Revolucionando o empréstimo no Brasil
Crédito e empréstimo

Usar cheque especial como parte do orçamento é armadilha para finanças

Perigosa para a saúde financeira, essa é a modalidade de crédito com a maior taxa de juros do mercado para as pessoas físicas

Escrito por Revista Creditas em 11.06.2019 | Atualizado em 27.06.2019

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O limite pré-aprovado do cheque especial pode ser uma tentação para muitos brasileiros. Há, inclusive, quem já o considere parte do orçamento mensal, principalmente por vê-lo sempre como saldo adicional disponível quando abre a conta-corrente. Mas não deve ser.  

Muitos não sabem - ou se confundem -, porém, o cheque especial é, na verdade, uma linha de crédito disponibilizada (e já pré-aprovada) pela instituição financeira. O banco coloca um limite na sua conta corrente que é consumido quando o saldo fica negativo. Por isso, a importância de planejar as finanças e monitorar o orçamento e saldo disponível em seu banco diariamente.  

Isso porque o cheque especial é a modalidade de crédito com a maior taxa de juros do mercado para as pessoas físicas. Em dezembro de 2018, chegou a 312,6% ao ano ou 12,5% ao mês -- para se ter uma ideia, a taxa média dos juros do do empréstimo com garantia é muito menor, com  16,09% ao ano e 1,09 ao mês. Já o empréstimo pessoal, os valores são de 107,3% ao ano, 6,3% ao mês.

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Panorama do cheque especial

Na última semana, um estudo do Banco Central mostrou que a população mais pobre é a que mais utiliza a modalidade, e também costuma ser a que tem a maior taxa de inadimplência. Principalmente pela dificuldade de conseguir lidar com o orçamento doméstico - salário curto para inúmeras contas.

Segundo os dados, 43,9% dos usuários do cheque especial têm renda inferior a dois salários mínimos (1 996 reais), e 12,5% estão com os pagamentos em atraso superior a 90 dias.

A inadimplência é avaliada menor entre aqueles que têm renda mensal mais alta. Mas, no total, em dezembro do ano passado, o saldo do cheque especial totalizou 21,98 bilhões de reais e, desse montante, 3,38 bilhões de reais - 15,36% - estavam inadimplentes.

Quanto se trata de operações de crédito para pessoas físicas, por exemplo, a inadimplência é bem menor: de 3,25%.

Mês do crédito

Em junho, a Revista Digital Creditas traz uma série de entrevistas com especialistas para entender as principais modalidades de empréstimo do Brasil. Já falamos sobre empréstimo pessoal, e, hoje, conversamos com Ricardo Veles, gestor de recursos na Mont Capital, sobre o cheque especial. Os próximos temas serão: empréstimo consignado e empréstimo com garantia.

Leia os principais trechos da entrevista:

Em que situações é recomendável usar o cheque especial? E quando não?

Temos que ter em mente que quanto mais fácil é obter o crédito, mais altos serão os juros cobrados. O cheque especial deve somente ser utilizado em casos de emergência, e nunca ser considerado parte de seu orçamento. Não se deve utilizar o cheque especial para utilização no dia a dia. Para este caso, recomenda-se o cartão de crédito.

O que levar em conta antes de optar por usá-lo?

Para utilizado, é necessário avaliar se a situação é realmente urgente, como uma pane inesperada no carro, um vazamento em casa ou um problema de saúde. Em outras situações planejadas existem modalidades de crédito com custo inferior (taxa de juros menores) ao do cheque especial.

Quais são os principais riscos dessa linha de crédito?

O risco do cheque especial é exatamente seu custo, que varia entre 10% até 15% ao mês. Quando o consumidor inclui o limite do cheque especial em seu orçamento, ele fica dependente deste limite, o que traz altos custo mensais (vide as taxas de juros citadas no início do texto).

Como fazer para que ele não vire uma bola de neve?

Existe a opção de financiar o limite utilizado caso tenha saído de controle. Por exemplo, caso não consiga cobrir o saldo negativo e pagar as contas do mês. Neste caso, procure seu banco e refinancie o saldo em aberto.

Todos os bancos oferecem esta opção. Para melhor condição, fale com seu gerente e informe o valor que pode pagar de uma forma que não comprometa outras obrigações.

Há opções de crédito que podem ser mais vantajosas? Quais?

Sim, de forma consciente o cartão de crédito é uma ótima opção, com até 40 dias para pagar sem acréscimo de juros. Para financiamento de bens, há o leasing. Para pagamento de dívidas e organização da vida financeira, o crédito pessoal é recomendado nestes casos.

A inadimplência do cheque especial é alta? E os juros?

O que faz a inadimplência do cheque especial crescer, muitas vezes, é o desemprego. Neste momento em que o desemprego está entre 10% e 14%, a inadimplência deste produto é alta no país. Os juros estão sempre relacionados a garantia dada ao banco para ceder um empréstimo. Para o banco oferecer o cheque especial não é necessária nenhuma garantia, portanto são juros muito altos (entre 10% e 15% ao mês).

É uma modalidade em expansão no país?

É uma modalidade que quanto maior o conhecimento em finanças da população, menos ela será utilizada pois seus juros são muito altos.

Ela é saudável?

Não é uma opção saudável. Deve ser evitada e utilizada somente para emergências.

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  • Série linhas de crédito
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