10 mitos e verdades sobre o uso do crediário 

Publicado em Atualizado em: 07/08/2019

Cerca de 30% da população ainda é adepta a essa modalidade de crédito. Confira o que é real e o que é fake news – e tire suas dúvidas sobre o crediário 

crediario

Quem nunca recebeu a proposta de uma grande varejista para comprar por meio de crediário que atire a primeira pedra. Popular desde a década de 2000, essa modalidade ganhou força com a isenção de impostos na chamada linha branca de eletrodomésticos (fogões, geladeiras, máquinas de lavar e tanquinhos). Segundo dados do IBGE, no ano de 2010, as vendas no varejo fecharam com alta de 10,9%, o maior resultado acumulado desde 2001. Mesmo com a facilidade de outras modalidades, o crediário ainda segue como opção para grande parte dos consumidores, principalmente como resquício da grave crise econômica que atingiu o país entre 2014 a 2016. 

É o que mostra a pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que indica que essa modalidade voltou a crescer nos últimos dois anos. Segundo a análise, três em cada dez brasileiros (30%) utilizaram essa modalidade nos últimos 12 meses. Além disso, 26% dos consumidores recorrem ao formato todos os meses.

Entre os principais motivos para adotar a essa opção de crédito, aparecem: a falta de recursos para fazer o pagamento à vista; vantagens por conta do processo menos burocrático nos estabelecimentos comerciais; pela estratégia de fazer mais compras – e usar diversas opções de crédito; e, por fim, pela possibilidade de parcelamento de compras.

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Crise econômica reacende o uso do crediário 

Como consequência da crise econômica que assolou o Brasil entre 2014-2016, os bancos ficaram mais cautelosos na oferta de crédito e fizeram com que o pequeno bloco de boletos entrasse em cena novamente como opção para fazer novas compras. Os parcelamentos de compra por crediário se tornaram uma alternativa para que o ciclo de compras não fosse interrompido.  

“Nesse período de dificuldade econômica, as pessoas não estavam conseguindo sobreviver apenas com seus salários. Então, o crediário ressurgiu voltou a ganhar força”, explica Alexandre Miserani, professor de Finanças e Administração da Faculdade Arnaldo, de Belo Horizonte.

Atento ao reaquecimento desse modelo, o setor bancário, desde março de 2019, passou a oferecer o crediário para cartão de crédito. Nessa modalidade, o consumidor consegue visualizar, no ato da compra, quais serão os juros embutidos conforme o número de parcelas diretamente nas maquininhas que operam as transações de crédito. 

A ideia desse formato é concorrer com o formato tradicional, oferecido pelos lojistas.

“É uma tentativa de concentrar o ciclo de compras em um único canal, a questão é que a comodidade de comprar nesse formato não ataca um problema antigo do cartão: os juros muito altos”, explica Alexandre Miserani. 

Para tirar dúvidas recorrentes sobre essa modalidade de parcelamento, a revista Creditas conversou ouviu o especialista sobre mitos e verdades que circulam nessa linha de crédito. Confira:

1- Crediário é como comprar fiado?

Mito 

A dúvida é recorrente, mas é interessante lembrar que o crediário é um financiamento aberto ao consumidor para o pagamento de bens no comércio. 

Diferentemente do fiado, onde o acordo para pagar posteriormente acontece apenas verbalmente, o crediário apenas é concedido após prévia análise de crédito

O professor explica que a dúvida acontece, principalmente, pelo fato do consumidor levar o bem sem pagar. 

“A confusão acontece porque o brasileiro faz a compra contando com um dinheiro que ele vai receber ainda”, diz.

2- Posso ter mais de um crediário na mesma loja?

Verdade

Se você comprou um produto pelo crediário em uma loja, pode voltar a fazer o procedimento em outras normalmente. A dica para evitar o efeito bola de neve nas dívidas é saber exatamente quanto do seu salário poderá ser comprometido com essa nova dívida. 

“Não há nenhum problema na liberação de crédito nesse formato em mais de uma loja para o consumidor, o grande desafio é não fazer dessa possibilidade um caminho mais curto para as dívidas”, destaca Alexandre. 

Entre as boas práticas da educação financeira está a limitação de 30% do seu salário para o pagamento de despesas. Ao passar disso, a porta de entrada para o endividamento fica muito mais próxima.

3 – Crediário não cobra juros?

Mito 

Tudo tem seu preço e com o crediário não é diferente. Embora os juros sejam menores que o rotativo do cartão de crédito, por exemplo, é importante ter ciência que a incidência de juros também pode ser perigosa caso as parcelas entrem em atraso. 

Por determinação da lei, os comércios que não operam com recursos da indústria financeira, podem cobrar até 1% de multa por mês, além de, em média, 2% de juros mensais. O acumulado de juros e multas pode ser de até 42,58% ao ano. 

