Bike, carona? Como economizar dinheiro com transporte alternativo

Publicado em Atualizado em: 30/04/2019

Com o preço dos combustíveis em alta, bikes, patinetes elétricos e caronas têm se tornado boas opções para deixar o carro em casa. Economia angariada pode ser investida no lazer e na aposentadoria

Mobilidade urbana

Por mais de uma década, o empresário Fernando Gomes, 42 anos, era acostumado a ter mais de um carro na garagem. O hábito de andar motorizado era tão forte que, durante oito anos, ele e sua esposa acumularam quatro carros na garagem. A mudança de comportamento, porém, começou a acontecer em meados de 2012. À época, Fernando resolveu se desfazer de dois veículos para aliviar o orçamento e economizar dinheiro. Passado um ano, veio a comprovação na ponta do lápis: cada carro vendido gerou uma economia de cerca de 15 000 reais, incluindo gastos com manutenção, IPVA, combustível, estacionamentos e multas.

Já com a constatação da economia, não demorou muito para ele se desfazer também do terceiro carro, usado apenas pela cuidadora do pai quando necessário. “Naquela época, o aplicativo de carro já era bastante utilizado e acabei combinando com a cuidadora para que ela usasse em trajetos curtos”, contou Fernando  Gomes. “Hoje, as despesas com aplicativos e transporte público, somando as do meu pai e as minhas, não chegam a 500 reais por mês”, completou.

Com o preço por litro da gasolina a 4,504 reais, e o do etanol a 3,127 reais – valores que representam aumentos no ano de 3,68% e 10,5%, respectivamente –  chamar um motorista para os trajetos rápidos e fora dos horários de pico se tornou uma boa opção. Um estudo divulgado em 2018 pela empresa de transporte individual 99 indicou que era possível economizar até 1 000 reais mensais trocando o carro particular por corridas no aplicativo.

Ao economizar dinheiro, o empresário Fernando Gomes aproveitou para criar um fundo de reserva e passou a investir na bicicleta, antes usada mais para o lazer, para ir a reuniões externas de trabalho e compromissos da faculdade. A ‘magrela’ se tornou útil para trajetos com trânsito intenso, como por exemplo entre a Vila Mariana, onde mora, até a Cidade Universitária, onde participa de um grupo de estudos.

Por isso, especialistas acreditam que a ampliação de malhas cicloviárias (498km só em SP) e a popularização de meios que antes eram encarados como de uso pontual ou apenas para diversão tendem a aumentar o rompimento dos cidadãos com sistemas tradicionais de transporte – e incentivar o uso de meios alternativos de locomoção, como bicicletas, patinetes e etc.

“[O uso de transportes alternativos] É uma tendência, porque, pela criação do hábito, você se acostuma e acaba pegando gosto. Por outro lado, tem o benefício de se poupar um pouquinho com combustível e passagens diariamente”, explica Danielle Lopes, especialista em investimentos da EasyFinance – Consultoria e Educação Financeira.

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Como economizar dinheiro com transportes alternativos

Aplicativos de transporte individual, como a própria 99, a Uber e o Cabify, além dos de caronas como o BlaBlaCar ajudam milhares de brasileiros a tirar o carro particular do trânsito e a economizar dinheiro todos os dias.

Mesmo sendo valores pequenos, o montante final pode significar um grande alívio para o bolso e ajudar na criação do hábito de poupar. “As pessoas precisam visualizar que guardando um pouco hoje, vai sair muito mais barato que esperar para poupar somente no futuro”, afirma Danielle Lopes.

Segundo a BlaBlaCar, que já conta com mais de 3 milhões de usuários no Brasil, o condutor que compartilha uma viagem com três pessoas no próprio carro consegue reduzir os custos em até 75%. Jovens e estudantes, que em sua maioria ainda estão no processo de amadurecimento financeiro, aparecem como um público com grande potencial. O número de caronas pelo aplicativo em regiões da capital paulista com grande concentração de universidades, por exemplo, cresceu em média 123% em 2018.

Além das quatro rodas, novos modais chegaram recentemente para desafogar o trânsito nas cidades e também as finanças dos cidadãos. Sistemas de bicicletas compartilhadas como os dos bancos Itaú e Bradesco foram os pioneiros. A partir deles, surgiram a Serttel e a extinta Yellow, que em janeiro anunciou fusão com a companhia de aluguel de patinete Grin, tornando-se Grow. O novo modelo de negócio das duas empresas de aluguel de bicicletas – Serttel e Grow – trouxeram um benefício extra ao usuário: agora, eles não precisam mais encontrar uma estação de retirada e entrega das bikes. Eles podem deixar em qualquer ponto.

Recentemente, os patinetes elétricos (Grow – as antigas Yellow e Grin) e até scooters (Riba Share) vêm ganhando seu próprio espaço. Cada empresa precifica o aluguel do modal, que é sempre contado por tempo de uso.

