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Vencedores do Prêmio Nobel de economia: a luta contra a desigualdade

Estudo contra a pobreza mundial fez com que três economistas levassem o tão sonhado Nobel. Conheça mais sobre eles e como o trabalho que realizam pode mudar a vida de todos

Escrito por Elaine Ortiz em 15.10.2019 | Atualizado em 17.10.2019

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Conquistar um Prêmio Nobel de economia é honraria que poucas pessoas conquistam na vida. Afinal, trata-se de uma das mais prestigiadas premiações internacionais do mundo. O americano nascido na Índia Abhijit Banerjee, a franco-americana Esther Duflo e o americano Michael Kremer acabaram de ter esse privilégio e conquistaram nesta segunda-feira (14) o Nobel de Economia. 

Em nota, o comitê Nobel afirmou que os premiados deste ano foram precursores ao introduzir caminhos para o combate à pobreza mundial. Isso porque, ao longo de 20 anos, eles focaram em aspectos concretos e manejáveis, como em intervenções mais eficazes para melhorar a educação e a saúde infantil.

Na Índia, por exemplo, mais de cinco milhões de crianças se beneficiaram de programas de aulas de reforço na escola. Já no Quênia, os impactos encontrados foram por meio de ​​subsídios para cuidados de saúde preventiva. 

Para a Academia, esses resultados apresentados por Banerjee, Duflo e Kremer mostram que a questão da pobreza pode ser combatida de forma mais eficiente se dividida em questões menores e mais precisas.

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Pesquisa de campo

Para Flávia Ávila, especialista em Economia Comportamental e fundadora da consultoria InBehavior Lab, um dos grandes trunfos dos pesquisadores que ganharam o Nobel é a pesquisa de campo. “O caminho que eles têm produzido de forma brilhante é entender melhor o contexto das pessoas que vivem em situação de pobreza e escassez”, diz. 

“O diferencial deles é a profundidade que alcançaram com o estudo de campo, essa metodologia é a alternativa para fazer a diferença, já que aponta mesmo se determinada solução faz sentido ou não”.

Ainda segundo Ávila, as pessoas ficam céticas quando se deparam com estudos comportamentais. “Não é combater a pobreza por combater a pobreza ou realizar um estudo apenas teórico, é se basear em dados e usar os recursos corretos para transformar a realidade das pessoas”, diz. “Pesquisas práticas baseadas em ciência e dados cria forças para cada vez mais desenvolvermos políticas públicas a partir de evidências”, diz Ávila. 

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Laboratório

Um dos métodos de trabalho de Duflo, Banerjee e Kremer é realizar parcerias com ONGs e governos locais para implementar mudanças econômicas apenas para uma parte da população. A escolha de quem será submetido a um experimento e quem será o grupo controle é aleatória. Conheça alguns dos experimentos realizados pelos pesquisadores nos últimos 20 anos:

 - Livros didáticos versus comida no Quênia

Qual seria a forma de melhorar o desempenho acadêmico de crianças que frequentam escolas em áreas pobres: dar comida ou livro didático? Durante os anos 1990, Kremer e os seus colegas fizeram um experimento em regiões rurais do Quênia. Os livros didáticos só tiveram efeitos para os melhores alunos. As refeições não alteraram o aprendizado.

- Professores auxiliares só para os piores alunos

Experimentos de campo mostraram que a ajuda direcionada aos alunos mais fracos é uma medida eficaz para lidar com a falta recursos para educação nos países de baixa renda e adaptar o ensino às necessidades reais dos alunos.

- Vacinação com ou sem brinde

Os economistas fizeram uma experiência com um centro móvel de profissionais de saúde, que ia até as vilas. A cobertura da vacinação aumentou de 6% para 18%. Em algumas áreas, eles davam um saco de lentilhas para as famílias que vacinassem seus filhos. A taxa entre esse grupo subiu para 39%.

- Remédio barato x remédio gratuito

Um estudo conduzido por Kremer na Índia mostrou que se uma pílula para combater vermes for gratuita, 75% dos pais vão usá-la em seus filhos. Se ela custar menos de US$ 1 (ou seja, ainda com preço subsidiado), essa porcentagem cai para 18%.

