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Inclusão racial nas empresas: menos de 30% dos líderes são negros

Negros representam maior parte da força de trabalho no Brasil, mas ainda são minorias em cargos de liderança. Como as companhias podem promover a inclusão racial?

Escrito por Flávia Marques em 19.11.2019 | Atualizado em 19.11.2019

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No Brasil, assuntos relacionados à promoção da diversidade e inclusão de minorias no mercado de trabalho têm sido cada vez mais discutidos. Mas, apesar dos avanços nas pautas, a realidade ainda revela a necessidade de muitas melhorias. A inclusão racial nas empresas, por exemplo, é um desafio que merece olhar atento - e urgente. 

O relatório “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, divulgado na última semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com base em pesquisas realizadas em 2018, analisou as desigualdades entre brancos e negros (pretos e pardos) ligadas à distribuição de renda, qualidade de vida, representação política e trabalho. 

E, quando o assunto é carreira, os negros estão em desvantagem: apesar de constituírem a maior parte da força de trabalho no País, eles ocupam menos de 30% dos cargos de liderança do mercado.  

Além disso, as pessoas pretas ou pardas são a maior parte da população desocupada ou subutilizada. Este grupo inclui os desempregados, subocupados - que trabalham menos de 40 horas por semana e gostariam de trabalhar mais - e a chamada força de trabalho potencial, formada por pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram, ou que não tinham disponibilidade para trabalhar quando a pesquisa foi realizada. Hoje, os negros formam dois terços dos desocupados e dos subutilizados na força de trabalho no país. 

Inclusão racial nas empresas é uma realidade distante?

Nos últimos anos, o Brasil avançou em termos de inclusão social e econômica, mas a desigualdade racial ainda é um problema longe de ser solucionado. Ainda segundo o IBGE, em 2018 o número de pretos e pardos nas universidades públicas superou o de brancos pela primeira vez e passou a representar 50,3% dos estudantes de ensino superior da rede pública. 

Entre a população negra, o abandono escolar caiu, de 30,8%, em 2016, para 28,8% em 2018. A melhoria dos índices educacionais dessa parcela da população na rede de ensino é, em parte, reflexo de políticas públicas, como o sistema de cotas, que proporcionaram o acesso e permanências da população preta e parda nas universidades. Mesmo assim, os negros continuam sub-representados nas instituições de ensino superior, já que correspondem a 55,8% da população brasileira. 

Parece contraditório: embora sejam maioria nas universidades, os negros ainda encontram dificuldades para ocupar altas posições no mercado. Para Patrícia Santos, especialista em carreira e mercado, CEO e fundadora da consultoria EmpregueAfro, alguns critérios adotados nos processos seletivos contribuem para a manutenção do cenário de disparidade, já que o acesso a qualificações complementares também é um obstáculo para a população negra, também menos favorecida economicamente. “As dificuldades ocorrem, em grande parte, devido aos filtros do processo de seleção”, afirma. 

“A exigência do conhecimento em idiomas, por exemplo, é um impeditivo bastante comum”, completa Patrícia. Segundo dados do Instituto Ethos, que mapeia ações voltadas para a inclusão social nas companhias, caso o ritmo se mantenha, a igualdade racial no ambiente de trabalho só será alcançada em 150 anos. 

Novas iniciativas visam mudar cenário desigual

Reverter o cenário atual de sub-representação em cargos de liderança, estimular a promoção da diversidade e da equipe racial e de gênero no mercado de trabalho são causas defendidas por instituições em todo opaís por meio de iniciativas diversas.

Com o apoio de organizações como o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), o Institute for Human Rights and Business (IHRB) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Instituto Ethos desenvolveu a Coalizão Empresarial Nacional sobre Equidade de Gênero e Raça. O conjunto de ações envolve debates, troca de experiências e estímulo à implementação e ao aprimoramento de políticas públicas e práticas empresariais para superar a discriminação de gênero e raça nas organizações.

Nesse sentido, novos projetos ganham espaço e contribuem para mudar o cenário de desigualdade do mercado de trabalho. Exemplo disso é a EmpregueAfro, uma consultoria de Recursos Humanos focada na diversidade étnico-racial. Hoje, a empresa atua no treinamento, recrutamento e seleção de profissionais para que os negros se sintam incluídos no mercado de trabalho. 

A empresa é comandada por Patrícia Santos, que criou o projeto em 2004. Na época, ela fazia estágio na área de RH de uma emissora de TV em São Paulo. Foi quando percebeu que nos processos seletivos que organizava não iam negros, e que essa parcela da população não tinha acesso às informações sobre as vagas. 

Ao portal Exponencial, ela falou sobre a origem da EmpregueAfro, compartilhou a sua visão sobre a participação dos negros no mercado de trabalho e suas perspectivas sobre a equidade racial no país. Confira, a seguir: 

 

  • Como surgiu a ideia de criar a EmpregueAfro? 

 

A EmpregueAfro foi criada como um projeto social e, em 2013, passou a ser consultoria. Inicialmente, a ideia era fazer palestras para orientar jovens negros sobre comportamento em entrevista de emprego, como montar um currículo e afins. Depois, as empresas começaram a me chamar para prestar serviços. 

Hoje, nós prestamos serviços de RH com foco em diversidade étnico-racial. Fazemos treinamentos que envolvem a temática, recrutamento e seleção de profissionais negros em todos os níveis - seja como porta de entrada no mercado de trabalho, com programas de estágio e trainee ou vagas efetivas -, acompanhamento pós-contratação e aprimoramento de competências. 

 

  • Segundo os dados mais recentes do IBGE, menos de um terço dos cargos de liderança é ocupado por negros. Na sua visão, o que explica essa situação? 

 

Essa situação acontece por conta do racismo institucional. Como o racismo é estrutural na sociedade, ele está presente em todas as esferas. As empresas, enquanto instituições dessa sociedade reproduzem o racismo na falta de contratação e promoção de profissionais negros. Sem se dar conta, elas contratam e promovem pessoas que se parecem com elas mesmas, e não oferecem oportunidades aos que são “diferentes”. 

 

  • Você acredita que em algum momento esse cenário deve se igualar? 

 

A meu ver, em uma perspectiva bem otimista, esse cenário tende a se igualar nos próximos 30 anos. Segundo o BID, a equidade racial no país vai demorar 150 anos para chegar… Não podemos esperar. 

 

  • Na prática, o que as empresas podem fazer para aumentar a representatividade negra, especialmente em cargos gerenciais? 

 

É preciso priorizar ações afirmativas que envolvem engajamento, treinamento, recrutamento e seleção, comunicação e, por fim, práticas de monitoramento de promoção de profissionais negros.  

 

  • Na sua visão, um sistema de cotas no mercado de trabalho, tal como nas universidades, seria uma alternativa interessante para solucionar essa disparidade? 

 

Acredito que não. Um sistema punitivo na situação político-econômica que estamos vivendo poderia polarizar a discussão e afastar muitos aliados. Acredito no caminho da conscientização, principalmente porque hoje diversidade é uma estratégia de negócios, principalmente em termos de lucratividade, já que somos a maioria da população economicamente ativa no país. 

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Flávia Marques

Escrito por Flávia Marques

Repórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.
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