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Idosos no mercado de trabalho já são uma tendência

Entenda o que as empresas ganham ao apostar em talentos da terceira idade e como mesclar gerações pode ser estratégico para o seu negócio

Escrito por Vanessa Ferreira em 25.09.2019 | Atualizado em 15.10.2019

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Quem já assistiu ao filme "Um Senhor Estagiário" sabe que o conflito de gerações pode parecer difícil em um primeiro momento, mas rende bons aprendizados para todos os lados e que diversidade nas empresas também significa inclusão de idosos no mercado de trabalho.

Estrelado por Anne Hathaway e Robert De Niro, a obra conta a história de Ben, um executivo de 70 anos, que deseja se livrar da monotonia da aposentadoria para concentrar sua energia e disposição em um programa de estágio voltado para idosos.

A história de Ben retrata uma tendência que tem crescido no Brasil: o aumento da busca de emprego na terceira idade. Mas, como se reinventar para voltar ao mercado de trabalho em um ambiente dominado por pessoas mais jovens?

Se a recolocação no mercado de trabalho é um grande desafio, a missão é ainda mais difícil quando o profissional em questão está acima dos 50 anos, os chamados 50+.

A seguir, entenda como está o cenário de emprego na terceira idade e como as empresas estão se adaptando a essa tendência.

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A terceira idade e o mercado de trabalho

Segundo dados da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, o número de pessoas com 65 anos ou mais em vagas com carteira assinada aumentou 43% em quatro anos. Além disso, uma pesquisa realizada pela PWC, prevê que até 2040 57% do mercado de trabalho será composto por profissionais com idade acima dos 45 anos. Isso se deve à trajetória de envelhecimento da população.

A mais recente projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que, em 2039, haverá mais pessoas idosas que crianças vivendo no país e até 2060, o percentual de pessoas com mais de 65 anos passará dos atuais 9,2% para 25,5%.

Por outro lado, o aumento da procura por emprego de pessoas nessa faixa etária também impactou a alta do desemprego. A população entre 40 a 59 anos tem a segunda maior taxa de desemprego da Região Metropolitana de São Paulo (20,2%). Esse grupo só está atrás dos jovens entre 16 e 24 anos, público que está apenas começando no mercado de trabalho.

A ausência de vagas de emprego para idosos e a falta de capacitação desses profissionais exigem que essas pessoas se reinventem frente às novas tecnologias. 

As empresas estão preparadas para essa tendência?

Uma realidade presente nas organizações atuais é um processo chamado “juniorização”, em que  jovens recém formados e estagiários preenchem vagas que até então eram ocupadas por pessoas com um grau elevado de conhecimento e experiência.

Em um primeiro momento, essa estratégia pode parecer mais econômica, já que não será necessário investir em altos salários na contratação desses profissionais. No entanto, a longo prazo, a substituição de “grandes gurus” por “pequenos guris” pode custar caro para a empresa e para o sucesso do negócio, visto que o aumento de tunover está associado a profissionais mais jovens.

Uma pesquisa realizada pela Aging Free Fair em parceria com a FGV EAESP, que reuniu gestores de RH de 140 empresas, concluiu que as organizações ainda não estão preparadas para enfrentar um cenário de envelhecimento da força de trabalho.

Embora a inserção de idosos no mercado de trabalho seja vista com bons olhos pelos gestores, fatores como limitação de criatividade, má adaptação às novas tecnologias e custos em termos de plano de saúde e assistência odontológica são fatores que impactam a contratação de profissionais na terceira idade.

Como vimos, é necessário que organizações se adaptem à força de trabalho envelhecida e gestores se conscientizem do valor da experiência dos profissionais maduros. Para isso, é importante que as empresas adotem práticas adequadas para a inserção e manutenção desses profissionais.

