Teixeira.

A hora para a reforma da casa é agora

O momento econômico do país está favorável para tirar o sonho da reforma da casa do papel. É o que indicam especialistas do mercado. Isso porque a leve inflação de 0,19% em março para o setor da construção, identificada pelo Índice Nacional de Custo da Construção–M (INCC-M), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), não é sentida diretamente no bolso do consumidor final. O indicador mostra ainda que há uma recuperação gradual da economia como um todo.

“Esse é um bom momento para você pensar em fazer reforma. Os custos com material ainda não começaram a crescer e os da mão de obra da construção da civil ainda estão convidativos”, analisa Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV/RJ.

Dados da Associação Nacional de Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) reforçam a chegada do bom momento para a reforma da casa. As lojas do setor registraram um aumento de 2% nas vendas no último mês em relação a fevereiro. Segundo a pesquisa, o crescimento estimulou o otimismo dos varejistas. 70% deles acreditam que a venda de produtos deve crescer ainda mais em abril e 19% pretende contratar novos funcionários para atender ao volume dessa demanda.

“Após a eleição, criou-se um ambiente melhor de negócios e as pessoas estão mais motivadas a iniciar projetos que estavam guardados na gaveta”, afirmou o presidente do Conselho Deliberativo da Anamaco, Marcos Gabriel Atchabahian.

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Postado por Thiago Fadini

Repórter da Revista Digital Creditas. Conectado à economia, política, novos negócios e, nas horas vagas, metido a comentarista esportivo.

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