Revolucionando o empréstimo no Brasil
Finanças

Fraudes na internet atingem 9 milhões de pessoas. Saiba como evitar

Confira dicas para proteger dados pessoais, fugir de sites mal-intencionados e identificar empréstimos fraudulentos

Escrito por Thiago Fadini em 24.04.2019 | Atualizado em 10.05.2019

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Fazer compras, transações bancárias e outras operações financeiras ficaram mais práticas e rápidas com as plataformas online. Entretanto, a inovação da era digital trouxe consigo uma onda de fraudes na internet e elas têm feito os brasileiros sofrerem nos últimos 12 meses. Um levantamento da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que 8,9 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes no período. Dos casos registrados, 48% foram causados por transações ou compras online.

A maior parte das ocorrências (41%) está ligada à clonagem de cartão de crédito, seguida pelo recebimento de boletos falsos (13%). A contratação de empréstimos e financiamentos e a clonagem de cartão de débito, ambas com o mesmo nível de incidência (11%), vêm logo depois.

A falta de informações e educação para o uso e proteção dos próprios dados são fatores cruciais para que a população fique vulnerável a fraudes na internet. E o alerta sobre a segurança digital não é de hoje.

Um relatório produzido pela ACI Worldwide entre 2011 e 2016 constatou que o Brasil, ao lado dos Estados Unidos, tinha a segunda maior incidência em fraudes com o cartão de crédito na internet, envolvendo 48% dos consumidores. A liderança global ficava com o México, onde 51% dos usuários sofriam com problemas online.

De acordo com o documento, os números mostram uma deficiência na área da segurança da informação nos países com mais riscos, seja pela falta de investimento do setor privado, seja pelo desinteresse do poder público em educar digitalmente os cidadãos. As consequências são sentidas diretamente pelos consumidores, que sofrem psicológica e financeiramente com as fraudes na internet.

“A pessoa que deixa os dados de forma exposta, corre o risco de dar brecha para que um fraudador e/ou estelionatário roube os dados, crie dívidas e manche sua reputação”, diz Filipe Bella, gerente antifraude do buscador de empréstimos online Serasa eCred. “Até ela provar que não foi ela que fez tudo isso, será uma dor de cabeça.”

Para te ajudar a fugir desses golpes, a Revista Digital Creditas organizou um guia com boas práticas para o uso de plataformas online, proteção de dados e como agir, caso seja fraudado. Confira:

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Protegendo os dados: prevenir para não remediar

A prevenção é sempre a melhor forma de fugir de fraudes na internet, que geram enormes ‘dores de cabeça’ em decorrência dos prejuízos causados à reputação e ao bolso do consumidor.

Por conta disso, é necessário que o consumidor tenha consciência ao expor seus dados, como CPF e RG até e-mail e dados da conta bancária, além de se atentar em quais páginas da web ele está fornecendo.

Buscar saber para onde irão as informações fornecidas à uma empresa é um direito do cidadão e deve ser solicitado sempre que houver dúvidas. Caso comece a desconfiar de um site, não insira novas informações pessoais. Quanto menos dados sensíveis à vida pessoal e financeira forem transmitidos, menor será a chance de eles serem usados de forma fraudulenta e/ou vendidos no mercado oculto.

Para auxiliar o consumidor, birôs de crédito como a Serasa e o SPC Brasil disponibilizam serviços de monitoramento do CPF 24 horas por dia. As ferramentas são úteis para que a pessoa possa identificar operações e movimentações estranhas em seu nome, como compras não feitas por ela, empréstimos não solicitados, entre outros tipos de fraudes.

Checar se a empresa é ‘ficha limpa’

Verificar a reputação de uma empresa é fundamental antes de preencher um cadastro e/ou realizar uma operação financeira.

Ferramentas práticas e rápidas que checam a idoneidade das companhias/páginas estão à disposição dos usuário na internet - e são verdadeira aliadas nesse sentido. "Sites como o Reclame Aqui e o Google ajudam a dar mais credibilidade a um local e/ou site", diz Filipe Bella. "Ambos reúnem opiniões, avaliações, reclamações e resenhas dos usuários, o que ajuda a identificar se é fraude, ou não."

Outra opção de fonte para consulta é a Fundação Procon-SP, que mantém uma lista para consulta pública de sites de empresas que devem ser evitadas pelos consumidores. O critério principal para classificar uma empresa como não confiável se baseia nas notificações enviadas pelo órgão que não chegaram a empresa por ela não ter sido encontrada ou que não foram respondidas.

