5 dicas para entender de vez como as taxas de juros funcionam

Publicado em Atualizado em: 26/04/2019

Falta de informação sobre como os percentuais são formados e calculados pode gerar uma escolha nociva às finanças pessoais. Descubra como elas são formuladas e nunca mais fique mal endividado

Elementos que remetem ao cálculo das taxas de juros

A cada quatro brasileiros que fizeram compras no cartão de crédito em fevereiro, um não conseguiu pagar integralmente a fatura e entrou no chamado “rotativo do cartão”. Foi o que mostrou o levantamento do SPC Brasil, em parceria com a CNDL, divulgado em 24 de abril. Segundo a pesquisa, por mais da metade dos brasileiros viverem no limite do orçamento, o uso do rotativo acaba sendo inevitável para 25% das pessoas que usam o cartão de crédito. O que muitos não sabem, porém, é que essa é uma das modalidades de crédito mais prejudiciais à saúde financeira, justamente por deter uma das piores taxas de juros – atingindo 296% ao ano no mês que a pesquisa foi elaborada.

O fácil acesso a essas modalidades e a falta de conhecimento sobre o funcionamento das taxas de juros são as grandes responsáveis por esse alto índice de uso – e de mau endividamento. E, mesmo as pessoas tendo noção de que os juros são altos, elas não hesitam em tomar empréstimo com essas modalidades. Prova disso é que, para quase 40% dos consumidores que responderam à pesquisa do SPC, os juros finais cobrados pelas instituições estiveram mais altos nos últimos três meses. Ainda assim, o cartão continua sendo uma das modalidades mais usadas.

Para o especialista Filipe Pires, professor do MBA em finanças do Ibmec-RJ, a falta de educação financeira por parte do brasileiro é um dos grandes motivos para que esse ciclo vicioso continue. “Não temos no nosso ciclo básico da educação qualquer matéria ligada a finanças”, diz Filipe Pires, professor do MBA em Finanças do Ibmec-RJ. “Se você não aprende na escola ou em casa, provavelmente vai aprender na rua e da maneira mais dolorosa”, completa.

Conhecer o que gera o alto valor do juro cobrado sobre a linha, se há outros custos embutidos a ele e aprender a calcular o custo efetivo total da operação ajudam a prevenir uma má escolha – que pode gerar um mau endividamento no futuro.

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Como as taxas de juros se definem

A formação das taxas de juros que são aplicadas sobre o pagamento das parcelas do empréstimo se dá por meio da natureza da operação, com mais ou menos risco, e da união de critérios microeconômicos e macroeconômicos.

O comportamento financeiro dos consumidores, a inadimplência (micro), taxa básica de juros Selic e tributação sobre as operações financeiras (macro) são alguns fatores que influenciam nessa precificação.

Fora isso, a concentração bancária e a falta de concorrência faz com que as taxas de juros se elevem – cenário que está mudando no Brasil com a ascensão das fintechs e outras empresas que oferecem empréstimo com condições mais flexíveis.

O SPC Brasil acredita que a chegada das fintechs, somada às novas regras de uso do rotativo e do cheque especial aprovadas em 2018 e a nova lei do Cadastro Positivo são medidas que poderão impactar a oferta e as taxas de juros nos próximos meses.

Taxas de juros de empréstimos: como funcionam e como calcular

A primeira coisa a se atentar sobre as taxas que serão cobradas sobre o cliente é com relação ao tipo dos juros regulares que serão aplicados sobre qualquer operação de empréstimo. Em todas elas, o tomador pagará o sistema de juros sobre juros.

Por exemplo, se você paga 10% em cima de 10 000 reais, na segunda parcela o montante será 11 000 reais (10 000 reais da dívida mais 1 000 reais dos juros). Na segunda parcela, os juros serão recalculados em cima de 11 000 reais em vez de 10 000 reais. Ou seja: os juros de uma tomada de empréstimo são aplicados em cima dos juros do mês anterior.

Para entender de fato como funciona o juros do empréstimo que irá tomar, o ideal é que, ao longo da a conversa com o consultor comercial ou gerente da instituição, o cliente pergunte pelo Custo Efetivo da Operação. A partir disso, será possível identificar qual será o valor real pago ao final da quitação, já com a taxa de juros. Isso evita sustos no futuro.

Ferramentas da internet, como calculadoras online, também podem ser úteis nesse sentido. O professor do Ibmec-RJ, Filipe Pires, indica o site ‘fazaconta.com’ como uma opção prática ao consumidor.

Fique atento ao juro de mora

Fora a taxa regular, o cliente precisa estar atento, também, ao juro de mora, que é um percentual sobre o atraso do pagamento de um título de crédito em um determinado período de tempo.

Esses juros podem ser cobrados pelas instituições juntamente a uma multa por atraso de pagamento de um boleto, por exemplo. Os dispositivos são garantidos por lei.

Por isso, se as taxas de juros do empréstimo forem exorbitantes, alguma parcela se atrasar e não houver uma renegociação com a financeira, a situação pode se complicar para o cliente e gerar uma ‘bola de neve’, que tenderá a crescer mês a mês.