“São juros menores que o cheque especial, mas nem por isso se deve ter em mente a possibilidade de atrasar os pagamentos nesse formato. A dívida pode ficar cara do mesmo jeito”, conclui o especialista. 

4 – Os juros ficam mais altos que em outros categorias de crédito?

Mito

Em tempos de crise econômica, é sempre bom apertar o cinto financeiro e analisar a quantidade de juros que cada categoria pode trazer. Assim como acontece no cartão de crédito, os juros podem variar de acordo com o número de parcelas. 

No crediário, quanto maior for o parcelamento, maior a incidência de juros. Por isso, o ideal é colocar o valor das mensalidades na ponta da caneta e analisar se você não está pagando um valor muito acima que o original do produto ou serviço. 

“O ideal é pesquisar o formato de crediário julgando o número de parcelas, se há desconto no pagamento à vista e calcular os juros imputados no parcelamento”, diz Miserani. 

5- Existe um limite pré-definido no crediário?

Verdade

O limite de compras é definido pelo consumidor, ou seja, o ideal é manter suas contas em dia para que seu CPF seja aprovado quando for fazer uma compra. A partir de informações básicas de renda, a loja consulta os documentos do consumidor no score de diferentes instituições de proteção ao crédito.

O consumidor precisa se atentar, principalmente, aos critérios de cada estabelecimento para a liberação da compra nessa modalidade.

“Embora seja um método fácil, é ruim ficar refém de um crédito que irá vencer em inúmeras parcelas. Quando se acumula, o risco de perder o controle é muito mais alto e seu score pode ficar prejudicado para futuras compras”, diz o especialista. 

6- Posso ter acesso ao crediário mesmo com o nome sujo?

Verdade

A princípio, ter o nome em cadastros de proteção ao crédito vai dificultar consideravelmente a sua tentativa de conseguir financiar algum produto. Contudo, existem lojas que abrem essa possibilidade para consumidores negativados. 

Alexandre faz a comparação com o cartão de crédito, onde mesmo que o cliente tenha parcelado uma fatura antiga, poderá continuar utilizando seu cartão atual normalmente. 

“Se o que está em atraso é uma fatura e ela já foi negociada, o cliente pode continuar utilizando o cartão. Para o crediário a lógica é parecida, mas cada loja adota uma política para negativados, não existe um consenso”, diz. 

7- Boleto e crediário são a mesma coisa?

Mito 

Embora tenham um formato visual parecido, eles são diferentes. O boleto é um título de cobrança que pode ser pago em locais diversos, como lotéricas, bancos mercados e até farmácias. 

Por ser um formato prático, é bastante utilizado em compras via e-commerce, por exemplo. Sua principal diferença para o boleto é que ele não gera um dívida longa, ou seja, geralmente é de parcela única. 

Já o crediário se trata de um título que comprova a compra ou prestação de um serviço que deverá ser pago no longo prazo. 

8- O crediário permite um número maior de parcelas?

Verdade

O cartão de crédito trabalha com o teto de 12 vezes, na maior parte das vezes. O crediário permite que a quantidade de parcelas seja estendida para até 48 vezes. Mas vale lembrar que no caso de parcelamento em mais vezes, juros maiores serão acrescentados nas parcelas. 

“Vai depender muito do estabelecimento, mas vale lembrar sempre que o ideal é não prolongar a dívida por muito tempo para evitar pagar um preço muito superior ao bem que foi adquirido”, alerta Misserani.

Por isso, o ideal é adequar o valor das parcelas de acordo com o que sua renda permite no momento. Se o parcelamento for muito longo, talvez seja o caso de considerar fazer a compra em outra oportunidade, uma vez que a incidência de juros continua sendo muito alta. 

9- Menores de 18 anos podem tirar um produto no crediário?

Verdade

Pela lei brasileira, antes dos 16 anos a pessoa é considerada incapaz de exercer qualquer ato civil, o que inclui contratos, testamentos, entre outras atribuições.  

É possível abrir um crediário para menores, mas diante de condições bem específicas. É necessário que a pessoa tenha pelo menos 16 anos completos e esteja acompanhada pelos pais ou responsáveis no momento da compra.

Portanto, mesmo que o menor exerça atividade remunerada, precisará estar acompanhado pelos pais no momento de abrir um novo crediário.

10- Preciso ter uma conta bancária para fazer um carnê?

Mito

Não é necessário apresentar comprovação bancária para emitir um novo crediário. Geralmente, as lojas solicitam apenas documentações pessoais, como RG, CPF, comprovante de residência e algum demonstrativo de atividade remunerada. 

Agora, se você for fazer um cartão de crédito da loja, as informações bancárias serão solicitadas pela operadora do cartão e pela loja que concederá o crédito. Neste caso, é importante solicitar informações sobre as taxas de juros, que são diferentes às praticadas pelo crediário. 

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Postado por Vinicius Gonçalves

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