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Brasileiros fogem das filas e recorrem a bancos com conta digital

Bancos digitais ganham força e atraem 15 milhões de brasileiros no primeiro semestre. Para os que abandonam instituições tradicionais, praticidade é mais importante do que acesso a tarifas menores

Escrito por Flávia Marques em 30.09.2019 | Atualizado em 30.09.2019

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O mercado de bancos digitais, que prestam serviços pela internet e dispensam estrutura física de agência, começou a crescer há cerca de cinco anos no país. Mas foi em 2019 que o movimento ganhou ainda mais força: no primeiro semestre, os bancos com conta digital receberam entre 500 000 e 1 milhão de novos clientes por mês, segundo estudo da consultoria Boston Consulting Group (BCG). 

E, ao que parece, os brasileiros que abrem uma conta digital são movidos pelo desejo de praticidade no dia a dia. Hoje, os clientes que trocam os bancos tradicionais por bancos digitais o fazem, principalmente, por dois motivos: não precisar ir até uma agência (32%) e ter acesso ao banco 24 horas por dia (29%). É o que diz uma pesquisa realizada pela Cantarino Brasileiro, consultoria especializada em marketing e relacionamento para o setor financeiro, que ouviu consumidores em todo o país. 

O mesmo estudo revelou outros fatores que também são decisivos para os brasileiros que consideram deixar um bancos tradicional e abrir uma conta digital. Agilidade no atendimento (25%), não ter que pegar filas (23%), segurança nas operações (21%), conforto (19%), inovações tecnológicas (16%) e facilidade na abertura de contas (14%) foram questões mencionadas pelos entrevistados. 

Bancos com conta digital: tarifa não é o maior diferencial?

No levantamento da consultoria, um dado chamou a atenção: embora os valores das taxas dos bancos digitais sejam um argumento importante para atrair novos clientes, esse não é o principal motivo que tem levado os consumidores a abandonarem as instituições financeiras tradicionais. No estudo, menos de um terço dos entrevistados mencionou os valores das taxas entre os principais atrativos dos bancos com conta digital - e, no ano passado, o número chegou a 46%. 

Mas isso não significa que as tarifas praticadas pelos bancos tradicionais não estejam pesando no bolso do consumidor: nos últimos dois anos, as taxas subiram o dobro da inflação, segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). A realidade é motivada, principalmente, pela alta concentração bancária no país: hoje, as cinco maiores instituições detém mais de 80% dos ativos totais do segmento bancário comercial. 

Para Fabrício Winter, especialista em serviços financeiros e sócio da consultoria Boanerges & Cia., mais do que taxas atrativas, os bancos digitais e fintechs conquistam e fidelizam o público ao oferecer algo que tem muito mais valor. “Desde o seu surgimento, eles [os bancos digitais e fintechs] trazem uma nova referência de experiência ao usuário”, afirma. 

Essa experiência positiva é resultado de uma combinação de fatores diferenciais. “A afinidade do consumidor com as fintechs e bancos digitais ocorre, principalmente, por conta das plataformas simples e fáceis de usar, disponíveis na própria tela do celular; além de um atendimento mais rápido proporcionado pelo envolvimento de tecnologia nos processos”, acrescenta Fabrício.  

Como as fintechs e bancos digitais estão impactando o mercado financeiro? 

Motivado pelo surgimento exponencial de fintechs e bancos  com conta digital, o mercado financeiro tem sofrido mudanças que são refletidas no dia a dia do consumidor e tem transformado o seu papel nesse cenário. 

“Hoje, com mais possibilidades no mercado, a população está saindo de uma posição passiva, pois não está mais à mercê das condições oferecidas por um número tão limitado de instituições financeiras”, explica Fabrício. Nesse momento, o cliente que conhecer os seus hábitos e verdadeiras necessidades conseguirá encontrar as melhores ofertas do mercado e receber atendimento que deseja. 

Na avaliação do especialista, apesar de relevante e expressivo em número de players, o mercado de startups financeiras e bancos digitais no Brasil ainda é tímido - e, por isso, tem grande potencial de crescimento. “A concorrência no setor financeiro ainda é pequena, e por isso os bancos tradicionais ainda encontram espaço para cobrar mais pelos serviços que oferecem, por exemplo”, comenta. 

Para ele, os grandes bancos têm aproveitado esse momento para observar as tendências ditadas pelas novas instituições e aplicar o que é interessante para o seu crescimento. “Eles [os bancos tradicionais] olham para o que as fintechs estão fazendo, entendem o que funciona e o que não funciona a partir da experiência delas e incorporam ao modelo deles aquilo que tem mais chance de sucesso”, acrescenta Winter. 

Tradicionais X digitais: quem fica com os desbancarizados? 

Mais do que atrair clientes de bancos tradicionais, as fintechs e bancos digitais podem atingir uma parcela da população que vive alheia ao sistema bancário e aos benefícios que ele pode oferecer. Hoje o Brasil tem em torno de 60 milhões de desbancarizados, segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse número representa cerca de 110 milhões de pessoas - o equivalente a quase metade da população economicamente ativa do país. Juntas, elas movimentam mais de R$ 665 bilhões ao ano. 

Além da falta de segurança e a possibilidade de perder dinheiro, essas pessoas também não têm acesso ao crédito e não podem fazer aplicações para aumentar os seus rendimentos. Mas, como grande parte dos negócios da população desbancarizada é informal, a dificuldade de comprovar renda faz com que esse público seja esquecido pela rede bancária tradicional. 

Nesse cenário, as fintechs e bancos digitais têm a oportunidade de desenvolver ações voltadas a essa parcela negligenciada da população e expandir a sua carteira. Algumas startups financeiras, por exemplo, já buscam dados em birôs de crédito, cartórios, contas pagas e informações públicas do governo para traçar um perfil do usuário e viabilizar a abertura de contas. 

“Nesse sentido, as oportunidades para as fintechs estão por toda a parte, e esse setor tem muito a evoluir, inclusive em termos de competitividade”, avalia Fabrício. “O crescimento do mercado de novas instituições financeiras está só começando. Ganhar escala e conquistar novos públicos, a meu ver, é só uma questão de tempo”, conclui o especialista. 

 

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Escrito por Flávia Marques

Repórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.
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