Revolucionando o empréstimo no Brasil
Economia

Perspectiva é que Selic caia até o final do ano. Entenda o porquê

Por enquanto, o Banco Central manteve a taxa básica em 6,5%. Expectativa de economistas, no entanto, é que a Selic encerre o ano em 5,75%. Descubra os principais motivos e como isso pode impactar na sua vida

Escrito por Flávia Marques em 28.06.2019 | Atualizado em 19.09.2019

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Em sua última reunião, realizada em junho, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, optou por manter a Selic, taxa básica de juros, em 6,5% ao ano. Essa é a 11ª vez consecutiva que os juros são mantidos nesse patamar, um recorde de manutenção da taxa, que teve sua última alteração em março de 2018, quando passou de 6,75% a 6,5%. A expectativa, porém, é que o valor mude até o final do ano. Especialistas indicam que a taxa que rege os juros do Brasil possam cair ainda mais. “Mais de 100 instituições financeiras estimam que, até o fim do ano, chegue a 5,75%. Outras apostam em 5,5%”, diz Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo.

A possibilidade da queda, no entanto, tende a ficar para o final do ano. De acordo com os representantes do Copom, a decisão dos próximos passos - e, principalmente, da possível redução da Selic -, dependerá do resultado e resposta da economia em geral. 

Embora a instituição tenha negado recentemente que esteja pressionando o governo para a aprovação de reformas econômicas, como a da Previdência, o BC informou que os ajustes são fundamentais para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. 

De acordo com Alfieri, o desempenho de setores como a indústria e o comércio são essenciais para entendermos as condições do mercado e da Selic nos próximos meses. “Se esses setores estiverem desacelerando, é um indício de que a taxa Selic deve cair”, explica o especialista. 

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Queda histórica da Selic: de 14,25% a 6,5% em três anos

Com reuniões a cada 45 dias, o Copom, Comitê do Banco Central, discute o andamento da economia do país, avalia a inflação e outros indicadores importantes para o mercado. Essas análises resultam a definição da taxa Selic, que pode ser elevada ou reduzida para atingir a meta da inflação, por exemplo. 

Prova disso foram as medidas tomadas pelo governo anterior, de Michel Temer (MDB). Em meio a dois anos seguidos de recessão do PIB, que recuou 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016, a equipe econômica do então presidente passou a trabalhar para reduzir a taxa básica de juros. 

Desde outubro de 2016, o governo toma medidas para reduzir a Selic. Foram 12 cortes na taxa, que passou de 14,25% a 6,5%, patamar mantido desde março de 2018.

Em fevereiro de 2018, quando a gestão de Temer passou a Selic de 7% para 6,75%, o líder fez um pronunciamento em vídeo publicado no site do governo federal, dizendo que sua equipe econômica estava gerando incentivos a investimentos e à geração de emprego. 

“Quando eu digo que os juros diminuem, é claro que eu digo que isto terá repercussão para você viver melhor, para o supermercado não aumentar os preços, para você poder desfrutar um pouco mais do salário que você ganha e, portanto, também acompanhar o desenvolvimento do país”, disse Temer em vídeo publicado à época.  

Agora, sob a gestão de Jair Bolsonaro, a equipe do Banco Central, presidida por Roberto Campos Neto, poderá fazer com que a Selic chegue ao patamar de 5,75%. Já a meta central da inflação para o ano é de 4,25%.

Reflexos no dia a dia

A Selic é a taxa básica de juros. Isso significa que ela funciona como um parâmetro para as outras taxas do mercado e está relacionada a outros indicadores. Um deles é a inflação: quando ela aumenta, o Banco Central também aumenta a Selic. Quando a inflação cai, o BC abaixa a taxa básica.

Quando a taxa Selic está em um patamar mais baixo, as pessoas são estimuladas a consumir e as empresas conseguem crédito com taxas de juros menores. “Isso estimula o crescimento das empresas e acelera a economia de modo geral. Mais empregos são gerados e as coisas melhoram para todo mundo”, detalha o economista da ACSP. 

“O contrário acontece quando a Selic aumenta: os financiamentos ficam mais caros, as famílias consomem menos e as empresas também passam a investir e crescer menos”, completa.

Mas, segundo o especialista, as consequências nunca são sentidas imediatamente. Para ele, existe defasagem entre a redução das taxas como a Selic e os efeitos para o consumidor. Isso porque os resultados dessas mudanças começam a ser sentidos depois de seis a oito meses.

Portanto, se a Selic ficar mais baixa nos próximos meses, como o mercado espera, o consumidor deve perceber mudanças apenas no início do próximo ano.

Selic baixa x juros altos  

Na teoria, as taxas de juros em geral tendem a baixar à medida que a Selic diminui. Na prática, os brasileiros ainda têm dificuldades para comprar a prazo e ter acesso a financiamentos com taxas de juros baixas

“Nos últimos dois anos, a taxa Selic caiu para menos da metade, de 14,25% para 6,5%. Por outro lado, a taxa de crédito para pessoa física girava em torno de 42% ao ano e diminuiu para 31%, uma queda bem menor”, compara o economista. 

Alfieri explica que isso acontece porque, para conceder crédito, as instituições financeiras não avaliam apenas a Selic. Mais que a taxa básica de juros, o custo do empréstimo envolve outros fatores, como gastos de operação e custos tributários. Além disso, há também o chamado “risco de crédito”, que é a possibilidade de perdas associadas ao não cumprimento das obrigações financeiras assumidas no contrato, à desvalorização de contrato de crédito, à redução de ganhos ou remuneração e etc. 

“Diferente do que muitos pensam, até os bons pagadores apresentam riscos, porque essas pessoas também estão sujeitas aos efeitos da crise econômica”, conta Alfieri. “Um consumidor que nunca atrasou o pagamento das suas contas pode ficar desempregado de uma hora para a outra, por exemplo, e deixar de honrar seus compromissos financeiros. Tudo isso também é levado em consideração nos financiamentos, empréstimos e outras modalidades de crédito”, esclarece o economista.  

 É possível fazer previsões?

No último comunicado, o Banco Central disse que a economia nacional parou de se recuperar e que o cenário externo melhorou para justificar a manutenção da Selic em 6,5%, mas destacou a necessidade no avanço concretos de reformas – como a da Previdência – para que a taxa não seja impactada. 

“As questões que envolvem a Reforma da Previdência não acontecem apenas no país: a população do mundo todo está vivendo mais e tendo menos filhos. A aprovação da Reforma é, sem dúvida, fundamental para o mercado brasileiro volta a crescer”, defende o economista da ACSP.

 

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Flávia Marques

Escrito por Flávia MarquesRepórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.

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