Análise de crédito: cinco passos para não ter o empréstimo negado

Publicado em Atualizado em: 12/04/2019

Pesquisa da fintech FinanZero identificou quais os perfis de consumidores e motivações mais bem aceitas por bancos e financeiras na hora de tomar crédito. Descubra quais são

Analise de Crédito

Tomar um empréstimo é uma alternativa para muitos brasileiros que precisam colocar as contas em dia, planejar uma viagem, resolver uma situação emergencial e/ou investir em um negócio. Mas para chegar lá, todo cliente deve passar por uma análise de crédito – processo de avaliação da capacidade de pagamento da dívida, pendências jurídicas entre outros quesitos – que muitas vezes o impede de conseguir o dinheiro.

Para entender qual é o perfil com mais chances de aprovação, a FinanZero, fintech que auxilia o consumidor na busca pela melhor modalidade de crédito, fez um estudo com o cruzamento dos dados de 80 000 clientes que receberam o crédito das instituições parceiras. A pesquisa identificou quais as categorias de profissões cujas porcentagens de aprovação na análise de crédito são maiores, assim como os estados civis, graus de instrução, tipos de conta bancária e residência e os motivos do pedido que eram mais bem aceitos por bancos e financeiras.

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Afinal, o que é análise de crédito?

A análise de crédito avalia principalmente o histórico de bom pagador do consumidor. Tais informações são obtidas por meio do CPF do cidadão e os dados ficam dentro das plataformas de birôs de crédito, como Serasa, SPC Brasil e Boa Vista SCPC. Esse histórico, chamado pelos birôs como score, é uma pontuação que pode ir de 0 a 1 000 pontos, cujo cálculo considera o comportamento de consumo e pagamento dos últimos 12 meses de cada pessoa. Caso a pontuação no score esteja muito baixa – principalmente em caso de inadimplência/nome negativado -, o pedido de crédito é negado automaticamente.

“Isso (score) é vital na análise de crédito. Elas (instituições) têm que ver se a pessoa tem características mínimas que permitam confiar nela. E aí você leva em consideração vários fatores, como caráter financeiro, problemas com nome sujo e etc”, explica Nicola Tingas, economista da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).

Além de ser uma referência para se realizar a análise de crédito com maior confiabilidade e dar segurança às instituições financeiras, o score de crédito estimula o consumo consciente, uma vez que o cidadão tendo ciência de que é considerado um bom ou mal pagador pode aprender a controlar melhor as próprias finanças, evitando ou revertendo a situação de inadimplência e nome negativado.

Mas, afinal, quais fatores tornam um perfil de cliente ideal e bem aceito para se tomar um empréstimo? Por meio da pesquisa da FinanZero, a Revista Digital Creditas conversou com especialistas e traçou dicas para te ajudar na análise de crédito. Confira, a seguir:

1- Motivações do crédito

Todo empréstimo é motivado por algum gatilho e/ou necessidade do consumidor. Para ter mais chances na hora da aprovação do pedido, recomenda-se que a pessoa deve ter certeza, clareza e segurança sobre o porquê de estar se engajando na operação. Essa é a primeira etapa do processo e o que vai definir o encaminhamento para a análise de crédito.

“Nesse momento, é importante avaliar o planejamento versus necessidade, urgência versus supérfluo”, orienta Mauricio Godoi.

A pesquisa da FinanZero listou alguns dos motivos mais comuns – e bem aceitos pelas instituições financeiras. Os mais de 80 000 pedidos analisados foram motivados, na maioria, para o pagamento de viagens, cirurgias, compra de ativos, reforma da casa e pagamento de dívidas.

É importante ressaltar, porém, que cada instituição financeira tem o seu método de análise de crédito. Ou seja: as motivações podem variar. Em caso de dúvidas, pergunte à empresa que pretende tomar o empréstimo.

2- Vínculo empregatício/comprovação de trabalho

A análise da FinanZero demonstrou que a ocupação do tomador de crédito é um fator importante na hora de comprovar uma renda mensal consolidada e constante. Esse é um dos itens essenciais para que a instituição possa liberar o dinheiro – norteando-se pela capacidade de pagamento do consumidor.

De acordo com o estudo, os funcionários dos setores privado e público têm mais facilidade em passar pela fase de análise de crédito do que as demais categorias. A taxa de aprovação dos trabalhadores de empresas privadas é de 30%, seguida pela dos servidores públicos, de 27%. Os profissionais liberais vêm logo atrás, com 22%. Os últimos da lista são os aposentados, aprovados em 20% dos casos, e os autônomos com 19% de aprovação nas análises.

“Notamos na pesquisa que, quanto maior o grau de instrução, maior a chance do cliente ter uma profissão bem estabelecida, logo, tende a possuir mais documentos que comprovem a renda”, pontua José Daniel Junior, analista de marketing da FinanZero.

A sazonalidade do serviço e a falta de organização com as finanças pessoais e profissionais também podem ser empecilhos na vida dos trabalhadores autônomos. Isso porque, muitos dos autônomos acabam confundindo o fluxo de caixa pessoal, com o profissional.

