Como o desempenho da economia do Brasil afeta suas finanças

Publicado em Atualizado em: 13/06/2019

Mercado financeiro segue revisando a previsão do PIB para baixo, e índices de confiança e emprego podem ser impactados. Entenda qual o impacto disso para o seu bolso

Economia do Brasil

Há 15 semanas consecutivas, o mercado financeiro revisa a previsão do PIB de 2019 – o produto interno bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – para baixo. Na prática, isso significa que os economistas estão pessimistas em relação ao crescimento da economia do Brasil este ano. Em janeiro de 2019, por exemplo, especialistas do mercado chegaram a projetar o PIB em 2,57% no Boletim Focus. Agora, a expectativa é de crescimento de 1,13%.

Boa parte do pessimismo se dá pela demora da aprovação de reformas importantes, como a reforma da previdência. Para muitos especialistas, a expectativa pela aprovação da reforma está paralisando o governo – que não toma outras medidas necessárias, à espera de que a reforma caminhe. Já os investidores, temem investir em um cenário de incerteza e instabilidade econômica. Desse jeito, a economia atual do Brasil, que passava por um processo lento de recuperação, passa a caminhar para trás.

Toda essa questão impacta, e muito, a macroeconomia brasileira. Exemplo disso é que em maio o Brasil deixou a lista dos 25 países que mais atraem investimento estrangeiro no mundo. Essa foi a primeira vez que a nação fica fora do Índice Global de Confiança para investimentos (FDI Global Index), A.T Kearney, consultoria norte-americana.

Mais que afetar a macroeconomia do Brasil, a redução do crescimento do país também pode refletir no dia a dia da população brasileira: do preço da conta no supermercado, ao índice de desemprego.

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O PIB per capita

Quando dividimos o valor total do PIB, ou seja, o total de bens e serviços produzidos no país, pela quantidade de habitantes, obtemos o que se chama de renda per capita. Esse indicador fornece uma medida do padrão de vida médio da população que habita no país, e serve de medida para comparar níveis de desenvolvimento de diversos outros países. Se o PIB é menor, isso significa que o PIB per capita também é.

No ano passado, um estudo da consultoria McKinsey mostrou que, caso mantenha a taxa média de crescimento das últimas duas décadas, o Brasil só dobrará seu PIB per capita em 2081. Em quatro anos, o PIB per capita brasileiro caiu 10%. Ou seja: impacto direto na situação da economia do Brasil. 

Outro reflexo desse cenário foi a volta do crescimento da desigualdade de renda no país após 15 anos, segundo um estudo realizado pela Oxfam Brasil. Entre a população negra, o impacto foi maior: os negros passaram a ganhar ainda menos que os brancos entre 2016 e 2017. Em 2017, os rendimentos médios de negros somaram 1545,30 reais, enquanto os dos brancos alcançaram cerca de 3 000 reais, uma diferença de 53%. O dado de 2018 mostrou que a disparidade cresceu para 57%.

Menos investimento do Estado

A desaceleração da economia do Brasil também impacta na qualidade de vida das pessoas quando se trata do investimento do Estado em serviços básicos. “Um PIB em baixa mostra que o Estado tem menor poder de investimento, afetando setores básicos como a saúde e a educação”, diz Sergio Dias, economista e consultor do Sebrae.

Vale lembrar que o governo já tem um rombo nas contas públicas: em seu quinto ano seguido, as contas do governo somaram déficit de 120 bilhões de reais em 2018.

A confiança na economia do Brasil

Segundo Dias, outro fator considerável é a influência do comportamento do PIB no nível de confiança das empresas e dos consumidores na economia do Brasil.

Menos confiantes, as empresas investem e contratam menos – o que pode impactar no índice de desemprego. Além disso, os consumidores também passam a gastar menos. Ou seja, a economia encolhe, como num ciclo.

Em maio deste ano, por exemplo, a confiança do empresário industrial caiu pelo quarto mês seguido, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria). O mesmo aconteceu com o índice de confiança do consumidor, segundo a FGV.

O mercado de trabalho

De acordo com Dias, o mercado de trabalho pode se ressentir com a retração do PIB. “As ofertas de emprego e os salários tendem também a se reduzir”, diz.

Isso porque o PIB tem relação direta com a renda distribuída em salários para os trabalhadores e lucros para as empresas. “Se a renda diminui, o empresário tem menos lucro e o trabalhador fica sem condições de receber um aumento, devido à economia em retração”, explica.

Hoje, o desemprego no Brasil chega a 12,5% da população e atinge 13,2 milhões de trabalhadores, segundo o IBGE.

A inflação pode subir?

Essa é uma questão um pouco mais complicada. “Não se pode dizer com segurança que o PIB em baixa possa causar um aumento na taxa de inflação. No Brasil, apesar de um PIB medíocre, a taxa de inflação se mantém estável e até com viés de baixa”, diz Dias,

Segundo ele, isso se deve a uma política fiscal e monetária eficaz e uma intervenção do Banco Central que mantém uma taxa SELIC, a taxa básica de juros, baixa.

“Na realidade, a taxa de inflação é que pode impactar o PIB, pois se esse é a soma dos valores dos bens e serviços produzidos, se houver uma inflação de preços, o valor do PIB tende a ser maior”, explica.

E os juros?

A boa notícia é que, por enquanto, não há previsão de subida da taxa de juros. Vale lembrar que a Selic está em 6,5% ao ano, em sua menor cotação na série histórica. Se a reforma da previdência for aprovada, ela pode baixar ainda mais.

Com o que devemos nos preocupar?

Para Dias, o maior impacto causado pela baixa do PIB é mesmo no nível de confiança das empresas. “Elas passam a restringir ou adiar investimentos”, explica. Há também a preocupação em relação ao nível de confiança das pessoas. “Elas passam a restringir consumo e gastos, afetando a economia como um todo”.

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Postado por Revista Creditas

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