De acordo com um estudo realizado no ano passado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a pedido do Itaú Unibanco, a economia de dinheiro por mês para os moradores da cidade de São Paulo, caso utilizassem a bicicleta como meio principal para deslocamento, seria de 138 reais para quem usa ônibus e 451 reais para quem utiliza carro. Os valores foram calculados com base na tarifa do transporte público da época de 3,80 reais, multiplicada por 20 dias úteis, e do gasto com automóvel no mesmo período.

A fim de traçar o gasto com alguns meios de transporte, a Revista Digital Creditas pediu para as  especialistas e fundadoras da EasyFinance – Consultoria e Educação Financeira, Danielle Lopes e Marina D’Aulísio montarem um comparativo para mostrar os custos de locomoção para o trabalho em São Paulo (considerando um trajeto de 20km para ida e volta, nas faixas de horário entre 7h e 8h e entre 17h e 18h).

Os modais escolhidos foram o carro próprio, bicicleta, patinete elétrico e aplicativo de transporte individual:

TransportesTempo
(minutos)
Valor total
(20 dias úteis)
Custo por dia
Fonte: EasyFinance
Bicicleta (compartilhada)6080 reais4 reais
Patinete elétrico (compartilhado)6090 reais4,50 reais
Uber 'X'140798 reais39,90 reais
Carro particular
(modelo popular)
140153,54 reais7,68 reais

Alívio para o bolso e a saúde

O aumento no número de evidências – economia de dinheiro, tempo, oportunidade de conhecer outras pessoas, entre outros – de que mudar hábitos quanto ao deslocamento nas grandes cidades é benéfica para o corpo e para a carteira, anima os especialistas.

A perspectiva é que as buscas por parte da população pelos meios de transporte alternativos aumente. Isso, aliás, ajudaria o país a economizar dinheiro com a rede de saúde pública, que a cada ano demanda mais e mais investimentos dos governos.

Exemplificando: se todos os sedentários da cidade de São Paulo pedalassem, o Sistema Único de Saúde (SUS) economizaria um total de 34 milhões de reais por ano, segundo o Cebrap.

A explicação é simples: uma pessoa sedentária tem o dobro de chances de desenvolver doenças cardíacas, em comparação com aquelas que praticam atividades físicas regularmente. Os sedentários têm ainda 50% a mais de chance de ter diabetes do que aqueles que são ativos.

No final, além de prevenir o mau endividamento e proteger a saúde financeira, se movimentar mais e sentar menos no dia a dia ajuda a manter uma vida equilibrada. “O mundo ideal será quando todos pensarem assim, aliando a consciência financeira aos benefícios à saúde”, reforça Danielle Lopes, da EasyFinance.

Bike passando pelo trânsito da Avenida Paulista

Invista o montante que você poupar

Com mais saúde e um fluxo de caixa mais robusto ao economizar dinheiro com a mobilidade, o cidadão pode investir com mais robustez, tanto na qualidade de vida quanto nas aplicações financeiras pensando na aposentadoria. E isso vale para economias de qualquer valor.

Com o ‘porquinho mais gordo’, o empresário Fernando Gomes, por exemplo, pôde pensar mais na diversão dele, da esposa e dos filhos Freddy e Max, atualmente com 12 e 9 anos respectivamente. “De 2014 para cá, acabei conhecendo Paris, Nova Iorque, Londres e Barcelona”, conta. “Coincidentemente, são cidades que não precisamos de carro para fazer nada, usamos apenas a mobilidade ativa e o transporte público”, completa.

Mas se optar por investimentos financeiros, o cidadão que economiza dinheiro diariamente pode ter um bom rendimento no longo prazo – caso mantenha o hábito e pense sempre nas próprias aplicações antes de gastar mais com o transporte.

Danielle Lopes exemplifica a boa prática por meio de uma situação. Uma pessoa que ganha 1 000 reais por mês e que quer diminuir os gastos de 300 reais com o carro, pode deixar o veículo na garagem e economizar até 200 reais por meio do uso de transportes alternativos. Essa economia, se mantida por um período de 40 anos e aplicada mensalmente em um produto financeiro, por exemplo, pode resultar em um montante total de mais de meio milhão de reais – o que garante uma aposentadoria mais tranquila no futuro.

No entanto, a especialista em investimentos reforça que fazer esses aportes regulares é fundamental para acumular uma riqueza sólida e sustentável. “Isso garante que ela terá um acúmulo a longo prazo, poupando mensalmente, sem pesar no orçamento”, justifica Lopes.

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Postado por Thiago Fadini

Repórter da Revista Digital Creditas. Conectado à economia, política, novos negócios e, nas horas vagas, metido a comentarista esportivo.

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