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Educação financeira na infância forma adultos mais críticos

Estudo da OCDE mostra que o apoio à alfabetização financeira contribui para a evolução da sociedade – e da economia

educação financeira infantil

O dia 10 de novembro de 2018 marcou a vida da publicitária Natália Ferreira. Adepta a programas voluntários, ela destinou a manhã daquele sábado ensolarado para ensinar cerca de 20 adolescentes de 14 a 18 anos noções básicas de educação financeira. A ação, realizada na escola CEI Sinhazinha Meirelles, no Rio Pequeno, zona oeste de São Paulo, faz parte de uma parceria da fintech Creditas com a Organização Não Governamental (ONG) Bem Gasto, que busca instruir as pessoas a administrarem melhor a renda. Natália participou da terceira ação dessa união, iniciada em maio deste ano. “Medidas como essa fazem muita diferença. Os jovens passam a aprender a importância do dinheiro, a saber se planejar”, diz a publicitária. “E quanto mais cedo a pessoa tem essas informações, melhor.”

A publicitária está certa. Um estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) intitulado por Financial Education in Schools mostra que o conhecimento de educação financeira na infância ajuda a formar adultos com noção de gerenciamento de riscos. Eles evitam assumir dívidas incontroláveis, promovem cuidados com a velhice e com a saúde. Além disso, a análise indica que o não controle saudável das finanças pode gerar um impacto duradouro na vida dos indivíduos, nas relações familiares e até mesmo na sociedade.

Exemplo disso foi a crise global de 2008. No relatório, a OCDE afirma que, embora a base de toda a crise tenha sido provocada pelos financiamentos concedidos para a compra de imóveis nos Estados Unidos, a falta de alfabetização financeira foi um dos agravantes: levaram os mal-informados sobre hipoteca a se endividarem da maneira errada.

“Iniciativas que contribuam para que os cidadãos consumam, poupem e invistam de forma consciente e responsável propiciam melhores condições para o desenvolvimento”, diz José Alexandre Vasco, Superintendente de Proteção e Orientação aos Investidores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “O impacto agregado de milhões de decisões individuais é evidente”, afirma.

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Na foto, os voluntários da Creditas na ação em parceria com a ONG Bem Pago // Crédito: Natália Ferreira

 

Educação financeira na infância: faz a diferença  

Atentos a esse cenário e a importância da alfabetização financeira desde a infância, a OCDE recomendou o tema como boa prática no ensino básico (fundamental). A medida foi incentivada pelo órgão em 2005 e pode ser adequada em inúmeros formatos para atender diferentes faixas-etárias.

Alguns países que já adotaram a prática, como os Estados Unidos e o Canadá, por exemplo, notam a diferença. Nos EUA, 27% dos jovens adultos sabem identificar a diversificação de risco com apenas uma simples conta. Enquanto isso, no Canadá, 63% dos jovens adultos ressaltam a importância de se da alfabetização financeira ainda na infância.

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Crédito: Igor Nucitelli

No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define o conteúdo mínimo que os estudantes do ensino médio deverão aprender no país, passará a adotar a temática financeira. Aprovada no dia 04 de dezembro deste ano, a base integrará a educação financeira de uma maneira transversal – em outras disciplinas, como matemática, por exemplo – a fim de fortalecer o ensino.

“Para ter uma vida financeira saudável  é preciso de educação, pois passa pelos hábitos da pessoa, pelos conhecimentos e crenças”, diz Flávio Borges, superintendente de finanças do Serviço de Proteção ao Crédito Brasil (SPC). “Países de primeiro mundo, como na Europa e Estados Unidos, o conceito de educação financeira está incorporado na cultura há muito tempo.”

Ações que fazem a diferença

Enquanto o BNCC não entra em vigor – a base estará 100% implementada no ano letivo de 2022 –  outras frentes no país passaram a fomentar iniciativas para introduzir o assunto a crianças e adolescentes. Além da ONG Bem Gasto e a ação com a fintech Creditas, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também deu um passo nessa direção. 

Em 2007, quando lançou o portal do investidor, o órgão montou uma área voltada para crianças, com atividades destinada a elas e orientações aos pais. “As crianças não apenas podem se tornar adultos mais conscientes em suas decisões de consumo, poupança e investimento, mas não raro tornam-se multiplicadores, levando o tema para a sua família”, relata José Alexandre Vasco, da CVM.

Essa não foi a primeira, nem a última iniciativa da CMV. A mais recente é um projeto experimental para levar educação financeira às crianças ainda durante a pré-escola. Até o momento, uma escola no Rio de Janeiro já se mostrou interessada.

A ideia do programa teria surgido de um modelo já implementado nos Estados Unidos há 40 anos e tem como objetivo desenvolver noções básicas de finanças, comportamentais e de cidadania para crianças a partir de três anos de idade. “O projeto não é propriamente um programa de educação financeira, mas uma contribuição a um esforço de diversas entidades para trabalhar a integridade pública, como recomenda a OCDE”, diz Vasco.

Alfabetização financeira e o desenvolvimento econômico

A relevância que a OCDE dá para a educação financeira na infância não é por acaso. Uma população mais instruída nesse sentido contribui diretamente para o desenvolvimento econômico. Segundo o Superintendente da CVM, iniciativas que orientam os cidadãos a poupar, investir de forma consciente e a consumir sustentavelmente, propiciam melhores condições para o progresso econômico.

Para exemplificar a questão, o especialista apontou a taxa de poupança das famílias, que no Brasil ainda tem muito potencial de mudanças – e crescimento. Uma pesquisa do Banco Mundial deste ano mostra que o brasileiro não tem o hábito de poupar: apenas 11% da população entrevistada (de todas as faixas etárias) guarda dinheiro para a velhice. A instituição ouviu 150 000 pessoas de 114 países, sendo 1 000 delas no Brasil. O resultado colocou o país na 101º posição, atrás de locais menos desenvolvidos economicamente, como mais Filipinas (26%), Bolívia (20%) e Mali (16%).

“Mudar a cultura da sociedade é um trabalho que levará gerações, e estamos apenas no início, mas confio que o trabalho contínuo e consistente nos permitirá superar as dificuldades e transformar o cenário brasileiro”, afirma Vasco.

Quanto mais cedo as pessoas tiverem essa instrução, melhor para a sociedade – e para a economia. E nada melhor que começar na infância. 

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Crédito: Igor Nucitelli
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Postado por Paula Bezerra

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