Perfis

Aos 46 anos, Esther Duflo é a segunda mulher a vencer o Nobel de Economia - a americana Ellinor Ostrom conquistou o prêmio em 2009  - e também a mais jovem. Ela é casada com Abhijit Banerjee, com quem também dividiu o prêmio. Ela se tornou, em 2002, a mais jovem professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde leciona até hoje – Duflo tinha 29 anos.

"Estou honrada. Para ser honesta, não achei que era possível ganhar o Nobel tão nova", reagiu a economista. "O prêmio Nobel de Economia é único em comparação com outros prêmios, que reflete uma mudança no campo econômico e geralmente leva muito tempo antes que a teoria seja posta em prática", acrescentou em entrevista à Academia.

Abhijit Banerjee foi professor orientador de doutorado de Esther Duflo no MIT em 1999. Eles tiveram um filho em 2012 e se casaram formalmente em 2015. Ele e a esposa são o sexto casal a ganhar em conjunto um Prêmio Nobel.

Banerjee é Ph.D., desde 1988, em Economia pela Universidade de Harvard e co-fundador do Laboratório de Ação contra a Pobreza Abdul Latif Jameel. Seu trabalho se concentra na economia do desenvolvimento.

Michael Kremer é professor na Universidade de Harvard. Ele concentrou sua pesquisa em causas beneficentes, em um esforço para ajudar pessoas que sofrem em todo o mundo. 

Kremer é membro da Giving What We Can, uma sociedade internacional para a promoção do alívio da pobreza e fundador e presidente da WorldTeach, uma organização baseada em Harvard que coloca estudantes universitários e recém-formados como professores voluntários em programas de verão e de um ano nos países em desenvolvimento ao redor do mundo.

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História do Nobel

O Prêmio Nobel existe desde 1901. Nasceu da iniciativa do químico e industrial sueco Alfred Nobel, inventor da dinamite. Ele deixou em seu testamento, em 1896, o seu desejo da criação de uma premiação que prestigiasse aqueles que, no futuro, servissem ao bem da humanidade. 

Destinou a quantia de 32 milhões de coroas suecas para a fundação de uma instituição que administraria o prêmio. Química, Física, Fisiologia ou Medicina, Literatura (atribuídos por especialistas suecos) e Paz Mundial (atribuído por uma comissão do parlamento norueguês) foram os cinco primeiros prêmios existentes.

O Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel foi criado apenas em 1968, financiado pelo Banco Central da Suécia. Assim, o Prêmio de Economia não possui relação com Alfred Nobel, não sendo pago com o dinheiro privado da Fundação Nobel, mas sim com o dinheiro público do banco central sueco.

Qual o prêmio?

Cada ganhador é premiado com uma medalha de ouro, um diploma com a citação da condecoração e um montante em dinheiro.

Últimos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia

  •       2018: William Nordhaus e Paul Romer (Estados Unidos), por integrar a mudança climática e a inovação tecnológica no crescimento econômico.
  •       2017: Richard Thaler (Estados Unidos), por sua pesquisa sobre as consequências dos mecanismos psicológicos e sociais nas decisões dos consumidores e dos investidores.
  •       2016: Oliver Hart (Reino Unido/Estados Unidos) e Bengt Holmström (Finlândia), por suas contribuições à teoria dos contratos.
  •       2015: Angus Deaton (Reino Unido/Estados Unidos) por seus estudos sobre “o consumo, a pobreza e o bem-estar”.
  •       2014: Jean Tirole (França), por sua “análise do poder do mercado e de sua regulação”.
  •       2013: Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre os mercados financeiros.
  •       2012: Lloyd Shapley e Alvin Roth (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre a melhor maneira de adequar a oferta e a demanda em um mercado, com aplicações nas doações de órgãos e na educação.
  •       2011: Thomas Sargent e Christopher Sims (Estados Unidos), por trabalhos que permitem entender como acontecimentos imprevistos ou políticas programadas influenciam os indicadores macroeconômicos.
  •       2010: Peter Diamond e Dale Mortensen (Estados Unidos), Christopher Pissarides (Chipre/Reino Unido), um trio que melhorou a análise dos mercados nos quais a oferta e a demanda têm dificuldades para se acoplar, especialmente no mercado de trabalho.

 

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