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Cheque especial: o que é, como funciona e como calcular os juros?

Uma das modalidades de crédito mais populares entre os brasileiros está entre os principais motivos do mau endividamento. Descubra o porquê - e entenda como ela funciona

Escrito por Creditas em 25.09.2019 | Atualizado em 25.09.2019

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Sabe aquela situação em que “sobra mês no fim do salário”? Pois é, em momentos como esses, é muito comum as pessoas optarem pela gordurinha financeira oferecida pelo cheque especial para não ficar no vermelho e manter as contas em dia. Mas, atenção: o preço pago por essa facilidade pode ser alto e nocivo à saúde financeira.

Embora tentador, o limite de crédito pré-aprovado é uma das modalidades de empréstimos mais acessadas pela população brasileira – principalmente a de menor renda – justamente pela sua praticidade e facilidade de acesso. Prova disso é que o crédito somou incríveis 31,747 bilhões de reais concedidos só em 2018, segundo dados do Banco Central (BC). 

Leia também | Juros do cheque especial: entenda por que as taxas são altas

Afinal, o que é o cheque especial?

É uma modalidade de crédito pré-aprovado que o banco disponibiliza desde a abertura da sua conta corrente, mesmo sem você ter solicitado. 

Ele não deixa de ser um tipo de empréstimo, embora o acesso não dependa de análises de crédito complexas, sendo uma solução rápida para momentos de aperto ou de confusão com as finanças pessoais.

A mesma modalidade, vários nomes

Sabe alguém que tem muitos apelidos? Prazer, cheque especial. Mas você também pode conhecê-lo como Limite Pré Aprovado, LIS, Cheque Azul e por aí vai. Dependendo da instituição financeira, o nome da modalidade varia. O que não muda, independente do nome, são as altas taxas de juros cobradas.

Como funciona o crédito especial?

Essa modalidade de crédito funciona como uma espécie de “empréstimo automático”. Ou seja, o banco empresta automaticamente ao correntista quando ele precisa gastar além do valor que possui em sua conta. E, como qualquer empréstimo, há cobranças para o seu uso.

Suponhamos que você tem disponível o valor de 200 reais em sua conta corrente, mas realiza o pagamento de um boleto no valor de 250 reais. Nesse caso, você usaria 50 reais do valor disponível do seu cheque especial, que seria devolvido, com juros, assim que entrasse algum dinheiro na conta.

Diferente do que acontece em outras linhas de crédito, nesta o dinheiro é apenas gasto, a pessoa não chega a solicitar um empréstimo ou receber um contrato detalhado com todas as taxas e encargos financeiros cobrados, o que dificulta um planejamento.

O limite de cada cliente é estabelecido pelas instituições financeiras de acordo com informações básicas da pessoa, de forma superficial, sem a necessidade de uma análise de crédito complexa. E é exatamente por isso que essa modalidade de crédito possui as maiores taxas de juros do mercado.

Juros do cheque especial: como calcular e por que é tão alto?

Embora existam instituições financeiras que oferecem alguns dias para a utilização do cheque especial sem a cobrança de juros, após esse período as taxas podem chegar em mais de 312% ao ano, como ocorreu no acumulado de janeiro a dezembro de 2018. Para fins comparativos, o empréstimo com garantia de imóvel da Creditas, pode ficar em menos de 14,82% ao ano – algo como 1,16% ao mês.

Como o cliente entra automaticamente no cheque especial e o dinheiro também é liberado dessa forma, a instituição financeira não tem garantia nenhuma de que o valor será ressarcido. É aquela relação: quanto menor a confiança, maior serão as cobranças.

Quanto maior o risco de inadimplência, maior será a taxa de juros. A consequência é repassar esse risco ao correntista, por meio das taxas elevadas.

Apenas em 2018 o Limite Pré Aprovado foi o motivo de mais da metade dos 62,6 milhões de brasileiros terminarem o ano endividados. Não à toa a modalidade está no topo do ranking de inadimplentes no país, junto com o rotativo do cartão de crédito.

Resumidamente, o crédito no cheque especial é caro devido à natureza da modalidade, que não exige garantias de pagamento ao banco e está à disposição para o uso do cliente a qualquer momento.

Como calcular os juros do cheque especial?

É ainda mais importante fazer o cálculo exato dos juros do cheque especial porque ele funciona de forma diferenciada em relação a outras linhas de empréstimo. Embora as taxas sejam acrescidas ao valor principal todo mês, a cobrança é realizada por dia, sob juros compostos.

Então, no primeiro dia, a taxa incide sobre o total inicial devido, já no segundo dia recai sobre o valor inicial mais o juro do dia anterior e assim por diante. O que resulta em custos muito elevados.

Porém, embora nos primeiros dias você não precise arcar com juros, saiba que assim que o limite pré-aprovado começa a ser usado, a instituição cobra o IOF (Imposto sobre Operação Financeira). É uma taxa exigida pelo governo pela utilização do crédito. Portanto, de qualquer forma já tem gastos incluídos.

Vale a pena usar o cheque especial?

Inúmeros especialistas recomendam cautela ao contratar essa modalidade de crédito. A principal dica é sempre manter um bom planejamento financeiro, para não precisar recorrer ao cheque especial. Ou, em algumas vezes, entrar sem perceber.

Desse modo, tente, ao máximo, evitar o cheque especial. Em caso de emergência – e falta de reserva financeira – a principal recomendação é quitar o uso da modalidade antes que os juros comecem a rodar. Uma maneira de fazer isso é trocar as dívidas caras por opções de créditos com taxas mais baratas, como o empréstimo com garantia ou o empréstimo consignado, por exemplo. 