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Oportunidades para os 50+

Aos 82 anos de idade, Keila, avó paterna do paulistano Mórris Litvak ainda trabalhava ativamente como secretária e tradutora, além de fazer trabalho voluntário. No entanto, ela sofreu um acidente no caminho do trabalho que lhe forçou a parar de trabalhar.

Mórris pôde ver de perto como a saúde física e mental de sua avó foram prejudicadas devido ao tempo ocioso.

Sensibilizado com a trajetória da avó, Mórris abraçou a causa da longevidade e entrou de cabeça nesse universo. Em 2015, ele criou a Maturijobs, empresa de recrutamento especializada em profissionais com mais de 50 anos.

A seguir, o empresário fala sobre como tem ajudado pessoas maduras a terem a oportunidade de continuarem ativas, compartilhando suas experiências pelo tempo que quiserem.

Confira os trechos da entrevista:

Qual foi a motivação para você criar a MaturiJobs?

Minha maior motivação foi a história da minha avó Keila, que era super ativa, mas quando parou de trabalhar sua saúde foi ladeira abaixo. Depois disso, com a crise, conheci muita gente com 50 anos ou mais com dificuldade para conseguir emprego (ou se manter nele). Percebi que a questão idade era um desafio maior do que a própria crise econômica.

Atualmente, no Brasil, qual é o cenário do mercado de trabalho para os 50+?

Ainda é muito complicado. O preconceito etário faz parte da nossa cultura, está na nossa sociedade e é muito forte no mercado de trabalho, que passou por uma juniorização grande por causa da crise, além do avanço da tecnologia no ambiente corporativo. Mas as empresas estão começando a olhar para isso em razão do envelhecimento da população e pensando na diversidade geracional também - porém, ainda são ações pontuais e tímidas.

Existe algum país que seja considerado modelo em relação à inserção desses profissionais como força de trabalho ativa?

Acredito que não. Isso é um desafio global atualmente, mas o que existem são países com cultura diferente, onde já há mais respeito às pessoas mais velhas e uma maior valorização delas no mercado de trabalho. Normalmente, esses são os países mais desenvolvidos que, além de terem uma educação melhor, envelheceram antes, portanto convivem com essa realidade há mais tempo.

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Do que você estuda e estudou sobre esse assunto, quais são os benefícios de contratar profissionais mais velhos?

O principal benefício é o comprometimento dessas pessoas, que é bem diferente do jovem atual. As novas gerações trocam de emprego com facilidade e querem crescer na carreira logo. Não há paciência para ficar muito tempo num mesmo cargo ou empresa, e isso gera custos elevados de contratação e treinamento. Portanto, fatores como o comprometimento, diminuição de turnover e menor absenteísmo dos mais velhos trazem economia às empresas. Além disso, uma postura diferente que traga equilíbrio a um ambiente muito jovem é extremamente benéfico. Isso fora a experiência, principalmente de vida, que essas pessoas trazem, o que as faz lidar melhor com crises, ter mais jogo de cintura para contornar problemas e ter mais calma, porque já passaram por muita coisa antes. Por fim, trazem mais credibilidade e atenção ao lidar com pessoas (principalmente clientes).

Como funciona o trabalho da MaturiJobs? Quais serviços oferece?

Oferecemos uma plataforma de vagas gratuita às pessoas acima de 50 anos, na qual as empresas pagam para publicar anúncios de oportunidades ou buscar profissionais em nossa base. Também oferecemos consultoria às empresas e RHs que querem se preparar para receber esses profissionais e fazemos cursos e eventos (online e presenciais) para os 50+ que estão fora do mercado e, assim, ajudá-los a se atualizar e se reinventar profissionalmente, inclusive empreendendo ou como autônomo. Atualmente, temos 750 empresas e 85 mil pessoas cadastrados em nossa plataforma no Brasil todo.

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Vanessa Ferreira

Escrito por Vanessa Ferreira

Jornalista e apaixonada por marketing de conteúdo. Acredita no poder da informação para a disseminação de saúde financeira.
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