Descubra 10 verdades sobre o empréstimo com garantia

Publicado em Atualizado em: 12/04/2019

Passado o “dia da mentira”, saiba como se prevenir contra os mitos que giram em torno da modalidade

empréstimo com garantia

O crédito move a economia e a vida das pessoas. Ele possibilita que os consumidores realizem sonhos, cumpram deveres e avancem em planos e metas – pessoais e/ou profissionais. Por isso, quanto melhor for o acesso e sua disponibilidade, melhor para a sociedade como um todo. E foi o que houve em 2018. Segundo dados do Banco Central, o saldo de empréstimo para pessoas físicas bateu quase 1,8 trilhão de reais, um aumento de quase 9% no ano. De acordo com a entidade, a expansão do crédito foi conduzida, principalmente, por instituições privadas. Para 2019, a perspectiva é ainda mais positiva: estima-se que o empréstimo tenha alta de 6% neste ano. E uma das modalidades em ascensão é o empréstimo com garantia.

A possibilidade de expansão desse crédito tem um porquê: atualmente, o empréstimo com garantia corresponde por menos de 50% do mercado de crédito brasileiro. Nos Estados Unidos, onde a cultura financeira já é mais madura, esse tipo de modalidade supera 90% do mercado – e é uma das mais utilizadas.

Para termos essa modalidade como realmente uma alternativa no Brasil, as pessoas têm que ter mais noção de educação financeira”, diz Paulo Dutra, professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Inúmeras empresas do setor financeiro e o próprio governo estão investindo em disseminar a educação financeira. O caminho é longo, mas já temos um progresso”, reforça o especialista.

Em contrapartida,  o mercado brasileiro detém um volume muito alto de pessoas com perfil e bens para aderir a essa modalidade. Atualmente, estima-se que o país conte com sete trilhões e meio de reais de imóveis urbanos com acesso a esgoto, e com famílias com renda acima de três salários mínimos. Na parte de frota de veículos do país, por exemplo, o valor é de um trilhão e meio de reais.

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Crescimento de mercado

O aumento na solicitação dessa modalidade, no entanto, já pode ser observado no segmento de refinanciamento de veículo – quando você deixa seu carro como garantia para conseguir o empréstimo. A fintech Creditas, uma das líderes de mercado no segmento de crédito com garantia, é prova disso. Nos últimos três anos, a companhia chegou a movimentar cerca de 300 milhões de reais com esse modelo de empréstimo online.  

Mas, se por um lado ainda há muita possibilidade de expansão da modalidade, por outro ainda há muita desinformação sobre como a modalidade funciona. Mais que dúvidas, o empréstimo com garantia carrega consigo as chamadas “fake news” – ou seja, muita notícia falsa.

A fim de desmistificar o crédito com garantia e trazer à tona como a modalidade funciona, a Revista Digital Creditas conversou com Paulo Dutra, Professor de Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Confira, a seguir, 10 verdades sobre o tema:

1- Para conseguir o empréstimo com garantia, devo colocar um bem como garantia

O crédito com garantia é uma modalidade de empréstimo na qual o cliente oferece um bem à instituição para, assim, tomar o crédito. Por oferecer um bem como garantia de pagamento do empréstimo, a transação é considerada de menor risco.

Ele funciona da seguinte forma: a garantia é um bem colocado no contrato do empréstimo. As instituições podem aceitar diversos bens como garantia: o imóvel, o veículo, jóias e até mesmo o seu próprio salário. Esse método permite que sejam oferecidas taxas de juros menores, já que o risco para a instituição financeira é reduzido.

Desse modo, a empresa e/ou fintech que dispõe o crédito pode oferecê-lo por juros mais baixos, além de prazos maiores para pagar.

2- As instituições não pedem pagamento antecipado

Por regra – e recomendação – do Banco Central, órgão regulador do sistema financeiro e política monetária do país, nenhuma empresa que oferece crédito deve pedir pagamento antecipado ao consumidor. Um pedido como esse é ilegal, e pode ser configurado como uma operação fraudulenta.

