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Igualdade de gênero? Mulheres têm 19% dos cargos de chefia no país

Apesar de mais qualificadas, elas têm menor participação em diretoria das empresas. Leyla Nascimento, primeira presidente da WFPMA, fala sobre os desafios enfrentados pelo público feminino

Escrito por Vanessa Ferreira em 23.10.2019 | Atualizado em 24.10.2019

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A igualdade de gênero e diversidade nas  empresas são temas cada vez mais discutidos, dentro e fora das companhias. Embora as mulheres tenham conquistado uma participação cada vez mais efetiva no mercado de trabalho - atualmente, o público feminino representa 40% da população economicamente ativa, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - elas ainda ganham, em média, 20,5% menos que os homens e enfrentam desafios na progressão de carreira. 

No Brasil, apenas 13% das empresas têm CEOs mulheres, de acordo com o estudo mais recente realizado pelo Insper com a Talenses. Ainda segundo a pesquisa, elas ocupam 26% dos cargos de diretoria, 23% dos postos de vice-presidentes e 16% dos cargos em conselhos. De modo geral, elas têm, em média, 19% dos cargos de liderança nas empresas brasileiras.

Levando em conta que elas são maioria em cursos de graduação e pós-graduação e que buscam mais capacitação que os homens, esses dados causam, no mínimo, estranheza. 

Abrindo caminhos para a igualdade de gênero nas empresas

Na contramão dessa realidade, Leyla Nascimento conquistou, por muita vezes, cargos de chefia. Com 30 anos de atuação no mercado de RH, ela é vice-presidente de Relações Internacionais da ABRH-Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), fundadora e CEO do Grupo Capacitare, que oferece consultoria de recrutamento e seleção. 

Ela também foi a primeira mulher  brasileira a assumir a Presidência da WFPMA (World Federation of People Management Associations - a Federação Mundial de Recursos Humanos), cargo que ocupará até 2020. A entidade internacional representa mais de 600 000 profissionais de gestão de pessoas em mais de 90 associações nacionais de recursos humanos pelo mundo.

Em entrevista exclusiva ao portal Exponencial, Leyla fala sobre a sua carreira, compartilha sua visão sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho e expectativas para o setor de Recursos Humanos. Confira, a seguir:

Leia mais | Liderança feminina sofre queda e apenas 13% de CEOs são mulheres

Tendo em vista que sua primeira formação é em Pedagogia, o que te levou a entrar na área de Recursos Humanos? O conhecimento como pedagoga contribuiu de alguma forma para a atuação em gestão de pessoas?

Eu sempre vi a pedagogia com o foco nas empresas e não em escolas. Entendia que o mundo empresarial deveria ter pedagogos em suas áreas de recursos humanos. Na época, iniciou a admissão de profissionais de pedagogia nas áreas de treinamento e de avaliação de desempenho. A pedagogia nos dá o olhar sistêmico da formação do ser humano, a sua inserção e interação na sociedade. 

Em sua trajetória, o que tem observado quanto à evolução do papel da mulher no mercado de trabalho e os rumos para onde caminha a gestão de Recursos Humanos?

O espaço da mulher no mercado de trabalho, em especial na liderança tem crescido e apresentado ambientes com atributos femininos. Me refiro ao momento que vivemos hoje da necessidade das empresas terem ambientes mais abertos aos diálogos, engajamento e compreensão de que os profissionais veem o seu trabalho como complemento de uma qualidade de vida que eles tanto desejam. 

Os atributos femininos a que me refiro da mulher, como a emoção, ser multitarefa e ter facilidade de interagir com as pessoas, contribuem para um bom clima organizacional, maior engajamento e produtividade.

Sendo muitas vezes a única mulher nos cargos de chefia que ocupou e a primeira mulher a assumir a liderança da Federação Mundial de Recursos Humanos, certamente já enfrentou muitos preconceitos e obstáculos em sua carreira. Como conseguiu ou consegue, ainda, lidar com isso? 

