Como sair do vermelho: 7 cortes para você enxugar o orçamento

Publicado em Atualizado em: 12/04/2019

Confira dicas de como reduzir pequenos gastos no dia a dia que impactam diretamente na sua saúde financeira e pode ajudar a aliviar as dívidas no fim do mês

dicas de corte no orçamento

O baixo conhecimento e engajamento em educação financeira é um dos principais motivos do alto índice de mau endividamento dos brasileiros. Não à toa, 62 milhões de pessoas estão com os CPFs negativados, segundo os últimos dados divulgados pelo birô de crédito SPC Brasil, em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Entre os itens que provocam esse alto número de negativados estão a desorganização das finanças, o excessivo gasto com o supérfluo e as altas taxas de juros em modalidades como o cheque especial. Considerando que grande parte dessa inadimplência pode ser resolvida com a disseminação de informação e da noção de educação em finanças, um dos principais desafios para os cidadãos é entender práticas diárias de como sair do vermelho. 

Ir ao supermercado em dias de promoção, definir um limite de gastos quando for se divertir, levar comida para o trabalho e calcular se vale a pena ir a algum lugar com o próprio carro ou por aplicativo de compartilhamento são alguns dos hábitos que podem – e devem – ser adotados para reduzir custos do orçamento diário. Mais que enxugar gastos desnecessários, tais medidas representam uma economia considerável principalmente aos que precisam sair do vermelho.

Para o professor de Economia & Finanças do Ibmec-RJ, Tiago Sayão, para que a as pessoas consigam conquistar o chamado “respiro” financeiro, é necessário manter uma reserva de ao menos 30% do salário – claro, que varia de acordo com a realidade de cada um. A partir disso, ela pode separar uma parte para investimentos a médio e longo prazo.

Em caso de inadimplência, porém, o ideal é usar a quantia economizada para tapar o buraco antes que ele fique maior – e mais difícil de se reestruturar no futuro.

“Se você tiver capacidade de adaptar a sua realidade no sentido de formar uma reserva financeira, invista nisso. Com essa consciência, é possível que, em breve, você consiga colher os frutos dessa educação”, diz o professor de Economia e Finanças do Ibmec-RJ, Tiago Sayão.

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Como sair do vermelho: primeiros passos

Mais que programar cortes diários no orçamento, o cidadão precisa entender exatamente para onde o próprio dinheiro está indo a fim de entender os seus gastos – e ver onde pode enxugar para sair do vermelho.

Especialistas recomendam sempre que cada pessoa crie uma planilha, seja ela digital ou física, onde se possa observar os gastos fixos, variáveis e futuros individuais, mesmo que ela compartilhe as finanças com a família ou com amigos.

No documento, é preciso identificar todos os elementos do chamado fluxo de caixa pessoal, colocando a principal fonte de renda em destaque, já que ela é o pilar principal de um orçamento saudável.

O economista Sayão explica que a tabulação dos gastos evita surpresas desagradáveis no futuro e pode prever o que deve sobrar no último dia útil. “Você vai contabilizando esses valores para ter ideia do que será exatamente a sobra de caixa, que é aquilo que você poderá ir juntando para pagar dívida, poupar”, explica.

Além disso, o especialista destaca a importância de se ter uma maior controle das finanças por parte dos mais jovens, que estão em processo de amadurecimento financeiro. Logo, estão propensos a cometer mais excessos e fechar as contas no vermelho.

“No caso de uma pessoa jovem, que mora sozinha, ela vai ter aluguel, conta de luz, gás, telefone e depois anotar as outras variáveis. Eventualmente vai querer comprar alguma roupa ou de repente ir a algum espetáculo de teatro, cinema. Precisa separar tudo isso”, detalha o professor do Ibmec-RJ.

Saldo azul: como se tornar uma realidade

Em parceria com o professor de Economia e Finanças do Ibmec-RJ, a Revista Digital Creditas listou sete dicas de cortes no orçamento que podem ser aplicadas no dia a dia. Por meio dessas dicas e de um raio-x do seu fluxo de caixa é possível entender, na prática, como sair do vermelho.

1- Escolher um único banco

Não é incomum encontrar instituições financeiras dão benefícios aos seus clientes, como isenções de tarifas e investimentos, programas de fidelização e pontuação, entre outros.

Levando esses serviços em conta, é recomendado que o cliente pesquise qual instituição oferece mais benesses que fazem sentido com o seu momento de vida. Afinal, quanto menos taxas forem cobradas, melhor para o orçamento no final do mês.

Além disso, recomenda-se evitar ter mais de uma conta bancária e a fugir de armadilhas no uso de mais de um cartão de crédito.

“Os bancos oferecem facilidades quando você realiza esse concentração de operações junto a ele. Se eu tenho cartão de crédito, conta salário, cheques, tudo com o mesmo banco, normalmente o pacote de serviços acaba sendo reduzido em termos de tarifa, reduzindo a perda”, justifica Tiago Sayão.

2- Fugir de centros comerciais

O principal ponto para que o corte no orçamento dê certo está em resistir exatamente ao desejo de consumir simplesmente pelo prazer de consumir.

