Como fugir do cheque especial: 5 dicas para não precisar dele

Concessão do cheque especial para a pessoa física atingiu 31,747 bilhões de reais em outubro, maior patamar no ano. Entenda como se organizar para não usá-lo

A praticidade que o cheque especial oferece é um dos grandes motivos para o seu uso. Ele já está ali, pré-aprovado na sua conta, pronto para ser usado. Mas, você sabia que ele é uma linha de crédito oferecido pelo seu próprio banco? Diferente do empréstimo pessoal, a instituição cede o crédito sem nenhuma garantia em troca. Por isso os juros são tão altos – e o valor muda de acordo com a avaliação que o banco faz de cada cliente.

Prova de que ele é muito recorrido pelos brasileiros é a de que, em outubro, a concessão do cheque especial atingiu o maior patamar em 2018: 31,747 bilhões de reais, segundo dados do Banco Central (BC). Embora seja a linha mais cara do mercado de empréstimo, a tendência, de acordo com especialistas, é que seu uso aumente cada vez mais. Principalmente enquanto o desemprego estiver alto.

Atualmente, cerca de 13 milhões de brasileiros estão sem emprego. Essa lenta recuperação econômica fez com que o número de inadimplentes chegasse a 63,1 milhões em novembro, o maior valor para os meses de novembro desde 2011. Em nota, o SPC afirmou que a parcela de pessoas endividadas continua elevada, pois a recuperação econômica não se refletiu em melhora nos níveis de renda da população, e nem em queda considerável do desemprego – fazendo com que elas deixem de pagar contas e/ou dívidas. 

Um estudo do SPC em novembro mostrou os principais motivos do endividamento dessa parte da população. Segundo a análise, os fatores “bancários”, que englobam cartão de crédito, cheque especial, financiamentos e empréstimos, são os grandes responsáveis pela inadimplência, com alta de 10% no penúltimo mês de 2018. 

A falta de conhecimento, porém, é o grande motivante para o crescente uso desse crédito. Isso porque só em juros, o cheque especial está somando 300,4% ao ano, de acordo com o último levantamento do Banco Central. No mês de outubro, a taxa de juros registrou 12,3%. Um exemplo prático da conta é: se uma pessoa usa 1 000,00 reais do cheque especial,  ao final do ano ela pagará um pouco mais de 4 004,00 – sendo 1 000,00 reais do cheque especial e 3 004,00 reais só de juros.

O cheque especial é um crédito praticamente pré-aprovado. Então, a pessoa não precisa da formalidade de um crédito pessoal, por exemplo”, diz Marco Valim, professor do departamento de administração da FEI. “O que as pessoas acabam fazendo, a partir de um crédito pré-aprovado e a falta de conhecimento de juros e das taxas, é usá-los em situações de aperto. E muitas dessas pessoas acabam se enrolando.”

Como fugir do cheque especial?

Para não entrar na bola de neve do cheque especial, é preciso tomar alguns cuidados. O primeiro deles, é sempre acessar a sua conta e ter noção do quanto você tem disponível para gastar. Isso evitará surpresas ao final do mês, como cair nessa modalidade de empréstimo sem saber.

A segunda dica é a de tentar entender como realmente funciona a modalidade. As regras, taxas de juros, pagamento. Por exemplo: você sabia que, caso o correntista utilize 15% do cheque especial por mais de um mês seguido, a instituição é obrigada a oferecer a ele uma opção de empréstimo mais barata. Além disso, cada banco tem uma forma de pagamento do crédito e taxa de juros.

“É importante ter um conhecimento claro da sua conta corrente e do cheque especial. O que é de fato o seu saldo bancário e o que é limite, porque muitas pessoas acabam confundindo, pegam o extrato e somamo saldo com o limite”, explica Valim. “Dessa forma, a pessoa entra no cheque no especial por falta de conhecimento, por não saber o que é o saldo e o que é o crédito pré-aprovado do cheque especial.”

A terceira orientação é manter um planejamento financeiro. Controlar os gastos e cultivar uma previsibilidade do que vai acontecer nos próximos meses é um passo importante para não ficar mal-endividado. Isso ajuda a não ficar enforcado no final do mês e a manter uma situação financeira saudável – e sustentável.

O quarto conselho é em relação à famosa reserva de emergência. Aquele montante que você poderá recorrer em situações extremas e não planejadas, como em casos de doença, acidentes e perda de emprego. O aconselhável é ter algo como seis meses do seu salário – ou gastos fixos – guardados.

Por fim, mas não menos importante, faça as contas das modalidades de empréstimo, principalmente do cheque especial. Isso te ajudará a pensar antes de utilizá-lo. Ou, te ajudará a não deixar a dívida virar uma bola de neve insustentável.

Tive que usá-lo. E agora?

Teve um aperto e, no desespero, utilizou o cheque especial? Ou, não prestou atenção e gastou mais do que tinha na conta? Para não correr o risco de ficar mal endividado, o conselho do professor Valim é tentar renegociar por meio de outra modalidade de empréstimo.

“O ideal é buscar encontrar alguma modalidade que ofereça taxa de juros menores e parcelar de uma maneira que caiba no bolso da pessoa”, diz.

Caso o uso do cheque especial tenha sido pontual – e em uma quantia pequena – tente pagá-lo imediatamente. Se possível, dentro do prazo de uma semana. Dessa maneira, você não pagará os juros, já que muitos bancos não cobram os juros se o montante for quitado dentro de 10 dias.

Mas, fique atento: se o pagamento for feito no décimo primeiro dia, a instituição cobrará os juros referentes aos outros 10 dias. Na dúvida, pague imediatamente.

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Postado por Paula Bezerra

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