Vale lembrar que muitas vezes as pessoas confundem esse limite pré aprovado com saldo e, desde dezembro de 2018, é obrigação das instituições financeiras deixar bem claro para seus clientes onde termina o saldo e começa o cheque especial.

Leia também | Como fugir do juros do cheque especial com empréstimo com garantia

Novas regras do cheque especial

Em 2018, foram implementadas algumas alterações nas regras quanto à contratação do cheque especial, principalmente, para evitar a sua cobrança de forma automática e a consequente confusão que gera no cliente.

As medidas têm o objetivo de fazer com que as pessoas usem essa linha de crédito de forma consciente, tendo noção de que está tomando essa modalidade de crédito e não caindo em uma cilada. 

Entenda as principais mudanças:

  1. Aviso: o banco precisa enviar notificações assim que você entrar no cheque especial. As mensagens enviadas têm o objetivo de educar e orientar o cliente sobre o seu uso;
  2. Extrato: na descrição do extrato precisa estar separado e discriminado o que é o limite do cheque especial e o que é o saldo disponível de forma clara. Evitando assim a tradicional confusão entre as diferentes informações.
  3. Negociação: Agora você pode entrar em contato com a instituição financeira e negociar melhores condições de pagamento.
  4. Modalidade mais barata: se a sua dívida com o cheque especial for superior a 15% do seu limite de crédito por mais de 30 dias, a instituição financeira deve oferecer outra linha com juros menores.

Se eu não pagar o cheque especial o que acontece?

Assim como qualquer empréstimo ou financiamento, o não pagamento desse tipo de crédito pode trazer muitas consequências, como o cadastro do correntista em órgãos de proteção ao crédito, negativação do nome e impossibilidade de ter acesso a novas linhas de crédito, sem falar na taxa elevada de juros, que correm diariamente e podem se tornar uma “bola de neve”.

A dívida do cheque especial caduca em 5 anos?

Você já deve ter ouvido falar que uma dívida pode deixar de existir após 5 anos. Porém, não funciona exatamente assim. De acordo com o CDC (Código de Defesa do Consumidor), quando o cliente é registrado no cadastro de inadimplentes do SPC e Serasa, ele deve ter o nome limpo automaticamente após cinco anos.

No entanto, embora o CPF fique regularizado, a dívida não deixa de existir. As cobranças podem continuar acontecendo. Além disso, a dívida permanece no histórico do consumidor, o que pode impactar o seu poder de compra e acesso ao crédito no futuro.

Como sair do cheque especial?

Entrar no cheque especial, sem dúvida, é uma coisa muito fácil. Isso, aliás, é um dos pontos que levam as pessoas a optarem pelo crédito. Para quitar a dívida, basta depositar o valor utilizado na conta corrente, o que evita que os juros aumentem.

O problema é quando essa dívida foge do controle e a pessoa se vê diante de uma quantia extremamente alta para pagar. Se você já está nessa situação, não se preocupe. Listamos 5 dicas para te ajudar a sair desse mau endividamento. Confira

1.Tente negociar o cheque especial

Se você precisou recorrer a esse tipo de crédito frequentemente nos últimos meses e está com dificuldades para quitar a dívida, uma saída é conversar com o seu gerente e tentar negociar a melhor forma de pagamento.

Em geral, as instituições costumam facilitar esse tipo de negociação, já que elas são as principais interessadas no pagamento da dívida. Para a negociação é importante entender quanto do seu orçamento mensal pode ser comprometido com o pagamento da dívida. Com isso, é possível fazer uma proposta ao banco, que seja vantajosa para ambos.

2. Escolha uma modalidade de crédito com juros menores

Se não for possível quitar o valor completo da dívida, existem outras modalidades no mercado com juros menores e que podem ser usadas para organizar as finanças e sair da bola de neve do cheque especial. Dessa forma, é possível trocar as suas dívidas caras por uma mais barata, com um prazo maior, que te ajuda a planejar melhor os pagamentos das parcelas.

Na contratação do empréstimo na Creditas, por exemplo, as dívidas que você tem em seu nome já são quitadas e passam a estar unificadas em uma única parcela. Uma solução mais vantajosa, já que as taxas de juros começam em 1,09% para empréstimos com garantia de imóvel, e 1,69% para empréstimos com garantia de veículo.

Caso não tenha um bem, como um carro ou um imóvel, a opção é recorrer a modalidades como o empréstimo consignado, que também possui taxas baixas pela garantia estar atrelada ao salário.

3. Reduza o limite do seu Cheque Especial

Muitos bancos oferecem uma série de facilidades para o cliente usar o cheque especial, já que é uma modalidade muito lucrativa para eles. 

Para não cair nessa armadilha, a dica é pedir ao banco para reduzir o limite do seu cheque especial ou simplesmente cancelar o serviço. Assim, você se livra de uma vez por todas do risco de ter a conta — e o nome — negativados por esse tipo de crédito.

4. Controle suas finanças pessoais

Por último, e não menos importante, vale dizer que a melhor forma de se livrar do endividamento é ter maior controle sobre suas finanças pessoais. Por isso, é fundamental avaliar seus rendimentos e despesas a fim de identificar onde é possível economizar, bem como evitar gastos desnecessários até que o orçamento fique controlado.

Leia também | Aprenda a fazer um planejamento financeiro de verdade

E então, conseguiu tirar suas dúvidas sobre o cheque especial? Já precisou recorrer a essa modalidade de crédito? Compartilhe sua opinião com a gente nos comentários.

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