Por isso, o especialista do Ibmec-RJ orienta que os descontrolados fujam de centros comerciais ou espaços que reúnam produtos ou serviços que ele costuma comprar ou contratar, não pode necessidade, mas por impulso.

Depois de um tempo, a necessidade de comprar acaba se apaziguando e dando espaço à maior consciência financeira.

“Pensar se realmente aquilo é necessário. Você chega no lugar e pensa se precisa comprar aquele sapato, por exemplo. Você pode evitar essas situações não indo ao shopping a toa. Isso você vai levando para casa e aplicando”, diz Sayão.

3- Busque promoções nos supermercados

Supermercados, hortifrutis, armazéns e outras lojas destinadas às compras da casa geralmente direcionam promoções de certos tipos de produtos em dias específicos da semana. Aqui, a dica é identificar o calendário desses locais e trazê-lo para a rotina de compras.

Nos dias de promoção de um segmento, o ideal é que se faça uma projeção e pense se vale a pena comprar uma quantidade maior do produto desejado a fim de evitar um gasto mais alto na semana seguinte com o mesmo item, por exemplo.

“Tem que procurar elencar a necessidade da compra com os dias em que os locais oferecem promoções. Aí você vai compondo pequenas reduções que no final vão fazer uma grande diferença”, aconselha o professor do Ibmec-RJ.

4- Compartilhar a energia elétrica

Um dos vilões do gasto fixo nos lares brasileiros, a energia elétrica pode acabar saindo do controle se práticas simples de uso consciente não forem adotadas por parte dos membros de uma família.

No entanto, além de apagar as luzes ao sair de um cômodo, o especialista Tiago Sayão lembra ainda de outras boas práticas que podem ser realizadas em conjunto para salvar aqueles minutos preciosos gastos a mais com a energia elétrica.

“Procurar esquentar o alimento na hora em que todos vão comer para acionar menos o microondas, por exemplo. Tire da tomada os aparelhos eletrônicos que ficam em de stand by, isso realmente puxa energia. Impressoras, TVs que não são usadas nos quartos, podem ser perfeitamente retirados da tomada”, detalha o especialista.

5- Levar marmita ao trabalho

A tradicional marmita, companheira de muitos trabalhadores, também entra na lista de cortes nos no orçamento com grande peso e pode ser aliada a dica sobre aproveitar as promoções no supermercado.

Segundo Tiago Sayão, a diferença em termos financeiros de preparar a própria comida com os ingredientes que foram comprados a um custo mais baixo que o habitual e ir a um restaurante, se não for dosada para os momentos em que a praticidade é extremamente necessária, pode gerar um prejuízo desnecessário no fim do mês.

“Você tem impacto no seu gasto com alimentação, além da questão de ser saudável”, sugere o economista. “E você pode fazer isso, não só para o almoço, mas para o período da tarde, com uma fruta. Esse período vai suportar o tempo de você sair do trabalho e chegar em casa para jantar”, reforça.

6- Impor limites para a diversão

Na sexta-feira, véspera de fim de semana, o relógio parece muitas vezes andar mais lentamente que o normal, aumentando a ansiedade por aquele merecido happy hour pós trabalho.

Mas é justamente o momento de confraternização e início do descanso, para a maioria das pessoas, que pode acabar se tornando uma dor de cabeça no futuro. Por isso, limite os gastos com a diversão.

Com a inflação ainda sendo sentida com mais força no bolso do brasileiro, o professor do Ibmec-RJ alerta para os riscos da empolgação ‘cegar’ o consumidor na mesa do bar, restaurante ou balada e fazer com que ele extrapole o orçamento com comidas e bebidas, caso não o tenha definido bem antes.

“Dimensionar o gasto máximo com aquele evento. Independentemente de ser um programa inesperado, ponha um teto de gasto”, aconselha. “Por exemplo: vou para uma balada com os amigos? Meu limite será de 150 reais. Quando atingir o valor, tenho que fazer o exercício de lembrar que vai me comprometer lá na frente. É uma prática de educação financeira”, diz Tiago Sayão.

7- Repensar em sair com o carro

Embora o transporte público seja a realidade para grande parte dos brasileiros, a parcela da população que usa o carro próprio para se locomover deve se atentar se realmente vale o gasto. Nesse caso, a dica é usar outros métodos de locomoção, como caronas em aplicativos como o Uber, 99 e Cabify, por exemplo.

Segundo o professor Tiago Sayão, o primeiro passo é o dono do veículo fazer um cálculo de quanto ele gastaria com gasolina, estacionamento (caso tenha que usá-lo) e custos do engarrafamento. Se mesmo assim for mais vantajoso usar o carro próprio que acionar um aplicativo de carona, vá de carro. Caso contrário, não hesite em chamar algum veículo por aplicativo.

“É importante sempre ponderar aonde vai e com o números de pessoas que irá. Pensar no gasto combustível mais os custos daquele local. Se for com os aplicativos, fique atento aos cupons de desconto. Isso evita gastos com estacionamento e outros perigos pelo caminho”, afirma o professor Tiago Sayão.

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Postado por Thiago Fadini

Repórter da Revista Digital Creditas. Conectado à economia, política, novos negócios e, nas horas vagas, metido a comentarista esportivo.

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