“A pessoa que vai tomar o crédito tem que ficar muito atenta. Qualquer pedido de pagamento antecipado é ilegal, não deve ser feito”, diz o economista.

A alta preocupação em torno de fraudes entre os consumidores não é à toa. Um levantamento da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostrou que durante um ano – de setembro de 2017 a setembro de 2018 – 7,8 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes no país.

Fique atento. Para solicitar o empréstimo, você deve entrar em contato com a empresa que fornece o crédito. Na sequência, o estabelecimento pedirá alguns dados para realizar a etapa de análise de crédito.

Após todo o trâmite de documentação, análise de crédito e validação dos documentos, há o processo de formalização do pedido. Com o contrato firmado, a próxima etapa é receber o valor do crédito tomado. Só após esses processos que há o pagamento das parcelas do empréstimo.

3- Na garantia de carro, o documento não fica no nome da empresa que oferece o crédito

Esse é um dos pontos que geram mais dúvidas entre os consumidores. Por deixar o bem como garantia, muitas pessoas acreditam que o bem passa para o nome da empresa que dispõe o crédito. Essa informação, porém, não é verdadeira.

Mesmo colocando o bem em garantia, ele permanece no nome da pessoa que o detém. O que acontece nesse processo é que o bem, seja um carro, ou um imóvel, fica alienado à instituição que ofereceu o crédito.

Ou seja: o bem continuará na posse do dono, mas a propriedade (posse indireta), fica com a companhia que cedeu o empréstimo. Ao quitar o crédito, a informação poderá ser retirada do documento.

“Em termos práticos, nem o dono do bem, nem a empresa, podem vendê-lo. A empresa que oferece o crédito utiliza esse recurso apenas para se certificar de que o bem colocado como garantia não será vendido e/ou usado em outro pedido de empréstimo”, reforça o especialista.

4- Se atrasar uma parcela, não vai perder o bem

A falta de educação financeira no país faz com que muitas questões em torno dos empréstimos sejam mal-esclarecidas. No caso do crédito com garantia, uma das principais dúvidas gira em torno da inadimplência: se o bem será tomado, ou não.

Para o economista do Mackenzie, esquecimentos em torno de uma parcela é normal, e as empresas já estão acostumadas com isso. Por isso, o especialista explica que antes de classificar o atraso como calote, a empresa entra em contato com o consumidor, tenta negociar e, assim, entender o que motivou a inadimplência.

“Normalmente, as empresas consideram calote quando o consumidor deixa de pagar um volume de três parcelas”, diz Dutra. “Quando isso ocorre, a companhia notifica o consumidor do débito que não foi quitado e inicia um processo de negociação”, explica.

5- Devo comprovar renda para conseguir o crédito, mesmo sendo empréstimo com garantia

Mesmo sendo uma transação em que um bem é colocado como garantia, é importante que haja a comprovação de renda. Essa  também é uma maneira da empresa se precaver para não tomar um calote durante a operação. “A análise de renda é importante para que as empresas identifiquem a capacidade pagadora dos consumidores”, diz o professor.

Esse processo também ajuda a identificar a relação do cliente com o dinheiro: se ele é organizado financeiramente, tem condições de arcar com o empréstimo, e etc.

Outro ponto importante da análise de crédito, é que a etapa ajuda a elaborar os componentes do empréstimo: o valor principal que será cedido, a taxa de juros e o prazo de pagamento. 

Além disso, é uma maneira de reduzir o acúmulo de um débito que o cliente não pode arcar. De forma geral, o valor da parcela do crédito não pode comprometer mais que 30% da renda do consumidor.

6- Cada pessoa tem uma taxa personalizada

Assim como em outras modalidades, as taxas dos juros podem variar. No caso específico do empréstimo com garantia, os valores são impactados de acordo com fatores como o montante de crédito solicitado, o bem colocado em garantia (valor que ele tem no mercado), tempo que a pessoa se compromete a pagar, entre outros.

