Cuidado: compra parcelada no cartão de crédito pode prejudicar orçamento

Publicado em Atualizado em: 07/06/2019

Estudo do GuiaBolso revela que brasileiros que parcelam compras comprometem, no mínimo, metade da renda futura. Entenda porque o hábito pode ser nocivo à saúde financeira

cartão de crédito

Que atire a primeira pedra quem nunca caiu na tentação de parcelar as compras no cartão de crédito. Hábito comum entre os brasileiros, pode se tornar um entrave e, até mesmo, pesadelo para a vida financeira das pessoas. É o que mostra um estudo realizado pela fintech GuiaBolso, que controlam o orçamento por meio do aplicativo.

O levantamento, que avaliou o comportamento de 278.000 usuários durante o mês de março, revelou que 55.600 pessoas – 20% – tinham ao menos uma parcela para pagar. Desse grupo, um terço dos consumidores já estavam com metade da renda futura comprometida por conta das compras parceladas no cartão de crédito.

A pesquisa também estruturou um raio-x dos próximos passos financeiros dos usuários. Nessa etapa, o GuiaBolso evidenciou que a tendência de comprometimento da renda se mantém: dos 55.600, 17% tinham mais de 50 parcelas para arcar. O que pode gerar um efeito de bola de neve nas contas – e, consequentemente, minar a saúde financeira do indivíduo.

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“Muitas pessoas parcelam uma compra no cartão de crédito sem entender [os efeitos]”, diz Thiago Alvarez, CEO e um dos fundadores do GuiaBolso. “Usam o rotativo do cartão sem compreender que há taxa de juros. A baixa educação financeira no Brasil e a falta de organização acabam prejudicando as finanças pessoais”, completa.

Cartão de crédito: tendência de compras parceladas

Hábito dos brasileiros, a compra parcelada no cartão de crédito é muito recorrente para inúmeros usuários. Um levantamento do birô de crédito SPC em conjunto com a CNDL em todas as capitais do país mostra que mais da metade da população adulta possuía alguma compra parcelada no mês de março. O valor de pessoas com parcelas a serem quitadas no cartão de crédito é equivalente a 83 milhões de brasileiros, por exemplo.

O estudo revela ainda que em média os consumidores que possuem essa pendência no cartão de crédito levarão ao menos cinco meses para quitar as prestações.

A maneira de lidar com as compras sem pensar no futuro e na organização financeira, porém, é um dos sinais claros da falta de educação financeira da população. O crédito, quando usado da maneira correta, transforma-se como uma espécie de trampolim financeiro, capaz de ajudar as pessoas a realizarem sonhos, objetivos e a tirar planos do papel.

Quando impensado, torna-se um verdadeiro vilão do mau endividamento, sendo um dos grandes responsáveis pelo alto índice de inadimplência no Brasil, que embora esteja em ritmo de desacelaração, atingiu 62,6 milhões de pessoas no mês de abril.

Na avaliação que José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil, fez no relatório da pesquisa, antes de comprometer parte da renda por vários meses no cartão de crédito, recomenda-se ao consumidor ponderar alguns pontos, como avaliar se realmente precisa do que irá comprar, se terá condições de arcar com a parcela e, por fim, se sua renda não será comprometida por muito tempo se optar por fechar a compra.  

“O crédito permite às pessoas ampliarem seu poder de compra adquirindo produtos que levariam anos para serem comprados à vista. O problema é que se ele for utilizado sem responsabilidade e planejamento, essa dívida pode ser nociva para a vida financeira do consumidor”, disse o especialista, em nota.

Como não comprometer a renda – presente e futura

O planejamento financeiro e estar sempre alinhado com o fluxo de dinheiro que entra e sai da conta é fundamental para manter o equilíbrio das contas – e conquistar o progresso.

Para isso, a Revista Digital Creditas perguntou a Thiago Alvarez, CEO do GuiaBolso, algumas boas práticas para não deixar que as compras parceladas prejudiquem o orçamento financeiro, impacte na renda futuro e, quem sabe, deixe seu nome e CPF negativados no mercado.

1. Não é organizado financeiramente? Evite ao máximo parcelar

A falta de planejamento financeiro é o principal vilão nas compras parceladas. Mais que isso: quanto menor a noção do orçamento doméstico, mais difícil será controlar a fatura do cartão de crédito – seja no mesmo mês, ou no futuro. 

No caso de falta de organização financeira, a principal dica é: fuja da opção de parcelamento. Segundo Alvarez, em termos de finanças, o parcelamento do cartão de crédito sem juros pode ser benéfico, principalmente aos que sabem investir o dinheiro da maneira correta.

O grande problema está na falta de previsibilidade. Em situações como essa, as parcelas futuras podem te colocar em grandes apuros. Principalmente por usar no débito um dinheiro que já foi comprometido no mês seguinte, mas no cartão de crédito. “Nesse sentido, o primeiro hábito recomendado é evitar ao máximo parcelar”, sugere o CEO.

Pense bem antes de efetuar uma compra, avalie as condições e, se possível, pague à vista. Além disso, é sempre bom lembrar a importância de ter uma planilha financeira para controlar os gastos – seja pessoal ou familiar.

Se pacotes em planilhas não for o seu forte, aplicativos, como o próprio GuiaBolso, podem ser grandes aliados.

2. O valor é muito alto e exige parcela? Calcule os juros

Um dos dados levantados pela pesquisa do SPC com a CNDL é que grande parte dos produtos parcelados são eletrônicos; roupas, calçados e acessórios; remédios; alimentação fora de casa; e, por fim, compras de supermercado.

Seguindo a lógica da não organização das finanças pessoais, o indicado pelo CEO do GuiaBolso é parcelar apenas compras que têm um valor bem acima do que é possível pagar. Como, por exemplo, eletrônicos e eletrodomésticos (bens duráveis). 

Se a opção for comprar à prazo, cheque sempre se a prestação conta com juros. Em caso positivo, faça as contas e avalie o quanto os juros vão adicionar no valor final. Isso ajudará no planejamento futuro e a não comprometer a renda no longo prazo.

3. Organize um modelo de controle financeiro

Pode parecer repetitivo, mas ter noção do orçamento é fundamental para não ficar mal endividado e comprometer a renda no futuro.

Não há fórmula mágica. O ponto principal é anotar os gastos fixos, como contas de luz, condomínio de prédio, internet, e etc. Após isso, veja o quanto sobra por mês para investir e gastar com coisas como lazer, compras e o que mais lhe interessa.

Existem inúmeras maneiras de organizar o orçamento doméstico e ter uma planilha de controle de gastos. O importante é começar a colocar a medida em prática e ter sempre em mente como a compra parcelada no cartão pode impactar no seu orçamento.

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Postado por Paula Bezerra

Editora da Revista Digital Creditas, jornalista de coração e alma. Escreve sobre finanças, inovação, economia, cultura e o que mais der na telha.

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