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Como a eleição na Argentina pode influenciar a economia brasileira

A chegada de Alberto Fernández à Casa Rosada pode ter impacto nas exportações do Brasil e em acordos comerciais. Saiba como a escolha dos argentinos pode afetar nossas vidas

Escrito por Elaine Ortiz em 29.10.2019 | Atualizado em 29.10.2019

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Com 97,4% das urnas apuradas, Alberto Fernández tinha 48,02% dos votos e foi eleito no domingo (27), em primeiro turno, o novo presidente da Argentina. Ao lado da ex-presidente Cristina Kirchner, sua vice na chapa, ele derrotou o atual mandatário, Mauricio Macri e terá a missão de conduzir um país em intensa recessão econômica.  Como a decisão dos hermanos irá afetar a vida dos brasileiros é uma das perguntas que emergem neste cenário. Afinal, a retração da economia argentina já se mostrou impactante na produção industrial brasileira, especialmente no setor automotivo, que exportou 18% menos veículos no ano passado na comparação com 2017.

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A Argentina experimentou, nos últimos anos, uma piora expressiva em praticamente todos os indicadores econômicos: a inflação chegou a 55%, o desemprego passou de 10% da população economicamente ativa, maior nível em 13 anos, o peso sofreu forte desvalorização, o endividamento externo cresceu. Segundo a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo, Cristina Soreanu Pecequilo, a vitória de Alberto Fernández se sustenta exatamente na profunda crise social e econômica vivida pela Argentina ao longo do governo de Mauricio Macri. “A adoção de políticas de austeridade associadas a promessas de crescimento geraram apenas mais pobreza e desemprego”, diz Pecequilo.

De fato, os anos Macri não foram abundantes para o país: a Argentina está em recessão oficial desde setembro de 2018, depois de acumular dois trimestres consecutivos de retração do PIB. Macri herdou, em 2015, o país crescendo apenas 2,7% e as estimativas do Fundo Monetário Internacional preveem que a economia do país encolha até 3,1% ainda neste ano. Ainda segundo o FMI, a Argentina terminará 2019 como o terceiro país do mundo com mais inflação, atrás apenas de Venezuela e Zimbábue, e terá preços 57,3% mais altos do que os do ano anterior. Um cenário desanimador.

Impactos para o Brasil

Um estudo das economistas Luana Miranda e Mayara Santiago, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), estima que a retração da economia argentina "tirou" 0,2 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2018 - ou seja, sem o "efeito Argentina", a economia do Brasil teria avançado 1,3%, em vez de 1,1%. Segundo as pesquisadoras, os bens intermediários, partes e peças que vão ser incorporadas à cadeia de produção argentina, respondem por mais da metade das exportações do Brasil ao vizinho.

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Especialistas acreditam que as exportações são realmente o principal ponto de impacto para o Brasil, afinal o país é nosso terceiro mais importante parceiro comercial no mundo — o principal na América Latina —, respondendo por 5% das exportações brasileiras, atrás somente de China e Estados Unidos. “A Argentina é um parceiro econômico e comercial extremamente relevante, que gera empregos internamente e receitas para o Brasil”, diz a professora da Unifesp. Por isso, quando a economia de lá enfraquece a economia do Brasil é diretamente afetada. 

Até setembro, por exemplo, as exportações brasileiras para os argentinos recuaram 39,3%, de US$ 12,2 bilhões, entre janeiro e setembro de 2018, para US$ 7,4 bilhões, no mesmo período deste ano. Segundo o sindicato dos fabricantes de autopeças (Sindipeças), até setembro deste ano, as exportações de autopeças do Brasil para a Argentina caíram 32,1%, para US$ 1,13 bilhão, na comparação anual.

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Ainda assim, economistas dizem que é preciso aguardar as primeiras medidas do novo presidente para então projetar eventuais reflexos na economia brasileira. Por enquanto, ao Brasil, o retorno do peronismo ao poder gerou apenas palavras duras do presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou que lamenta a eleição de Alberto Fernández e que não irá parabenizá-lo pela vitória. "Eu não tenho bola de cristal, mas eu acho que a Argentina escolheu mal", disse o presidente. Para a professora Pecequilo falta pragmatismo nas declarações do Executivo brasileiro. “Muitas declarações questionáveis já vem sendo feitas, o que compromete o bom clima da relação”, diz. “Caso o Brasil resolva agir pragmaticamente e respeitosamente ao resultado de uma eleição democrática, mudando esta postura imediatista, as relações podem manter-se de forma cordial e equilibrada”.

Acordo Mercosul-União Europeia

A eleição na Argentina da chapa Alberto Fernández e Cristina Kirchner não muda os planos da União Europeia em conseguir uma ratificação do acordo comercial entre Mercosul e UE.  Pelo menos foi o que disse a Comissão Europeia em declaração oficial divulgada um dia após o pleito. "Não muda nada", disse uma porta-voz da Comissão. "Temos um acordo com o Mercosul e estamos trabalhando uma rápida ratificação", completou.

Nos últimos meses, Brasil e União Europeia correram tentar fechar esse acordo comercial, justamente por conta  do cenário argentino. O temor era de que, com base no histórico de Cristina Kirchner, Buenos Aires seria mais protecionista e não aceitasse uma liberalização da forma pela qual o acordo estabelece.

Escassez de dólares 

Logo após a eleição de Alberto Fernández, o Banco Central da Argentina anunciou que os argentinos só poderão comprar U$S 200 (R$ 802,54) por mês. A medida do Banco Central visa controlar o valor da moeda americana, que na sexta-feira (25) fechou o dia cotada em 65 pesos (R$ 4.3479).

O peso argentino vem sofrendo intenso processo de desvalorização desde maio de 2018, quando uma mudança na política monetária americana redirecionou parte dos investimentos que estavam em países emergentes para mercados mais maduros. Com dinheiro saindo do sistema, as reservas em dólares do país reduziram em 40%, de US$ 65,8 bilhões em janeiro para US$ 46,8 bilhões no fim deste mês de outubro. 

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