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Dinheiro de volta: saiba o que é cashback e como aproveitar a modalidade

Plataformas que devolvem parte do dinheiro investido no consumo são alternativas para diminuir os gastos. Descubra o que é cashback e algumas dicas para usá-lo de maneira consciente

Escrito por Thiago Fadini em 10.04.2019 | Atualizado em 12.04.2019

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Em janeiro deste ano, o engenheiro Guilherme Makki, aos 27 anos, decidiu dar um grande passo em sua vida: ele optou por sair de casa e morar sozinho. A partir dessa guinada nos planos, artigos como móveis, eletrodomésticos e outros componentes para casa passaram a ser o foco das buscas feitas por ele na internet. A procura ficou mais fácil e atrativa, porém, quando um amigo o apresentou uma plataforma de cashback - plataforma que devolve parte do dinheiro investido em consumo.

“Ele me explicou o que era e achei interessante: após comprar algum item, eu conseguiria resgatar parte do dinheiro. Ou seja: economizaria no consumo e montando a minha casa”, explica o engenheiro. “Por ser prático, já que é só baixar o aplicativo e realizar um cadastro, baixei e comecei a usar”, conta Makki.

Para testar a plataforma, as primeiras compras do engenheiro pelo sistema de cashback, efetivamente, foram de cosméticos. Depois vieram a geladeira, a máquina de lavar roupas, sapatos e até passagens para viagens rodoviárias.

Desde então, mais de 200 reais ‘pingaram’ na conta bancária de Guilherme Makki oriundos de compras por meio da plataforma Méliuz. O dinheiro foi um bom reforço nos gastos diários - principalmente agora que mora sozinho. “Toda vez que eu entrava na plataforma (do cashback) e via que tinha mais de 25 reais (valor mínimo para movimentação), já solicitava o resgate. Não deixava acumular porque lá não rende”, diz.

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O que é cashback

Assim como o exemplo de Guilherme Makki, milhares de brasileiros começaram a se beneficiar nos últimos anos por meio dessa modalidade que, em termos práticos, nada mais é do que uma divisão da comissão pela venda de um produto entre a empresa que gere o sistema e o consumidor.

Por exemplo, se uma empresa de artigos esportivos quer usar a plataforma de cashback como vitrine virtual para expor os produtos, ela paga um determinado valor para estar ali e anunciar. Ao consumidor, é oferecida uma parte desse montante caso a compra de algum dos produtos relacionados se concretize. A porcentagem da recompensa, que pode variar de 1% a 50% em casos de promoção, é definida e explicitada já no anúncio do item buscado. Dessa forma, a loja potencializa o alcance de vendas, a plataforma ganha por ter feito a ponte e o consumidor termina a operação com um retorno financeiro.

Para o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP), Cesar Caselani, o cashback faz parte de um marketing financeiro que pode ser muito bem utilizado pela indústria do varejo, caso consiga fidelizar os clientes com benefícios reais e melhores do que os já conhecidos. O especialista também acredita que a ascensão das fintechs e a tendência do público jovem em buscar plataformas online é outro fator que pode propulsionar o modelo de compras.

“Muitos jovens abrem conta em plataformas digitais e elas mesmas estão oferecendo esse produto. Há o interesse por parte das empresas de estimular o uso, por ser uma maneira de atrair o cliente. Imagino que há um potencial para isso”, explica Caselani.

Seu dinheiro de volta: o mercado do cashback

Conhecido pelos consumidores nos Estados Unidos há mais de 20 anos, o modelo está ganhando corpo no Brasil desde 2011. A ideia principal do programa de recompensas em dinheiro é ser uma alternativa ao sistema de fidelização por acúmulo de pontos praticados pelo comércio e pelas instituições financeiras. Geralmente, os programas tradicionais colocam a pontuação à disposição dos clientes somente quando está bem elevada e para troca por produtos específicos.

Plataformas como Beblue, Ame Digital, Cashback World, Ganhe de Volta e Méliuz são exemplos de empresas que trabalham com o serviço de cashback. Somente no ano passado, o Méliuz, por exemplo, devolveu 45 milhões de reais aos usuários da base, que hoje computa sete milhões de pessoas. Segundo a empresa, a expectativa de crescimento para 2019 é de 100%. Para isso, o lançamento de um novo cartão, que promete devolver 0,8% em qualquer aquisição de bens ou serviços, deve alavancar o negócio.