O economista e professor da Saint Paul Escola de Negócios, Mauricio Godoi, destaca que a categoria “depende muito da sensibilidade da própria economia e que por isso podem acabar não se planejando tão bem” quanto deveriam para pleitear o empréstimo.

Nesse caso, fique atento com as suas finanças e cuide sempre do seu planejamento financeiro, para não se prejudicar caso precise tomar crédito.

3- Residência

Muitas vezes usado como garantia, como no empréstimo com garantia, ou referência em uma operação de empréstimo, o tipo de residência também pode ser um facilitador no momento em que o banco, a financeira e/ou a fintech de empréstimo analisam o perfil de crédito do consumidor.

O estudo mostra que as pessoas que têm as melhores taxas de aprovação têm casa financiada (35%). Na sequência, aparecem os que têm casa própria (26%), casa de familiar (24%) e imóvel alugado (24%).

A facilidade maior dos que possuem casa financiada ocorre pelo fato da pessoa que financiou um imóvel já ter passado por uma outra análise de crédito. Nesse caso, por exemplo, a pessoa tem mais chances de demonstrar que tem renda fixa e capacidade de honrar as dívidas maiores.

“Isso quer dizer que ele (cliente) já tem um número de dados que permitem um credit score melhor. Ele conseguiu a aprovação num crédito imobiliário mais longo por meio de um banco comercial, que conhece mais sobre ele e há mais tempo, provavelmente”, justifica Nicola Tingas.

No entanto, é importante lembrar que ser aprovado num financiamento imobiliário não é garantia de uma nova aprovação em outra tomada de crédito.

4- Conta bancária

Outro ponto de análise na pesquisa da FinanZero é sobre o perfil bancário dos clientes que pedem empréstimo. Com 42% de aprovação, pessoas que contam com conta corrente, com ou sem cheque especial, têm boas chances de conseguir crédito. Em segundo lugar, aparecem os que têm apenas conta salário (19%) – a qual não aceita o depósito do empréstimo – e poupança (16%).

Para os especialistas, a movimentação bancária se coloca como um vitrine dos gastos e da vitalidade financeira do futuro tomador de empréstimo. “Para um cliente ter uma conta corrente com cheque especial, a instituição financeira realiza uma análise de crédito antes de aprová-lo. Logo, esse público costuma ter um histórico de bom pagador”, explica José Daniel Junior, analista de marketing da fintech.

5- Estado civil

Outro item que a fintech demonstrou que é avaliado no momento da análise de crédito foi estado civil dos clientes. Pessoas casadas (28%), divorciadas (27%) e solteiras (23%), porém, têm grau de aceitação de perfil próximos.

Uma vantagem que pessoas casadas podem ter em relação às que se encontram em outros estados civis, é de ter, facilmente, um avalista para somar/complementar a renda. Mas casado, divorciado ou solteiro, o consumidor deve ter antes de qualquer coisa capacidade de honrar as dívidas.

É importante lembrar, no entanto, que esse tipo de movimento também é possível em relação de 1º grau, como pais para filhos e irmãos.

Tive o pedido de crédito negado, e agora?

O primeiro passo ao ser barrado na análise de crédito para pegar um empréstimo é ter tranquilidade para se organizar. Se o motivo da negativa for pelo score baixo, inadimplência e/ou nome sujo, o consumidor precisa investigar quais os débitos que o levaram a essa situação e tentar solucionar a pendência financeira.

Uma dica dada por especialistas é tentar não se perder entre as despesas/contas diárias. Para isso, manter uma boa estrutura e organização financeira é fundamental. ‘Arrumando a casa’, as chances de adequar o pedido de empréstimo e obter êxito serão maiores.

“Você tem que conhecer as suas contas, o seu fluxo de caixa. Tudo o que é receita, despesa, o quanto sobra. Aí sim você vai conseguir ver a sua necessidade de crédito e o quanto você pode comprovar”, aponta Nicola Tingas.

Além disso, colocar os gastos essenciais e fixos como contas de luz, água e aluguel, na função de débito automático também ajuda os mais esquecidos e evita a inadimplência desnecessária.

Outro ponto que também ajudará os inadimplentes está na mudança de lei do Cadastro Positivo, que está no aguardo de sanção presidencial. Isso porque o Projeto de Lei Complementar (PLP) 441/2017 tornará automática a inclusão de pessoas físicas e jurídicas no banco de dados dos birôs de crédito. A medida vai facilitar e aumentar o acesso dos bancos e financeiras à informações sobre o comportamento financeiro de cada pessoa e a identificar pendências financeiras pequenas que atrapalham a tomada de crédito, como contas de água e luz atrasadas por esquecimento.

A entrada para o Cadastro, aliás, é um das recomendações dada pelo especialista da FinanZero principalmente aos autônomos, que estão mais propensos a não serem aceitos na análise de crédito. A inclusão o sistema pode ser solicitada junto aos birôs de crédito, que ofertam o serviço de forma gratuita e online. “Fazer um cadastro é interessante, porque caso não tenha como comprovar renda você conseguirá provar para as instituições financeiras que paga suas contas em dia e que tem uma determinada renda”, explica José Daniel.

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Postado por Thiago Fadini

Repórter da Revista Digital Creditas. Conectado à economia, política, novos negócios e, nas horas vagas, metido a comentarista esportivo.

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