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  • Crédito e empréstimo

    “Garantia no empréstimo reduz a taxa de juros”, diz especialista

    Não é só no futebol que o Brasil desponta como um dos primeiros da lista. Quando se trata de dívidas no cartão de crédito, o brasileiro é o primeiro no ranking da América Latina. A falta de informação, somada a alta
| Atualizado em: 28/06/2019

Última entrevista do especial sobre crédito mostra como o uso de garantias na hora de tomar o empréstimo ajuda a tornar a opção mais saudável e com juros baixos

Não é só no futebol que o Brasil desponta como um dos primeiros da lista. Quando se trata de dívidas no cartão de crédito, o brasileiro é o primeiro no ranking da América Latina. A falta de informação, somada a alta taxa de juros no país faz com que a população caia no mau endividamento e tenha fácil acesso a uma das piores taxas do mercado. Exemplo disso é que o cheque especial atingiu 323,3% a.a (ao ano) em abril, consagrando-se como a taxa mais cara do mercado. No mesmo período, o juros do rotativo do cartão bateu 298,6%. O que muitos não sabem, no entanto, é que ao colocar um bem como garantia, o crédito fica mais barato. Ou seja: não há muita informação sobre o empréstimo com garantia no país. 

Considerada uma das modalidades mais saudáveis do mercado, o crédito com garantia no país apresentam taxas que variam entre 14% a 29% no ano – bem abaixo dos valores demonstrados no cheque especial e rotativo do cartão.

Para acessá-las, o tomador do empréstimo deve oferecer um bem – como um salário, carro ou imóvel -, como garantia de que o débito será pago à instituição que concedeu o crédito. 

“Eu atrelo a falta de divulgação por ser um produto teoricamente novo no mercado financeiro. Por enquanto, ele é muito oferecido muito por fintechs”, diz Agostinho Pascalicchio, professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “A partir do momento em que as fintechs se tornarem mais conhecidas, as grandes instituições também vão passar a oferecer [e/ou divulgar].”

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Empréstimo com garantia: potencial de expansão no Brasil 

A fim de analisar o cenário de crédito no país e fomentar a educação financeira, o Banco Central divulgou um estudo, em meados de maio, com opções de empréstimo saudável. De acordo com o levantamento,  transações de crédito com garantia possuem taxas de juros significativamente menores do que aquelas que não contam com proteção. Por exemplo: para o empréstimo pessoal não consignado sem garantia, a taxa de juros anual é de 92,3 pontos percentuais superior àquela cobrada na mesma operação de empréstimo com garantia.

Um dos principais entraves à expansão do crédito com garantia no Brasil, porém, é justamente a falta de disseminação e conhecimento da modalidade por parte da população. Nos Estados Unidos, por exemplo, o imóvel é o bem mais usado em operações de crédito. 

Prova disso é que enquanto o crédito com garantia corresponde por menos de 50% do mercado brasileiro, nos Estados Unidos a modalidade supera os 90% de participação do mercado. 

O alto nível financeiro colocam os americanos entre as 15 nações com maior educação financeira no mundo, segundo um ranking elaborado pela S&P Ratings Services Global Financial Literacy Survey.

Leia também: Empréstimo com garantia: tudo o que você precisa saber

Falta de informação sobre o crédito

O receio de perder o bem, medo de fraudes online e falta de informação correta estão entre os principais motivos das pessoas não acessarem empréstimos com garantia.

Para ajudar a desmistificar esse cenário, durante o mês de junho, a Revista Digital Creditas traz uma série de entrevistas com especialistas para entender as principais modalidades de empréstimo do Brasil. Já falamos sobre empréstimo pessoal, cheque especial e empréstimo consignado.

No último conteúdo da série, entrevistamos Agostinho Pascalicchio, professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, para tirar dúvidas sobre empréstimo com garantia. 

Confira, a seguir, trechos da entrevista:

– Diferente de países como os Estados Unidos, por exemplo, o mercado de empréstimo com garantia ainda não é muito conhecido no Brasil. Por quê? 

Isso é explicado por um efeito. Em primeiro lugar, o crédito com garantia é uma modalidade que ainda requer educação financeira para se tornar mais conhecido. Há pouca disseminação de informação sobre o assunto. Esse é um item importante porque, uma vez conhecido, principalmente em modalidades como garantia de imóvel e garantia de veículo, a taxa de juros reduz muito. Então, seria muito interessante que tivesse divulgação. 

Eu atrelo a falta de divulgação por ser um produto teoricamente novo no mercado financeiro. Por enquanto, ele é muito oferecido muito por fintechs. A partir do momento em que as fintechs se tornarem mais conhecidas, as grandes instituições também vão passar a oferecer [e/ou divulgar].

