Empréstimo consignado: o que você precisa saber antes de solicitar

Publicado em Atualizado em: 22/02/2019

Uma das modalidades com taxas de juros mais acessíveis, o crédito consignado tem crescido no Brasil – especialmente entre os idosos. Entenda como funciona

empréstimo consignado

O cenário econômico deu indícios de melhora em 2018, mas não foi o suficiente para frear a taxa de desemprego. Segundo o IBGE, em dezembro, cerca de 12 milhões de pessoas estavam fora do mercado de trabalho. O alto índice de desemprego corroborou com a queda da renda dessas pessoas e trouxe um novo contexto para as famílias. Agora, entes como os pais aposentados passaram a ser fonte de renda da casa. O reflexo disso foi observado no aumento do pedido de empréstimo consignado para os beneficiários do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

Apenas no primeiro semestre do ano passado, o Banco Central relevou que o volume de dinheiro solicitado nessa modalidade havia subido 4 bilhões de reais, totalizando um montante de 30,2 bilhões de reais, concedidos aos aposentados. Já no acumulado de 10 meses, o valor já havia crescido no patamar de 20%.

“Infelizmente, muitos avós passaram a assumir contas de outras pessoas – como filhos -, seja pelo desemprego ou queda na renda”, diz Karoline Roma Cinti, consultora financeira e fundadora da Mentory, empresa de consultoria financeira. “Essa questão, a falta de planejamento e adequação de renda no momento da aposentadoria, aumentaram o pedido de empréstimo consignado por idosos.”

Empréstimo consignado: o que é e quem pode solicitar?

O empréstimo consignado é uma modalidade de crédito pessoal concedida para trabalhadores (com algum tipo de vínculo empregatício com uma empresa, seja pública ou privada) e beneficiários da previdência social INSS. A grande diferença desse modelo de empréstimo para o crédito pessoal não consignado é a forma de pagamento: no consignado, o banco e/ou instituição que ofereceu o crédito descontará as parcelas do empréstimo diretamente do salário do solicitante.

Por ser vinculada ao salário, as entidades que oferecem o crédito têm o risco do calote reduzido, o que torna as taxas dessa modalidade mais baixas que a do empréstimo pessoal e a do cheque especial. Enquanto em dezembro de 2018 a taxa de juros anual do cheque especial somou 312,60%, o consignado (setor privado) foi cotado em 37,24%, e a do consignado INSS 25,26% (ao ano). Em comparação ao crédito pessoal, a diferença também é grande: a modalidade de não consignado encerrou 2018 com uma taxa acumulada em 107,3% ao ano.

“Como é descontado em folha, o empréstimo consignado é um crédito mais barato e menos burocrático”, explica a especialista. “O que o solicitante deve ficar atento, porém, é que com essa modalidade não há a opção de deixar de pagar: o valor da parcela é descontado direto da folha de pagamento”, completa.

Segundo o Banco Central, não há algum normativo feito pela instituição ou pelo Conselho Monetário Nacional que estipule um valor máximo de comprometimento de renda do assalariado, para que ele quite o empréstimo. Porém, a Lei 13.172, de 2015, estabeleceu que “o limite máximo de amortização em operações de crédito nos proventos e/ou benefícios dos servidores públicos federal, dos trabalhadores regidos pela CLT e dos aposentados do INSS, é de 35%”, aponta o BC em nota oficial em seu site.  

Ainda de acordo com a instituição, 5% é destinada exclusivamente para despesas e saques com cartão de crédito. Já em relação aos limites de descontos e retenções ao servidores públicos, pode ficar a critério dos Estados e municípios em que os servidores trabalham.

Prós e contras: quando o crédito consignado vale a pena?

Para a especialista em planejamento financeiro Karoline Roma Cinti, é preciso avaliar muito bem antes de solicitar um empréstimo consignado, principalmente para que o crédito não vire um problema, em vez de solução. Segundo Karoline, muitas pessoas tomam o empréstimo para apagar algum “incêndio”, como refinanciar dívidas, pagas contas atrasadas e/ou tirar a conta do vermelho. A medida, no entanto, pode ser ainda mais prejudicial.

“A pessoa deve fazer o dever de casa antes de tomar o empréstimo: analisar as contas para entender se o crédito vai solucionar o problema, ou se tornar uma bola de neve”, explica. “Isso porque uma parte do salário ficará comprometida mensalmente para quitar as parcelas. Se a pessoa não se organizar para isso, poderá se enrolar ainda mais”, indica.  

Exemplo disso é que a inadimplência entre idosos  – população de 65 a 84 anos – aumentou consideravelmente no ano passado. Da mesma maneira que os integrantes da terceira idade têm pedido mais empréstimo consignado, análises elaboradas pelo SPC Brasil em parceria com a CNDL evidenciam que a inadimplência na terceira idade é a que mais está crescendo. Em 2018, por exemplo, o aumento no número de idosos com contas em atraso somou 11,35%, quando comparado com 2017.

A falta de planejamento da aposentadoria, somado a dificuldade de organização financeira e a lenta recuperação econômica têm elevado os índices de endividamento entre essas pessoas. Em casos de refinanciamento de dívida, ou de renda mensal curta, recomenda-se buscar linhas de crédito com taxas de juros menores, mas que não corroem o salário – como, por exemplo, empréstimo com garantia. Isso faz com que as parcelas do crédito não comprometam ainda mais a renda e contribua para um fluxo de caixa saudável.

Segundo Karoline, uma maneira de não ficar mal-endividado ao tomar o empréstimo é analisar se ele será usado para agregar, ou seja, aumentar o poder de renda e/ou gerar renda extra, investir em um negócio, e etc. Além disso, a especialista afirma que antes de solicitá-lo, é preciso sempre avaliar o estilo e custo de vida do indivíduo, principalmente para entender se a renda que será destinada para pagar a parcela do consignado não fará falta para contas básicas.  

Por isso, a consultora reforça a importância de estruturar um controle dos gastos, manter um planejamento financeiro a longo prazo e guardar uma reserva para eventuais emergências. Dessa forma, o crédito de má qualidade não será acionado para resolver problemas do curto prazo. 

“O crédito é considerado bom quando ele é destinado a um fim que venha para somar e agregar, com objetivo de construir, melhorar algo e/ou gerar nova fonte de renda”, diz. “Afinal, sem o crédito, muitas pessoas não conseguem construir algo, alcançar objetivos e, até mesmo, realizar sonhos.”

 

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Postado por Paula Bezerra

Editora da Revista Digital Creditas, jornalista de coração e alma. Escreve sobre finanças, inovação, economia, cultura e o que mais der na telha.

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