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Finanças

Dia das Crianças: é possível afastar o consumismo infantil na data?

Estudo revela que mais de um terço dos consumidores sofre pressão das crianças para a compra de presentes. Conheça alternativas para aproveitar a data de forma divertida sem extrapolar o orçamento

Escrito por Flávia Marques em 08.10.2019 | Atualizado em 17.10.2019

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O Dia das Crianças se aproxima e, além dos pequenos, o varejo comemora. É que, apesar do cenário econômico complicado, alto índice de desemprego e encurtamento da renda das famílias, mais de 70% dos consumidores devem ir às compras e movimentar cerca de 10,3 bilhões de reais, segundo estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Mas, em meio às festividades, um assunto não ganha a atenção merecida: o estímulo ao consumismo infantil por trás de datas comemorativas como essa. 

Quem compra os presentes são os adultos, mas as crianças têm influência cada vez maior nas decisões. Neste ano, mais de um terço dos consumidores (36%) admitiu que sofre pressão dos filhos, sobrinhos, afilhados ou netos para comprar exatamente o que eles querem. Como consequência, em muitos casos, o consumidor fica dividido entre a vontade de agradar e os limites do próprio orçamento.

Administrar os desejos das crianças e mostrar a importância de respeitar as condições financeiras antes de fazer compras podem até ser desafios maiores em datas comemorativas, mas os problemas, geralmente, se fazem presentes durante todo o ano. 

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A orientadora financeira Dora Ramos explica que os pais que extrapolam o orçamento no Dia das Crianças estão, na verdade, repetindo um comportamento cotidiano: comprar sem planejamento. “O processo de resistir à pressão dos filhos neste dia começa muito antes, na rotina familiar, integrando as crianças à realidade da casa e mostrando que nem sempre é possível - ou necessário - comprar tudo o que se deseja”, afirma a especialista. 

Consumismo infantil: de onde vem o problema?

Mas, afinal, por que as crianças estão cada vez mais ansiosas pela conquista de bens materiais específicos, a ponto de pressionarem os adultos? A resposta é mais complexa do que se imagina, e a origem do consumismo infantil pode estar em uma combinação de fatores. 

Um deles é a exposição excessiva à publicidade, que atinge a população em todas as etapas da vida. Nos pequenos, os efeitos da propaganda podem ser ainda mais nocivos, já que nessa fase eles ainda não têm a maturidade e senso crítico necessários para resistir a ofertas. Polêmica, a questão deu origem a diversas obras, como o livro “Nascidos para comprar: uma leitura essencial para orientarmos nossas crianças na era do consumismo”, da economista e socióloga americana Juliet Schor. 

Dez anos após o lançamento, a publicação ganhou o mundo e ainda traz análises categóricas sobre como a propaganda e o marketing infantil influenciam e podem ser prejudiciais ao desenvolvimento das crianças - e, por consequência, da construção de uma sociedade com hábitos de consumo mais saudáveis. Em um trecho, a autora fala sobre a sua motivação para escrever a obra: 

“Tornou-se claro para mim que as crianças eram transformadas em consumidoras logo ao nascerem, e na adolescência seus ambientes sociais estavam construídos em torno de bens que representavam as últimas tendências comerciais. Eu desejava transmitir outro sistema de valores para meus filhos e esperava vê-los crescer em um ambiente menos comercial do que o experimentado pelas crianças, pelo menos na média.”

Além do estímulo às compras, a falta de educação financeira é outro fator determinante para o fortalecimento do consumismo infantil. “A falta de diálogo sobre dinheiro faz com que as famílias percam o controle do quanto estão ganhando e gastando, e desconhecem as aquisições que estão dentro da sua realidade”, comenta a especialista em educação financeira Luciana Ikedo. “Por isso, quando as crianças pedem um objeto com o qual tiveram contato, os pais se sentem inibidos de dizer que não podem oferecê-lo e acabam cedendo, mesmo que precisem comprometer o orçamento para isso”, acrescenta. 

Papel dos adultos: como mudar essa realidade?

Quando se trata de hábitos de compra, a máxima “o melhor ensinamento é o exemplo” faz muito sentido. Falar sobre consumo consciente e sobre a necessidade de economizar dinheiro com as crianças, por exemplo, são ações interessantes, mas os efeitos positivos só aparecerão com a prática. 

Em alguns casos, os adultos tentam transmitir conceitos de educação financeira à criança, mas as atitudes, que são muito mais fortes do que as palavras, não condizem com os ensinamentos. “A criança vai se espelhar nos hábitos de consumo da família e, com base nisso, criar a sua própria identidade”, explica Luciana Ikedo. Por isso, incluir as crianças nas conversas - atentando-se à linguagem e limitações delas - e no processo de compra são medidas mais eficientes do que impedir que os pequenos sejam expostos a qualquer tipo de propaganda, por exemplo. 

Para Luciana, evitar que as crianças tenham contato com todo tipo de publicidade pode ser nocivo e potencializar o desejo de consumir em outras ocasiões. “Em algum momento, quando a criança vê algo que outra tem e ela não, o desejo por aquele objeto fica muito mais latente”, explica. “Além disso, sem a orientação necessária dos pais, quando ela se tornar jovem e tiver um orçamento para gerir, não vai saber como fazê-lo”, defende a especialista.  

Uma dica interessante é, sempre que possível, levar as crianças para as compras do dia a dia e mostrar como o dinheiro é administrado. Além de intensificar a convivência, momentos assim são oportunidades para transmitir muito aprendizado sobre finanças pessoais

Dia das Crianças: como aproveitar a data sem estimular o consumismo infantil?

Tornar o Dia das Crianças uma data especial para os pequenos é o desejo de muitos adultos, e aproveitar a ocasião de forma alternativa, gastando pouco dinheiro e sem incentivar o consumismo infantil é perfeitamente possível. “Com certeza, todo pai gostaria de comprar o melhor presente para o seu filho neste dia. Mas vale lembrar que o melhor presente não é, necessariamente, o mais caro”, alerta a orientadora financeira Dora Ramos. 

A educadora financeira Luciana Ikedo sugere que os pais proponham momentos de qualidade com os filhos: ir ao parque, fazer um piquenique ou curtir uma trilha, por exemplo, são opções para envolver toda a família e desvincular a data comemorativa da necessidade de consumir. “Isso ajuda a criança a perceber que existem outras formas de comemorar uma data especial, sem um presente físico, que muitas vezes é desnecessário, não cabe no orçamento e que a pode ser esquecido depois de alguns dias”, explica. 

Outra alternativa é aproveitar a ocasião para incentivar práticas que se opõem ao consumismo, como o compartilhamento. Reunir a família ou os vizinhos e participar de ações de doação para crianças menos favorecidas, por exemplo, é uma oportunidade de ajudar a quem precisa, mostrar para os pequenos que o desapego de bens é uma atitude saudável e contribuir para a formação de uma sociedade com hábitos de consumo mais conscientes.

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Flávia Marques

Escrito por Flávia MarquesRepórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.

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