Isso porque as fintechs abriram o mercado para essa e outras possibilidade: baixaram as taxas de juros que é muito importante para o mercado brasileiro e fomentaram uma nova opção de empréstimo.   

O Banco Central divulgou um estudo neste semestre mostrando como as garantias melhoram as condições de juros. O sr. acredita que isso ajudará a expansão do crédito com garantia no Brasil? 

Sim. Atualmente, criou-se espaço [no mercado] para novas modalidades de empréstimo com garantia. O crédito consignado, por exemplo, tem como garantia o recebimento de salário. Já o crédito com garantia de veículo e de imóvel, são garantias consideradas novidades e entram no mercado na medida que as fintechs tornam essas possibilidades melhores. 

Eu sinto falta do seguinte: uma das questões pela qual justificamos a existência de bancos múltiplos é o custo. Quanto maior a estrutura, mais diluído fica e reduz a taxa de juros. Por outro lado,  as fintechs mostraram que é possível baixar a taxa de juros com estruturas enxutas voltadas a um produto inovador.

Então, o Banco Central pode rever o argumento das instituições que justificam o valor [alto] das taxas. Será que os bancos múltiplos estão sendo eficientes no argumento de que precisa de instituições grandes para baixar a taxa de juros? 

Além disso, há um outro detalhe importante: quanto mais sofisticada se torna a economia, novos produtos financeiros vão surgindo. Nessa perspectiva, acredito que existe potencial para se oferecer muitos outros produtos à sociedade, a medida que ela vai se sofisticando e melhorando a formação financeira. 

O que observamos é um todo: pequenas instituições oferecendo alternativas saudáveis e o governo acompanhando no sentido de aprimorar e desenvolver os produtos financeiros. 

Para o sr., então, a falta de educação financeira é o principal entrave para a disseminação do crédito com garantia? 

Com certeza. É uma falta de educação financeira do brasileiro em geral, porque a garantia no empréstimo sempre reduz a taxa de juros. Isso já acontecia quando você ia comprar um carro, por exemplo. Agora, o que ocorre é uma maior flexibilidade. A pessoa que já tem o veículo pode oferecê-lo como garantia. Será um processo e, aos poucos, a informação será disseminada.

O empréstimo com garantia é uma boa opção para quem precisa de empréstimo? Podemos considerar uma modalidade saudável?

Sim, o empréstimo com garantia é saudável. O tomador de recursos paga juros elevados por certas fontes de recursos, como o cheque especial e o cartão de crédito. Amortizar ou eliminar essas taxas altas ao tomar um crédito com taxas baixas é o caminho. Quando falamos do empréstimo com garantia lidamos com taxas de 13% a 14% ao ano. 

Isso mostra que é extremamente importante oferecer taxas baixas para a população. E, ao mesmo tempo, o diferencial de juros que são cobrados (que seriam entre 13%-14% e não mais 300%), pode entrar na economia via consumo ou via poupança [no sentido de poupar]. Isso pode estimular tanto o investimento do próprio mercado financeiro, quanto das indústrias, consumo e setor de serviços. Então, o valor poupado pelo brasileiro, se destinado ao mercado financeiro (o ato de poupar), pode movimentar a economia no geral. 

Quando a pessoa pode solicitá-lo? Empreender, renegociar dívidas, realizar sonhos? 

Vai depender do perfil de cada tomador de recursos. Um empresário/empreendedor  vai destinar o recurso ao crescimento da própria empresa. O consumidor pode pensar em renegociar dívidas ou para consumir.

O importante é sempre comparar os custos das fontes de capital [custos do empréstimo], quais riscos envolvidos na operação e avaliar o seu perfil de tomador de empréstimo – para entender qual a melhor opção para você e o que você pode pagar. 

Como a pessoa deve se organizar para que o crédito não a prejudique? 

Em primeiro lugar, realizar um planejamento com comparação de custos. Normalmente, a própria instituição financeira ajuda o cliente a fazer. Isso ajuda a calcular/determinar a taxa de juros, o valor da prestação e o benefício. Então, faça um planejamento comparativo e, a partir disso – e somente a partir disso – que a decisão de tomar o empréstimo deve ser tomada. 

Faça sempre planejamento adequado das finanças/orçamento, considerando o prazo total do pagamento do empréstimo. 

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Postado por Paula Bezerra

Editora da Revista Digital Creditas, jornalista de coração e alma. Escreve sobre finanças, inovação, economia, cultura e o que mais der na telha.
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