Estar na presidência da Federação Mundial depois de 42 anos de fundação causa surpresa, embora a área de recursos humanos seja, em sua maior parte, liderada por mulheres. Passei por muitas situação de preconceitos e procurei não me deixar inibir, por entender que eu estava protagonizando algo desafiador ao romper paradigmas de uma época. Ouvi coisas como “quero falar com o seu gerente” quando eu era a gerente ou, em reuniões, “fale pouco, porque você pode não ser muito bem recebida em seus argumentos”, mesmo sendo a primeira mulher em cargos executivos ou em outras funções como a Federação Mundial. Essas situações sempre me acompanharam. A minha geração desbravou essa possibilidade de colocar a mulher em posições de liderança e enfrentar essas adversidades. Levo sempre comigo as palavras de minha mãe: “por que não?”.

Qual conselho você daria às mulheres que desejam alcançar cargos de liderança em suas carreiras? Você acha possível seguir uma receita para o sucesso profissional?

Ter foco naquilo que deseja como profissional e buscar o conhecimento necessário para cumprir ao que se propõe em sua atuação. Estamos em um mundo sem respostas prontas, com mudanças diárias de cenários. O conhecimento precisa ser contínuo, porque ele é volátil para se adaptar aos desafios corporativos. Assumir cargos de liderança requer segurança técnica, comunicação e relacionamento permanente com suas equipes, ser um desenvolvedor de pessoas para atender às demandas das novas gerações e dos profissionais que veem as suas profissões serem transformadas com os impactos da tecnologia. 

Leia também | Boa liderança: 10 personagens de filmes e séries para se inspirar

E, voltando para a área de Recursos Humanos, quais são, na sua opinião, os principais problemas atuais do setor, principalmente diante das transformações digitais, econômicas e sociais que impactam o país? 

Os desafios estão em atrair e não perder os melhores talentos e atender às demandas das empresas nas transformações que os negócios estão passando com a tecnologia. São necessários novos modelos de gestão, novas estruturas de organograma e um maior investimento na humanização dos ambientes. E o que seria essa humanização? A tecnologia seguirá o seu curso, e ela mostra a sua importância no mundo atual. Caberá às áreas de recursos humanos direcionar as suas atenções no humano e na capacidade que possuem de reagir e se superar diante desses desafios.

Como ser um bom líder diante dessas transformações?

Ouvindo mais, sendo aberto à inovação e tendo a capacidade de ler cenários, estudá-los e compreender que todos estão diante de um aprendizado contínuo.

O RH tem ocupado, cada vez mais, um espaço estratégico dentro das organizações. Esse novo papel demanda mais capacitação desses profissionais? 

A meu ver, estamos em um momento de tantas transformações nas organizações que o RH precisa estudar o negócio, sentar na mesa com os seus pares e protagonizar as decisões na adequação dessas estratégias para gerar melhores resultados com pessoas. Orientar as lideranças para essa flexibilidade de atender e customizar as expectativas de sua equipe. 

Que tipo de liderança te inspira? Poderia citar um ou mais líderes que te motivaram?

Vou citar duas mulheres de outros países que me inspiram, para não citar os líderes brasileiros e esquecer algum. A primeira é a Angela Merckel, presidente da Alemanha, que a frente do seu tempo e líder de uma potencial mundial tem atitudes de acolhimento que me encantam. Ela foi a primeira líder feminina a acolher os refugiados e lutar para que as nações reconhecessem dignamente esses imigrantes. Participei este ano, em Genebra, da conferência da OIT (Organização Internacional do Trabalho),  e tive o prazer de ouvir a Merckel. Ela criticou o trabalho infantil, dizendo: “tirem as crianças dos trabalhos dos campos. Crianças foram feitas para sonhar”, e também disse: “não são os trabalhadores que servirão o mercado. É o mercado que deve estar à serviço dos trabalhadores”. Foram falas memoráveis. 

Outra líder que é inspiração para mim é a Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia. Diante daquela tragédia de um ataque a uma Mesquita, que matou muçulmanos em seu país, ela disse: “minha missão é garantir a segurança de vocês, sua liberdade de culto, sua liberdade de expressar sua cultura e sua religião. A Nova Zelândia é essa que vocês veem, nada do que aconteceu nos representa”. Ela foi ao encontro da comunidade islâmica e mostrou a sua firmeza, fraternidade e solidariedade. O respeito foi simbolizado até em sua vestimenta, ao usar um véu, e ainda saudou o parlamento em  árabe.

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Vanessa Ferreira

Escrito por Vanessa Ferreira

Jornalista e apaixonada por marketing de conteúdo. Acredita no poder da informação para a disseminação de saúde financeira.
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