Manter a conta de e-mail segura

Usado em praticamente qualquer cadastro online, é de extrema importância que o e-mail do usuário esteja protegido. Isso porque desde que a internet se espalhou entre a sociedade, os e-mails passaram a ser os guardiões das informações pessoais - e dizem muito sobre nós.

“É comum colocarmos nosso e-mail em qualquer site, mas temos que ter cuidado”, alerta Filipe Bella. “As empresas fraudulentas começam a mandar e-mails com links para o usuário e ao clicar neles, podem roubar dados e outras informações”, diz o especialista.

Por isso, manter o e-mail seguro é fundamental para evitar problemas no futuro. Atente-se sempre as senhas fortes, que reúnam números e caracteres especiais. Esqueça senhas do tipo ‘123456’, ‘qwerty’, ‘password’ e ‘1111111’, que são comprovadamente as mais hackeadas do mundo, segundo um estudo feito pelo Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido (NCSC, na sigla em inglês).

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), por meio do seu guia de ‘Proteção e Sustentabilidade’, dá uma dica de como o cidadão pode checar constantemente a segurança do seu correio eletrônico por meio do site ‘haveibeenpwned.com’.

Nele, o usuário coloca o próprio endereço de e-mail e instantaneamente a plataforma mostra se os dados relacionados à conta já foram hackeados alguma vez nos últimos anos. Caso a mensagem “Good news — no pwnage found!” apareça, significa que o e-mail não foi afetado. Mas se o resultado for “Oh no — pwned!”, o endereço foi comprometido.

Nesse caso, o Idec recomenda que se altere imediatamente as senhas, além da do próprio e-mail, também dos serviços mais utilizados, como as das redes sociais, por exemplo.

Identificando páginas suspeitas

Outro item que ajuda o usuário a fugir de armadilhas virtuais é identificar se a página pela qual ele está navegando é a que realmente ele estava buscando. Além disso, deve-se checar se ela é segura - livre de vírus e outros softwares maliciosos.

Um sinal que ajuda na hora de verificar se o site pode ser explorado com tranquilidade é quando o mesmo tem o ícone do cadeado do lado esquerdo do endereço eletrônico, que está registrado na barra superior do navegador.

“Aquele cadeado é um selo de garantia dado a página. Significa que ela já teve sua confiabilidade checada por alguma empresa especializada de segurança” explica Filipe Bella, do Serasa eCred.

Empréstimo online: como evitar fraudes na internet

Terceiro motivo mais citado pelos brasileiros nos casos de fraude registrados pela pesquisa da CNDL/SPC Brasil nos últimos 12 meses, a contratação de empréstimo online exige atenção do cliente em relação a análise do tipo de modalidade e condições que estão sendo ofertadas.

O Banco Central do Brasil orienta que a busca pelo crédito se apoie sobre três pilares que ajudam a confirmar se o empréstimo é de qualidade e confiável: jamais efetuar pagamentos prévios pela contratação de um serviço; ficar atento a condições fora da média do mercado; e conferir se a instituição tem autorização do órgão para funcionar.

“Empresas fraudadoras entram em contato com o consumidor e pedem dinheiro antecipado, um depósito. Empresas sérias nunca farão isso. O custo de uma operação será embutido depois, no que ele vai pagar com as parcelas”, reforça Bella.

O próprio Banco Central disponibiliza listas com as instituições que são autorizadas pelo órgão a oferecer empréstimos, financiamento, consórcios e outros serviços financeiros. As listas podem ser consultadas neste link. É possível também refinar a busca por uma única empresa através do buscador do site do Banco Central.

Fui vítima de fraude na internet. E agora?

Caso tenha sido vítima de fraude online que envolva dados pessoais, bancários e de cartões de crédito, deve-se entrar em contato imediatamente com o banco e/ou operadora para que eles tenham ciência do ocorrido, bloqueiem qualquer movimentação na conta e, por fim, cancelem o cartão.

Se achar que a segurança do seu computador ou dispositivo eletrônico também foi comprometida, procure uma assistência técnica especializada para remover o software malicioso e não realize mais nenhuma operação por eles.

Em seguida, registre um Boletim de Ocorrência (B.O.). A orientação sobre o boletim vale também para casos de furto, roubo ou extravio de documentos pessoais. O B.O. pode ser preenchido pela internet, somente por sites oficiais dos órgãos estaduais de segurança, ou presencialmente em qualquer delegacia.

Os 10 mandamentos para evitar fraudes

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Thiago Fadini

Escrito por Thiago FadiniRepórter da Revista Digital Creditas. Conectado à economia, política, novos negócios e, nas horas vagas, metido a comentarista esportivo.

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