Modalidades com taxas de juros altas

Cheque especial

O primeiro motivo que torna o cheque especial o mais caro do mercado vem da sua própria natureza, que não exige garantias de pagamento ao banco e está à disposição para o uso do cliente a qualquer momento.

A instituição que emprestará o dinheiro estabelece um limite com base nas informações financeiras básicas da pessoa, sem uma análise minuciosa da sua situação, e assume o risco de não receber o dinheiro de volta. A fórmula que une praticidade, rapidez e menos burocracia acaba sendo compensada na taxa de juros.

Entre abril e março, a taxa registrada dessa modalidade no acúmulo de um ano foi de 357,44%, segundo o Banco Central.

Rotativo do cartão de crédito

A modalidade é ativada quando o consumidor paga qualquer valor entre o mínimo e o integral da fatura e o restante é financiado para o mês seguinte, acrescido dos juros. Essa taxa que incide sobre o montante que será parcelado pode se unir a dívidas de compras futuras na próxima fatura – o que pode deixar a pessoa mal endividada.

Nesse caso, a taxa é mais alta por conta do risco de reincidência do cliente em não pagar o valor total da fatura do cartão no mês seguinte. Esse risco de perda para a instituição financeira é embutido na operação.

Empréstimo pessoal

Assim como o cheque especial, essa modalidade também dispensa de apresentar garantias. Por isso, as taxas de juros chegam a um patamar que ultrapassa os 120% ao ano.

Mesmo com a alta taxa de juros, o empréstimo pessoal continua sendo uma das modalidades mais buscadas pelos consumidores, justamente pela facilidade e rapidez na aprovação. Além de não pedir garantia, alguns clientes possuem um crédito pré-aprovado com a instituição financeira que vai emprestar o dinheiro – nos moldes do cheque especial.

Fora isso, não há necessidade de justificar a finalidade do crédito, que quando aprovado, cai direto na conta do solicitante.

Modalidades com taxas de juros baixas

Empréstimo com garantia

Uma das modalidades mais saudáveis do mercado, o empréstimo de garantia se torna uma opção atrativa por meio das taxas de juros baixas, prazos mais longos e, consequentemente, parcelas com valores menores.

O fator principal que permite boas condições para a tomada do crédito é uma operação chamada alienação fiduciária. O cliente aliena um imóvel, automóvel ou qualquer outro ativo que se encaixe como garantia à instituição financeira que vai emprestar o dinheiro. Isso viabiliza a queda do risco da não quitação do empréstimo, o que reflete nas taxas.

A posse e propriedade do cliente sobre o bem continuam preservadas. O processo de retomada da garantia é iniciado apenas se o cliente se tornar inadimplente e se esgotarem todas as alternativas de renegociação da dívida.

Rafael Rodrigues, diretor de Novos Negócios do buscador de empréstimos online Bom Pra Crédito, reforça a desmitificação de que a financeira ‘quer tomar’ o carro ou casa de um cliente. “A garantia dá um conforto sobre a questão da inadimplência, que é o que interessa à instituição”, afirma o executivo. “O custo de recuperação de um bem é caro e ela não está interessada em ter nada, apenas um cliente que pague de forma saudável, completa Rodrigues.

Empréstimo consignado

Menos burocrático, o modelo de empréstimo consignado é concedido a trabalhadores que tenham vínculo empregatício com uma empresa – pública ou privada – e beneficiários da Previdência Social.

Nessa linha, a forma de pagamento é o que diminui o risco de inadimplência: a instituição que ofereceu o crédito descontará as parcelas do empréstimo diretamente do salário do solicitante.

Um ponto de atenção nessa modalidade é sobre o planejamento financeiro do cliente, que deve estar sólido e bem definido, já que a parte da renda que estará comprometida sairá diretamente da conta. Ou seja: os gastos mensais devem ser pensados com o valor da parcela já descontado.

Financiamento

O financiamento é uma boa maneira de antecipar a compra de um bem com valor mais robusto, como um imóvel ou um veículo.

Nessa linha, o que se pretende comprar é a própria garantia da operação, já que o bem estará alienado à financeira – o que diminui o risco de inadimplência. No caso de um financiamento de um apartamento ou uma casa, as condições com juros baixos e prazos muito longos para quitação também são fruto de políticas públicas de incentivo à habitação.

E mesmo para aqueles que têm o montante necessário para efetuar a compra do bem à vista, o financiamento pode ser algo rentável. A dica é que o cliente procure por aplicações financeiras com boa projeção de rentabilidade, que podem ajudar a pagar as parcelas e ainda render um dinheiro extra.

Caso queira saber mais detalhes para identificar e escolher uma modalidade de crédito com boas condições e que não te deixe mal endividado, leia o conteúdo sobre como identificar um empréstimo de qualidade.

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Postado por Thiago Fadini

Repórter da Revista Digital Creditas. Conectado à economia, política, novos negócios e, nas horas vagas, metido a comentarista esportivo.

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