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O que esperar da economia em 2019?

Revista Creditas ouviu dois especialistas para saber as expectativas de juros, inflação e retomada econômica para o ano que vem

economia em 2019

O Brasil parece, finalmente, ter encontrado o caminho da retomada da economia. Depois de dois anos consecutivos de retração, o Produto Interno Bruto (PIB) voltou a crescer em 2017, registrando 1% de expansão, ou R$ 6,6 trilhões em valores correntes. Para 2018, a estimativa do Banco Central é que o PIB avance 1,4%. Tais resultados vieram como um alento ao cenário em que o País se encontrava e foi estimulado por diversos setores da economia. Entre eles, está a tímida, mas relevante recuperação do consumo das famílias, que resultou no crescimento de 2% do varejo no ano passado e caminha para 4,3% de expansão em 2018, de acordo com previsões da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Embora os bons sinais de retomada da economia já estejam aparecendo, o desemprego continua impactando no nível de endividamento dos brasileiras, bem como o acesso delas ao crédito saudável. Atualmente, 60,7% das famílias possuem dívida, sendo que, quase 10% não tem condições de quitar ou renegociar as dívidas, segundo última pesquisa da CNC.

Diante dessa situação, muitos passaram a se perguntar: o que podemos esperar da economia em 2019? O crescimento econômico finalmente ocorrerá com fôlego? O desemprego continuará em queda? Os juros vão subir? E a inflação?

Para ajudar a responder esses questionamentos, conversamos com Joelson Sampaio, coordenador de economia da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas e Filipe Pires, professor do MBA de Finanças do Ibmec-RJ.

Confira, a seguir, a análise dos especialistas sobre alguns desses tópicos:

– A expectativa para 2019 é de retomada econômica?

Joelson Sampaio, Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas

R: A expectativa para o ano que vem é positiva, principalmente para o PIB – e crescimento econômico. Mas, é importante sempre destacar que, para que esse crescimento seja sustentável, dependerá muito de como vão conduzir o que foi prometido durante a campanha presidencial. E é esse o desafio. Por exemplo, se vão conseguir aprovar algumas das reformas, como a da Previdência, por exemplo. A proposta atual fala muito de quem seria sacrificado, tornando a medida impopular. A reforma atual terá que que mostrar que atingirá todas as áreas trabalhistas. No geral, estamos tendo um sinal de recuperação da economia. Para 2019, teremos essa recuperação e algumas melhorias.

Filipe Pires, professor do MBA de Finanças do Ibmec-RJ

R: Como expectativa, sim. O aquecimento da economia, tendo como referência indicadores atrelados à medidas de confiança, expectativa e tendência de mercado, parece mais próximo da viabilidade, reforçado por alguns dados, como o empresariado demonstra que a confiança vem retornando gradativamente; no mercado monetário, a precificação da incerteza política já está menor. Espera-se, portanto, o aumento do ritmo de captações de crédito por parte de empresas. Além disso, espera-se, como resultado já do início da próxima gestão, maior agilidade nas privatizações e concessões. Porém, tudo isso ainda está atrelado à conclusão de uma agenda mínima de reformas que demandam alta prioridade, entre elas a da Previdência e a Fiscal.

– Em um ambiente de crescimento da economia, a tendência é que as pessoas foquem em quitar as dívidas ou em consumo?

Joelson Sampaio, Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas

R: Acredito que, pela cultura do brasileiro, foco em um momento de crescimento econômico seja consumo. Porém, no geral, os dois acabam sendo beneficiados (consumo e redução de endividamento). Uma coisa acaba impactando na outra. No longo prazo, o governo terá que ir além para ser sustentável. Mais que estimular o movimento do consumo, tem que melhorar o ambiente econômico como um todo.  

Filipe Pires, MBA de Finanças do Ibmec-RJ

R: Endividamento e desemprego são altamente correlacionados, já que sem previsão de fluxo de caixa, o risco de inadimplência se eleva a patamares em que dois cenários serão possíveis: ou não se consegue tomar crédito algum, ou se toma a taxas elevadíssimas, muitas vezes em ambientes não regulados. Diante da expectativa positiva dos mercados, estimo melhorias nas condições da empregabilidade ao longo dos próximos anos. E, com o crescimento da economia, temos a alteração do número de dívidas. Vai haver uma maior busca pela quitação – seja parcial, ou total – da dívida. E as fintechs são fundamentais nesse sentido, porque a análise de crédito é mais flexível, menos burocratizada, as regras são mais flexibilizadas, e isso facilita o escoamento desse crédito, inclusive para pessoas que não foram negativadas, mas estão próximas da negativação.

– Podemos esperar mudanças na política fiscal*? Alta nos juros? Impacto na inflação?

Joelson Sampaio, Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas

R: Levando em consideração do que esperamos da próxima equipe econômica, por eles serem mais conservadores, ou ortodoxos no que diz respeito de  aumento de gastos públicos, veremos um efeito positivo na política fiscal, o que poderá melhorar o déficit fiscal. Nesse sentido, também pode ser que haja um pequeno aumento na Selic – a taxa básica de juros. O aumento não necessariamente ocorrerá para ter um reajuste fiscal, e, sim, porque há espaço para crescer. Também pode ser que tenha um pouco de aumento na inflação, mas nada que seja um alarme – bem dentro do esperado, pelo impulso da demanda.

Filipe Pires, MBA de Finanças do Ibmec-RJ

R: A indicação sobre a manutenção de parte do primeiro escalão da equipe econômica do atual governo, como o presidente do Banco Central, Ilan Goldfjan, pode ser a sinalização da manutenção do viés expansionista da economia por parte do novo Conselho Monetário Nacional (focado no crescimento da economia). Caso isso se comprove, a expectativa é de aumento dos preços para além do limite da meta com o reaquecimento da economia, quando o principal instrumento de controle da inflação (aumento da taxa de juros de curto prazo, ou Selic) provavelmente, será utilizado pelo Banco Central, elevando gradativamente a taxa de juros básica para acomodar os preços em um novo patamar de equilíbrio, mais adequado ao cenário positivo que todos tanto aguardamos para o futuro próximo.

* Por definição do Tesouro Nacional, a política fiscal reflete o conjunto de medidas pelas quais o Governo arrecada receitas e realiza despesas, a fim de cumprir três funções: a estabilização macroeconômica, a redistribuição da renda e a alocação de recursos.

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Postado por Paula Bezerra

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