Por isso, para saber a taxa exata do crédito, é preciso entrar em contato com a empresa que deseja tomar o montante emprestado.

7- O empréstimo com garantia de imóvel pode demandar mais tempo que o de carro

Embora seja a mesma modalidade, o tempo para conceder o crédito com garantia de imóvel, normalmente, é maior quando comparado com o de automóvel. Isso ocorre, pois os trâmites que envolvem o imóvel podem ser mais complexos que o de um carro.

No empréstimo com garantia de carro, por exemplo, após a análise de crédito ter sido aprovada, as instituições costumam solicitar a documentação e fazer a vistoria do veículo.

Com a vistoria realizada e os documentos aprovados, o contrato pode ser firmado e o empréstimo concedido. Caso o solicitante do crédito tenha toda documentação em dia, o empréstimo pode ser liberado em até 48 horas.

Já no caso do refinanciamento de imóvel, a operação pode ser um pouco maior. Isso porque, depois que ocorre todo a fase de pré-análise jurídica, a companhia que oferta o crédito realiza uma avaliação do imóvel. Nesse período, documentos como a matrícula do imóvel, bem como a capa do IPTU são solicitados.

Após esse processo, há o momento da análise jurídica final, em que outros documentos do imóvel são solicitados. Só depois desse trâmite que o contrato assinado é enviado ao cartório para ser autenticado.

8- Para pegar o empréstimo, o bem colocado como garantia deve ser quitado

Essa afirmação também é verdadeira. Porém, a empresa que oferecerá o crédito com garantia pode quitar o bem para você.

Tal processo é denominado de interveniente quitante, que é um procedimento realizado quando o consumidor quer financiar ou usar como garantia do empréstimo um bem já alienado em outra empresa. Por exemplo: usar um carro que ainda está com o financiamento em aberto para tomar um empréstimo.

Em situações como essa, a companhia que concede o empréstimo quita o valor que ainda está em aberto e desconta parte dele do valor total do empréstimo oferecido.

9- É possível conseguir o empréstimo colocando um avalista

No caso do empréstimo com garantia, o avalista deve ser uma pessoa de primeiro grau – pai, mãe ou cônjuge -, que aceite somar a renda e/ou ser responsável pelo pagamento das parcelas.

Essa opção é aceita pelas empresas que cedem o crédito, pois o avalista é uma espécie de segurança de que a dívida será paga.

“É possível, sim. Afinal, é mais uma certificação de que a pessoa conseguirá arcar com as parcelas do empréstimo”, indica Dutra.

10- O bem só é tomado em caso de calote

Embora tenha taxas mais baratas e um prazo maior para pagar, o bem dado como garantia pode, sim, ser tomado em caso de calote.

Segundo o economista Paulo Dutra, para que a empresa leve o a tomada do bem adiante, há um longo processo pelo caminho. “A execução de um bem em caso de calote não é algo tão imediato e simples assim”, afirma o especialista. “Até porque, não é de interesse da empresa que concede o crédito tomar o bem das pessoas.”

O trâmite de tomada de um bem só começa a ser feito após o atraso de algumas parcelas – em média, são três. Com os débitos em aberto, o primeiro passo é a empresa notificar o consumidor do atraso da parcela e tentar negociar com ele formas de pagamento.  

O bem só é de fato levado para leilão se nenhum acordo for firmado – e as alternativas de pagamento negociadas se esgotam. “Por isso, é importante ter um bom planejamento financeiro. Isso ajuda a checar o potencial de pagamento e, assim, não correr o risco de perder o bem dado como garantia.”

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Postado por Paula Bezerra

Editora da Revista Digital Creditas, jornalista de coração e alma. Escreve sobre finanças, inovação, economia, cultura e o que mais der na telha.

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