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Dólar alcança maior patamar em 14 meses. Entenda o porquê

Nesta semana, declarações do ministro da Economia provocaram reações do mercado e a moeda americana chegou a 4,26 reais. Entenda se a oscilação pode afetar o seu dia a dia

Escrito por Flávia Marques em 27.11.2019 | Atualizado em 28.11.2019

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No último mês, o real foi uma das moedas que mais perderam valor em relação ao dólar - atrás apenas do bolívar venezuelano e do peso chileno. A situação ficou ainda mais séria no início desta semana, quando o ministro da economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil deveria se acostumar com um dólar mais alto. No dia seguinte, o valor da moeda americana bateu recorde e superou os 4,25 reais. 

Mas o dólar estava em alta mesmo antes do discurso de Guedes. Desde o dia 06 de novembro, quando saiu de 3,99 reais para 4,08 reais, a moeda passou por sucessivas altas. Mauro Rochlin, professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que o cenário é reflexo de um conjunto de acontecimentos na economia e na política mundial. Segundo ele, o Brasil ficou menos atrativo para os investidores internacionais com a diminuição da diferença da nossa taxa de juros com a dos Estados Unidos, o que ajuda a justificar o cenário.  

Afinal, por que o dólar está aumentando? 

Embora as declarações do ministro da Economia tenham levado o câmbio a um estresse ainda maior, outros fatores de política externa contribuem para o aumento do dólar. “Temos o cenário econômico mundial ainda nebuloso com o entrave da guerra comercial entre China e os EUA e a turbulência na América do Sul, que contribui para a avaliação negativa de investidores internacionais”, comenta Mauro Rochlin.

Além disso, os obstáculos enfrentados pelo governo devem ser levadas em consideração. “Há ainda as dificuldades políticas do Brasil, que aprovou a Reforma da Previdência, mas colocou em compasso de espera as outras", explica Mauro Rochlin.

Leia também: O que falta para a economia do Brasil decolar de vez? 

Por que o dólar reage a eventos políticos? 

O dólar é a principal moeda do comércio internacional. Quando os estrangeiros resolvem fazer investimentos ou comprar ações e títulos no Brasil, eles trazem dólares ao país, que aqui são trocados por reais. 

Quando os investidores estão comprando mais uma determinada ação e dispostos a pagar mais por ela, os preços sobem. Se a maioria resolve vender suas ações e a oferta supera a demanda, a tendência é que os preços caiam. A pressão para concretizar uma compra ou venda pode acontecer por diversos fatores, como questões da economia nacional e notícias internacionais. 

Quando ocorre um cenário de insegurança política e econômica no país, os investidores deixam de trazer seus investimentos para o Brasil, reduzindo a oferta da moeda. O efeito disso é a moeda subir. “Quando temos uma maior procura pelo produto brasileiro, há uma entrada maior de dólar, o que faz a moeda americana cair”, explica Felipe Pellegrini, especialista em gestão financeira e gerente de tesouraria do Travalex Bank. 

É por isso que declarações como a de Paulo Guedes influenciam a cotação do dólar. “Se pararmos para analisar, o ministro da Economia é a figura indicada indicada pelo Executivo, e as medidas que ele e sua equipe tomarem vão mudar os rumos da macroeconomia”, comenta Pellegrini. “O discurso desta semana e a rápida reação do mercado demonstraram isso”. 

Impactos no dia a dia 

Para o consumidor, os efeitos da alta do dólar devem ser sentidos no dia a dia. “Essa mudança se reflete especialmente em produtos cuja comercialização envolva relações com o mercado externo ou que tenham insumos importados envolvidos na produção”, explica Felipe Pellegrini. “Com a alta da moeda americana, esses produtos passam a ter custos mais altos, o que pode refletir em aumento dos preços no mercado doméstico”. 

Um deles é o combustível, que está ligado ao mercado internacional. Então, quando o dólar fica mais caro, o preço em reais do combustível também sobe. “Outro item bem presente na rotina dos brasileiros e que pode ter o preço reajustado é o pão, já que o trigo é uma matéria-prima importada”, exemplifica. 

Leia também: Da Previdência ao preço da gasolina: como a economia está reagindo 

Para Mauro Rochlin, a permanência da moeda norte-americana em patamar elevado pode “desarrumar” a economia brasileira e deve gerar impactos negativos no mercado de trabalho. "Os juros vão subir e a retomada econômica encontrará dificuldades, principalmente quanto à geração de empregos", analisa o professor da FGV.

Em relação aos produtos importados da ceia de Natal, o economista explica que os consumidores não precisam se preocupar, já que os empresários costumam comprar os produtos com antecedência. “A alta mais recente só vai ter impacto no início de 2020", afirma o professor da FGV. 

Viagem: dólar caro deve alterar planos? 

Em períodos de dólar em alta, uma questão preocupa os consumidores: o encarecimento das viagens internacionais. Para quem vai viajar para o exterior, Rochlin aconselha comprar dólares aos poucos para diluir as oscilações da moeda e obter um preço médio razoável ao fim das compras.

A recomendação geral para os turistas, de acordo com especialistas em câmbio, é fracionar a compra do dólar turismo e não esperar momentos de queda. Deixar para providenciar os dólares faltando pouco, na esperança que o valor diminua, não é bom negócio. “Comprar um pouco por mês, ou a cada quinze dias, é mais interessante”, afirma Pellegrini. “Assim, o consumidor tem acesso a uma taxa média e corre menos risco de encontrar um cenário desfavorável, como o que temos agora”, aconselha o especialista. 

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Flávia Marques

Escrito por Flávia Marques

Repórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.
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