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Golpes financeiros atingem 20% dos consumidores. Como se proteger?

No final do ano, com a chegada de datas importantes para o varejo, aumentam os riscos de exposição a fraudes. Conheça os cuidados necessários para não se tornar uma vítima

Escrito por Flávia Marques em 04.12.2019 | Atualizado em 04.12.2019

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A chegada das festas de fim de ano prometem movimentar o comércio. Em 2019, o varejo brasileiro prevê um crescimento expressivo de vendas para o período do Natal: segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a estimativa é arrecadar cerca de 36 bilhões de reais, o que representa um crescimento de 4,8% em relação ao ano passado. Mas, neste período, além das vendas, também crescem os riscos de golpes financeiros. 

É que, por conta do aumento de transações, a época torna-se propícia para a ação de fraudadores. O gerente de produtos do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Michel Felix, explica que, além de prejuízos para o orçamento, os golpes financeiros causam uma verdadeira dor de cabeça ao consumidor. “Além de perder dinheiro, ele pode enfrentar a burocracia de abrir boletim de ocorrência e avisar os órgãos competentes sobre o ocorrido”, comenta. 

No último ano, dois em cada dez brasileiros foram vítimas de alguma fraude financeira. O dado, divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, mostra a importância de cuidados para evitar o problema. 

A pesquisa realizada pelas instituições investigou os comportamentos dos consumidores antes da ocorrência dos golpes e indicou que quase 10% forneceram, acidentalmente, seus dados pessoais para terceiros através de ligação ou e-mail. Além disso, outros tiveram os documentos furtados (7%), dados de cartões falsificados (7%) ou perderam os documentos pessoais (6%). 

Quais são os golpes financeiros mais comuns? 

O principal problema enfrentado pelos consumidores fraudados é o não recebimento de algum produto que deveria ter sido entregue em sua residência. Mais de um terço dos brasileiros que foram vítimas de golpes financeiros no último ano enfrentaram este problema. 

Outros golpes mais comuns envolvem a entrega de um produto com características diferentes das que foram especificadas na loja e a clonagem de cartões de crédito ou débito. Além disso, há vítimas que tiveram documentos falsos usados na realização de compras e pessoas que notaram transações bancárias não autorizadas em suas contas. 

O crescimento do comércio eletrônico, impulsionado pela oferta de diversidade de opções, preços competitivos e comodidade é uma faca de dois gumes. De acordo com o levantamento, a internet é o meio onde mais fraudes acontecem. 

Quase um terço (30%) dos consumidores foi vítima de golpes financeiros em transações feitas no ambiente digital. Os cuidados, no entanto, devem ir além das lojas virtuais. Isso porque golpes nas operações realizadas em bancos (15%), lojas físicas de grandes varejistas (10%) e até pequenos comércios (6%) também têm sido comuns. 

Como se proteger? 

Diante do número expressivo de fraudes financeiras, é necessário que o consumidor fique cada vez mais cauteloso para se proteger dos golpes. Michel Felix destaca alguns cuidados para aqueles que vão fazer compras neste período - mas as dicas valem para o ano todo. 

1_ Fique atento aos preços e faça comparações 

A primeira instrução é comparar os preços praticados pela concorrência e desconfiar de lojas que anunciam valores muito inferiores à média. “Alguns sites maliciosos tentam atrair o consumidor com a oferta tentadora de promoções com preços muito baixos”, comenta. 

2_ Verifique a idoneidade da empresa

Informação nunca é demais. Outro cuidado básico está relacionado à pesquisa sobre a reputação da empresa, que pode ser feita em sites especializados, como o ReclameAqui, avaliações no Google e até nas redes sociais da marca. O ideal é olhar todos os canais e reunir o máximo possível de dados. “Buscar comentários que outros clientes já fizeram sobre a loja é outra dica preciosa para evitar frustrações”, orienta Michel. 

3_ Não clique em comunicações duvidosas 

Na internet, os e-mails de divulgação das lojas também podem ser uma ferramenta de fraude. A recomendação, portanto, é não clicar em links duvidosos, que podem levar o consumidor a páginas de conteúdo falso ou até comprometer a segurança do dispositivo por meio do qual o acesso é feito. “Em vez disso, procure digitar o endereço do site na barra do navegador”, indica o especialista do SPC Brasil. 

Não recebi o produto: o que devo fazer? 

A falta de entrega é o principal problema enfrentado pelos consumidores. Mas, afinal, o que deve ser feito quando a compra não chega no prazo estipulado? 

A primeira medida a ser tomada é acionar a loja, por meio do telefone do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). Neste momento, exija e registre o número do protocolo do atendimento. 

Nesse momento, o consumidor pode escolher entre três opções: exigir a entrega imediata da mercadoria, aceitar a entrega de outro produto equivalente ou cancelar o pedido e receber o dinheiro de volta, incluindo o valor do frete.

Nesse caso, mesmo que a compra tenha sido feita no cartão de crédito, o consumidor tem o direito de optar pela restituição em débito em conta. Se a loja não cumprir novamente com o prometido, deve ser penalizada por descumprimento de oferta, previsto no Código de Defesa do Consumidor. O cliente deve fazer uma denúncia no Procon de sua cidade, munido do comprovante da compra, com data e prazo de entrega descritos, e o número do protocolo da reclamação no SAC.

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Flávia Marques

Escrito por Flávia Marques

Repórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.
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