E mesmo com restrições de resgate de pontuação e produtos que podem ser trocados pelos consumidores, o mercado de programas de fidelidade rende bons frutos. Dados mais recentes da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF) indicam que os participantes de programas de fidelidade de seis de suas associadas (Dotz, Grupo LTM, Multiplus, Netpoints, Smiles e TudoAzul) trocaram 64,4 bilhões de pontos/milhas por produtos e serviços no terceiro trimestre de 2018. O número é o maior já registrado pelo histórico da associação, iniciado em 2016.

Afinal, como o sistema de cashback funciona?

A plataforma funciona como um espaço para anúncio e recebe uma fatia do valor por atrair o cliente. A porcentagem da recompensa (dinheiro de volta) ao usuário varia de acordo com a parceria entre a loja - física ou online - e a empresa de cashback, além da natureza do produto. O consumidor pode ter o benefício em lojas de departamento, supermercados, postos de combustível, agências de viagem, entre outros.

Para aderir à modalidade de cashback, o consumidor precisa realizar um cadastro pelo site ou aplicativo da plataforma escolhida. Dados pessoais e bancários são solicitados para criar uma conta. Assim que os dados são aprovados, o usuário já pode utilizar o sistema nas compras.

Cada empresa define regras próprias para acúmulo de cashback, valor mínimo para resgate e prazo de expiração da recompensa. Se a companhia escolhida trabalhar com vendas online, o cliente deve entrar no site da plataforma de cashback e de lá ser redirecionado para a loja parceira. No caso de estabelecimentos físicos, basta que o usuário pague por meio de uma maquininha específica.

A consulta do montante a ser resgatado pode ser feito por meio do aplicativo ou do sistema de cada empresa. Outro ponto importante é que o benefício pode vir por meio do dinheiro em si ou de descontos com lojas parceiras do sistema.

Quando o cashback vale a pena?

Receber uma parte do dinheiro de volta é um bom estímulo às compras, mas como com todo produto de consumo, é necessário ter cuidado para fazer um bom uso do cashback. O engenheiro - e usuário da modalidade - Guilherme Makki, por exemplo, emprega um pouco mais de tempo comparando as taxas de retorno da recompensa entre as lojas parceiras da plataforma. Dessa forma, ele pode calcular o custo-benefício de um produto que é vendido em mais de um lugar.

“Além do dinheiro, acho que também é muito prático e se você tiver um pouquinho mais de paciência e engajamento, pode entrar no site e identificar quais parceiros estão com a melhor taxa de conversão de cashback”, afirma Makki.

O professor de finanças Cesar Caselani alerta ainda para alguns pontos que devem levados em consideração antes de escolher uma das dezenas e plataformas existentes no mercado. Assim como com os preços dos produtos, a comparação de regras entre um sistema e outro pode fazer a diferença no bolso no futuro.

Entre as dicas dadas pelo especialista, a principal é avaliar sempre o cenário do consumo. Qual é o percentual que vai retornar? Faça um cálculo líquido da compra e de quanto pode retornar. Por exemplo: se eu gastei 100 reais, desse montante, quanto retorna em cashback? Uma instituição devolve mais do que a outra? Tenho que esperar muito para receber esse retorno? Leve todos esses pontos no momento de utilizar a modalidade.

Outro item que deve estar na lista de avaliação do consumidor é a possibilidade da empresa cobrar alguma taxa pelo serviço prestado ou ainda disponibilizá-lo mediante uso contínuo de outro produto, como um cartão - meio de pagamento usado para acumular milhas, por exemplo.

“Associado à esse produto, existe algum tipo de tarifa? Preciso pagar algum tipo de anuidade a ter direito a esse cashback? Tenho que ver quanto me custa usar determinado cartão. Cartões que oferecem milhas, por exemplo, geralmente são mais caros”, argumenta Caselani.

Por fim, e não menos importante, o consumidor deve deixar o termômetro do consumismo ativo sempre que for abrir o aplicativo ou site do sistema de cashback. Criar a ilusão de que comprando mais você receberá mais dinheiro, significa tomar um atalho para o mau endividamento.

“Não aumentar demasiadamente seu consumo só para ter uma devolução desse dinheiro, especialmente se esse consumo for em coisas supérfluas. Senão, ao final, o cara terminou a compra de forma pior do que quando começou”, conclui Cesar Caselani.

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Thiago Fadini

Escrito por Thiago Fadini

Repórter da Revista Digital Creditas. Conectado à economia, política, novos negócios e, nas horas vagas, metido a comentarista esportivo.
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