Empréstimo consignado: crédito saudável, mas exige planejamento

Publicado em Atualizado em: 27/06/2019

A modalidade está em crescimento no Brasil e é frequentemente usada para o pagamento de outras dívidas de juros mais altos

empréstimo consignado

Em crescimento no Brasil, a modalidade de empréstimo consignado é aquela em que as parcelas são descontadas mensalmente na folha de pagamento — ou seja, do seu salário se você for assalariado —, ou deduzidas do benefício do INSS no caso de aposentados e pensionistas. Como essa é uma garantia de que o empréstimo será pago, os juros são menores do que em outras modalidades de crédito, como o empréstimo pessoal e o cheque especial.

No ano passado, uma pesquisa do SPC mostrou que 13,8% dos brasileiros tinham feito empréstimos consignados em banco, e 6,5% em financeiras. No mês de abril, o crédito consignado aumentou quase 40% em comparação ao mesmo mês do ano passado, de 15,2 bilhões de reais para 21,2 bilhões de reais, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC).

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Empréstimo consignado: quando usar?

As principais finalidades do crédito são trocar dívidas de outros empréstimos, reformar a casa/apartamento e pagar as contas do dia a dia. É muito comum que instituições financeiras ofereçam a troca de dívidas de outras modalidades pelo empréstimo consignado — dessa maneira, elas têm mais garantia de pagamento, e o cliente se beneficia dos juros menores.

Ainda assim, é preciso planejamento. O empréstimo consignado é, afinal, uma dívida como qualquer outra. Além disso, descontado direto da folha de pagamento, ele pode comprometer até 30% da sua renda mensal. Se organizar, portanto é preciso.

Em junho, a Revista Digital Creditas traz uma série de entrevistas com especialistas para entender as principais modalidades de empréstimo do Brasil. Já falamos sobre empréstimo pessoal e cheque especial, e, hoje, conversamos com Ana Rosa Vilches, diretora pedagógica da DSOP e mestre em educação financeira, sobre o empréstimo consignado. O próximo tema será empréstimo com garantia.

Confira, a seguir, trechos da entrevista:

– O empréstimo consignado é uma boa opção para quem precisa de crédito?

Se a pessoa já está comprometida com outros empréstimos e fará um consignado para pagar dívidas com juros mais altos, essa pode ser uma opção. Porém, é preciso descobrir a raiz do problema, saber a razão de ter de recorrer a empréstimos com frequência.

É preciso refletir antes de contrair qualquer empréstimo e ter a certeza de que conseguirá arcar com o mesmo.  Por outro lado, o consignado também pode ser utilizado para adquirir um bem numa oportunidade única de negócio.

– Em que situações é recomendável fazê-lo? E quando não?

Conforme dito acima, vale a pena quando a pessoa precisa quitar dívidas com maiores juros, já que as taxas do consignado são as menores se comparadas com outras como cheque especial e cartão de crédito.

Por outro lado, quando é preciso recorrer ao consignado para pagar despesas do dia a dia, é preciso fazer uma faxina financeira, pois pode significar que está vivendo dentro de um padrão de vida não condizente com a sua realidade financeira atual.

– O que levar em conta antes de optar por um empréstimo consignado?

Há algumas perguntas a se fazer antes de contratar um consignado. São elas: qual a finalidade do empréstimo? Por quanto tempo esse recurso extra será suficiente? Ele irá resolver a minha situação de forma definitiva ou não? Qual a porcentagem do meu salário ou ganho mensal que está comprometida com dívidas ou empréstimos? Há espaço para mais um? Será que estou vivendo de acordo com o meu padrão de vida ou preciso reavaliar a minha situação financeira?

– Isso pode afetar de alguma maneira a visão que a empresa tem de mim [empresa em que o contratante do empréstimo trabalha]?

Nem sempre o empréstimo é feito para quitar dívidas. Há casos onde existe uma oportunidade única de adquirir um novo carro ou imóvel e o funcionário precisa do dinheiro naquele momento, portanto é um movimento onde ele está utilizando o empréstimo por conta de uma situação específica para realizar algum sonho.

Já quando esse empréstimo é feito para quitar dívidas já existentes, há a possibilidade da empresa relacionar essa necessidade com a falta de organização financeira do funcionário, o que pode acarretar em possíveis pedidos de aumento de salário, perda de foco no trabalho por conta de ligações de cobradores, etc. Tudo isso pode levar a um desconforto entre a empresa e o colaborador.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Axxus em parceira com o Instituto de Economia da Unicamp e a Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) com 2 000 funcionários de cem empresas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Amazonas e Distrito Federal, revelou que 84% dos colaboradores enfrentam dificuldades para lidar com o dinheiro ou sofrem prejuízos. Isso impacta diretamente no rendimento e na produtividade das empresas.

– Quais são os principais riscos?

Há um grande risco de contrair uma dívida que fuja do controle, isso porque o consignado desconta direto em folha de pagamento, o que pode comprometer a renda em até 30% e no caso do cartão de crédito consignado para 35%. Além disso, muitos não levam em consideração o tempo do empréstimo e não analisam se terão condições de se comprometer com uma dívida que pode se arrastar por meses.

Outro risco é que, na maioria das vezes, não é feita uma análise de crédito para que se faça a contratação do empréstimo, o que pode piorar ainda mais a situação de uma pessoa que já esteja endividada.

– E se eu for demitido durante o pagamento?

Caso isso aconteça, a dívida continuará existindo e terá de ser quitada, é claro. Portanto a empresa poderá descontar até 30% do valor na rescisão, desde que esteja previsto em contrato. No caso de troca de emprego, a regra é a mesma, porém existe a possibilidade de fazer uma transferência da dívida para a nova empresa. Quando essa portabilidade é feita, a quantidade de parcelas e valores continuam os mesmos.

– Como me organizar para o empréstimo não virar uma bola de neve?

A organização para que não vire uma bola de neve passa inevitavelmente pela educação financeira. É preciso mudar os hábitos e comportamentos em relação ao dinheiro: realizar um diagnóstico financeiro para saber onde está indo cada centavo dos seus ganhos mensais e assim saber onde é possível fazer ajustes ou cortes.

Além disso, é preciso ter objetivos para fazer essa organização, ou seja, saber o que pretende realizar em curto, médio e longo prazo, pois esse será o verdadeiro combustível para comece a poupar e ter uma reserva financeira. Carimbar o dinheiro é a melhor saída. Outro ponto importante é reunir a família e conversar sobre a situação, saber quais são os propósitos dos

seus familiares e se unir com um propósito em comum, o que pode ser sair das dívidas de forma definitiva.

– A modalidade está em expansão no país?

Sim. No mês de abril o crédito consignado aumentou em 39,3% em comparação ao mesmo mês do ano passado, de 15,2 bilhões de reais para 21,2 bilhões de reais, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC).

Ela é saudável?

Existem muitas situações onde o consignado é benéfico e outras, não. Tudo vai depender da realidade financeira do contratante e do acordo firmado com o banco ou instituição financeira.

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Postado por Revista Creditas

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